Peixinho e Chinesinho.
Futebol maiúsculo pra apelido diminutivo...
Atualmente?
Fazem o contrário no futebol, né?
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| BELFORT DUARTE |

Por ROBERTO VIEIRA
De uns tempos pra cá somos surpreendidos com as loucuras do zagueiro André Luís.
André que chutou garrafa em Recife.
André que foi expulso mais de cem vezes nos últimos dois anos.
André que é um bom zagueiro.
Pois bem. Nos anos 70, o futebol carioca tinha um atacante.
Rápido, oportunista. O nome dele era Dé.
Perambulou pelo Vasco da Gama ao lado de Dinamite.
Pelo América ao lado de Flecha e Bráulio.
Um belo jogador.
Mas Dé tinha um defeito: Era louquinho da silva.
Vira e mexe arranjava um jeito de entrar para o folclore do futebol.
Certa vez sacudiu areia nos olhos do goleiro Andrada numa cobrança de escanteio.
Noutra desviou a bola do zagueiro com uma pedra de gelo.
Porém, seu pior momento foi arrancar um cartão amarelo das mãos do juiz e... comer o cartão.
Depois, convicto da besteira que tinha feito, se retirou em silêncio. Expulso.
No jogo Botafogo x Estudiantes desta quarta no Engenhão, sessão espírita.
Baixou o santo de Dé no zagueiro André Luís do Botafogo.
E ele arrancou o cartão amarelo das mãos do árbitro da partida.
Só esqueceu de mastigar o dito cujo.
Entre Dé e André, no entanto, paira uma diferença menos gastronômica.
Dé fazia a gente rir.
Já André...


Em 1987, o América-RJ selou o seu fim.
Mas foi um final grandioso.
Pleno de coragem e honra.
Reunidos em Campos Salles, o América, o Sport, o Guarani, o Bangu entre outras equipes ameaçam o Clube dos 13.
Mas um a um, todos recuam.
Menos o valoroso clube carioca.
Clube que entendeu a manobra subversiva dos poderosos.
A promessa de cruzamento entre módulo verde e amarelo era pura balela.
Conversa pra boi dormir.
No final das reuniões, apenas o América-RJ fincou o pé.
E retirou-se das disputas daquele ano.
Como só os vencedores escrevem a história.
Restou ao América o esquecimento.
O ostracismo.
Por ROBERTO VIEIRA
Quintino é um subúrbio triste no Rio. O velho Antunes já não há.
O português Antunes que sonhava com seus filhos vestindo a camisa rubro negra. Todos.
Seu José Antunes Coimbra já não beija mais sua Matilde.
Já não carrega o vira-lata branco no colo.
O velho Antunes já não precisa repetir aos berros que é português, com muito orgulho.
Mas não é vascaíno, não senhor!
Que o seu caso de amor com o Flamengo começou há muito tempo atrás.
Numa derrota de 3 x 1 para o América no distante 1915.
Distante como esse agora triste subúrbio de Quintino.
Quintino que sente falta de outras coisas, mais prosaicas. Mais crianças.
Sente falta do Tonico. Chora pelo Zeca.
Procura em vão o Nando.
Onde estará o Eduzinho?
Eduzinho que ousou jogar pelo algoz América sob o olhar compreensivo do velho Antunes.
Eduzinho que ensinava o caçula a driblar.
Nas ruas de Quintino, eram famosas as peladas:
"Falta na entrada da esquina! Adivinha quem vai bater?"
E lá ia Arturzinho, Arturzico, Zico chutar no ângulo do tempo.
Tempo indefensável. Tempo que a todos separa.
Uns na eternidade.
Outros no Uzbequistão.
[IMAGEM]

Um acrobata. Pompéia.
Pompéia não defendia simplesmente. Ele imaginava pontes, vôos, saltos mortais.
Pompéia, campeão carioca de 1960 pelo Mequinha.
Um dia Pompéia jogava pelo Deportivo Português da Venezuela.
Contra o poderoso Real Madrid.
Uma rebatida, o chute forte atinge seu olho. Final de carreira.
Pompéia que havia sido artista de circo.
Pompéia revelado no Bonsucesso. Reserva de Manga. Manga futuro goleiro do Santos.
Um gato no arco.
Em 1966 ruma para a Venezuela.
Perde a visão esquerda. Volta ao Rio, para o filho Rodolfo Valentino.
Bebida.
É resgatado pelo Bonsucesso. Para treinar os goleiros.
Pompéia que veio a falecer no dia 18 de maio de 1996.

Cabeçada de Cristiano Ronaldo
Pois é. Vendo alguns lances da final Manchester e Chelsea lembrei de um passado de gols.
Um passado antes do extermínio dos simpáticos clubes do Rio.
Se eles fazem isso com os times do Rio, imagine com os nordestinos!
Bangu, Madureira, Olaria, Bonsucesso.
Nomes que vivem no imaginário dos meninos de antigamente.
Nomes que desaparecem na paisagem do Cristo Redentor.
Ah, o Ameriquinha.
Ameriquinha que de vez em quando passava por aqui dando espetáculo.
América de Belfort Duarte.
A paisagem carioca jamais será a mesma sem o simpático clube do Andaraí.
Clube que virou saco de pancada pelas intempéries das federações, dos clubes dos 13, 20...
O América vermelho e branco.
Só pelo vermelho e branco já contava com minha simpatia.
Peraí!
Mas o que é que tem a ver o América com o Manchester campeão europeu?
Em 1959 o América veio até Recife com o ataque da foto:
Canário no América em 1959
Calazans, João Carlos, Antoninho, Canário e Nilo.
Um ano depois vieram enfrentar a Seleção Cacareco.
Cacareco que era o apelido da seleção pernambucana armada para representar o Brasil no Sul Americano do Equador.
Não é nada não é nada, o ataque do America estava desfalcado de Canário.
O América em 1960 seria o primeiro campeão da Guanabara.
Já Canário em 1960 defenderia as cores do Real Madrid de Di Stefano e Puskas na histórica final européia no Hampdem Park.
Real 7 x 3 Eintracht Frankfurt.
Partida que consta em qualquer antologia dos grandes jogos da história do futebol.
Olha só o ataque do Real:
Canário, Del Sol, Di Stefano, Puskas e Gento.
Canário no Real na final européia
Pois é.
Não é nada não é nada.
E talvez seja tudo...