Por ROBERTO VIEIRA
Quintino é um subúrbio triste no Rio. O velho Antunes já não há.
O português Antunes que sonhava com seus filhos vestindo a camisa rubro negra. Todos.
Seu José Antunes Coimbra já não beija mais sua Matilde.
Já não carrega o vira-lata branco no colo.
O velho Antunes já não precisa repetir aos berros que é português, com muito orgulho.
Mas não é vascaíno, não senhor!
Que o seu caso de amor com o Flamengo começou há muito tempo atrás.
Numa derrota de 3 x 1 para o América no distante 1915.
Distante como esse agora triste subúrbio de Quintino.
Quintino que sente falta de outras coisas, mais prosaicas. Mais crianças.
Sente falta do Tonico. Chora pelo Zeca.
Procura em vão o Nando.
Onde estará o Eduzinho?
Eduzinho que ousou jogar pelo algoz América sob o olhar compreensivo do velho Antunes.
Eduzinho que ensinava o caçula a driblar.
Nas ruas de Quintino, eram famosas as peladas:
"Falta na entrada da esquina! Adivinha quem vai bater?"
E lá ia Arturzinho, Arturzico, Zico chutar no ângulo do tempo.
Tempo indefensável. Tempo que a todos separa.
Uns na eternidade.
Outros no Uzbequistão.
[IMAGEM]
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