31 de mar. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA


O golpe militar de 1964.

Nasceu com os gols do Palmeiras em Recife.

Palmeiras que negociava Rinaldo.

Palmeiras que enfiou quatro gols no Náutico.

Enquanto Miguel Arraes era deposto na marra.

Tiros na Dantas Barreto.

Mortos.

Pelópidas da Silveira sofre goleada.

O Palmeiras volta pro Rio-São Paulo.

O Brasil vai aos poucos mergulhando na escuridão.

Castelo.

Cassações.

AI-1, AI-2... AI-17.

Os festivais tocaram na ferida caminhando.

Sabiás longe de casa.

Mas o futebol brasileiro foi de uma tranqüilidade pungente.

Passeata dos cem mil?

A seleção brasileira viajando.

Para inaugurar o estádio Oliveira Salazar em Moçambique.

AI-5?

Pelé enfrenta Beckenbauer no Maracanã.

Seqüestro de Charles Burke Elbrick.

Elbrick é solto na multidão de Fluminense x América-RJ.

Morto Marighela?

Legal foi a goleada do Timão em cima do Santos.

Pra frente Brasil?

O cônsul alemão em cana.

Almirantes na CBD.

Militares na preparação física do Tri.

General de radinho acertando palpite de jogo.

Festa no Planalto Central do país.

Enquanto raspavam a cabeça de Caetano e Gil na prisão.

Demitiam Vinícius de Moraes.

Espancavam Geraldo Azevedo.

Sumiam com Zuzu Angel.

Os estádios refletiam a complacência tropical.

Exceção.

A perseguição a Nando Antunes.

Eduzinho fora da seleção de 70.

Zico fora da seleção olímpica de 1972.

Sob o manto protetor da imprensa amordaçada.

Tempo que passa.

Nas duas décadas de convivência do futebol brasileiro com a ditadura.

Uma pergunta ficará sempre no ar.

Caso o Brasil fosse campeão em 1982.

Como seria o encontro do general Figueiredo.

Com o capitão da seleção de Telê.

Nas comemorações de praxe.

Entre a canarinha e o Poder..

Pois o capitão da canarinha de 82.

Era um tal de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira...


Um comentário:

  1. Mestre, ótima crônica. Só está errado o dia. Para "coroar" fizeram tudo em 1o de abril. Muito representativo!

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Comentários