Por ROBERTO VIEIRA
O golpe militar de 1964.
Nasceu com os gols do Palmeiras em
Recife.
Palmeiras que negociava Rinaldo.
Palmeiras que enfiou quatro gols no
Náutico.
Enquanto Miguel Arraes era deposto
na marra.
Tiros na Dantas Barreto.
Mortos.
Pelópidas da Silveira sofre
goleada.
O Palmeiras volta pro Rio-São
Paulo.
O Brasil vai aos poucos mergulhando
na escuridão.
Castelo.
Cassações.
AI-1, AI-2... AI-17.
Os festivais tocaram na ferida
caminhando.
Sabiás longe de casa.
Mas o futebol brasileiro foi de uma
tranqüilidade pungente.
Passeata dos cem mil?
A seleção brasileira viajando.
Para inaugurar o estádio Oliveira
Salazar em Moçambique.
AI-5?
Pelé enfrenta Beckenbauer no
Maracanã.
Seqüestro de Charles Burke Elbrick.
Elbrick é solto na multidão de
Fluminense x América-RJ.
Morto Marighela?
Legal foi a goleada do Timão em
cima do Santos.
Pra frente Brasil?
O cônsul alemão em cana.
Almirantes na CBD.
Militares na preparação física do Tri.
General de radinho acertando
palpite de jogo.
Festa no Planalto Central do país.
Enquanto raspavam a cabeça de
Caetano e Gil na prisão.
Demitiam Vinícius de Moraes.
Espancavam Geraldo Azevedo.
Sumiam com Zuzu Angel.
Os estádios refletiam a complacência
tropical.
Exceção.
A perseguição a Nando Antunes.
Eduzinho fora da seleção de 70.
Zico fora da seleção olímpica de
1972.
Sob o manto protetor da imprensa
amordaçada.
Tempo que passa.
Nas duas décadas de convivência do
futebol brasileiro com a ditadura.
Uma pergunta ficará sempre no ar.
Caso o Brasil fosse campeão em
1982.
Como seria o encontro do general Figueiredo.
Com o capitão da seleção de Telê.
Nas comemorações de praxe.
Entre a canarinha e o Poder..
Pois o capitão da canarinha de 82.
Era um tal de Sócrates Brasileiro Sampaio
de Souza Vieira de Oliveira...

Mestre, ótima crônica. Só está errado o dia. Para "coroar" fizeram tudo em 1o de abril. Muito representativo!
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