Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM
Maneco jogou somente uma partida pela seleção nacional. Sua
vida foi o América, onde se fez e foi famoso em duas linhas de ataque, a do já citado Tico-Tico-no-fubá, de 1946: China,
Maneco, César, Lima e Jorginho, e a do ano do Maracanã, em 1950, depois da Copa
do Mundo: Natalino, Maneco, Dimas, Ranulfo e Jorginho. O Vasco foi o campeão, o
América ficou em segundo, invicto até a antepenúltima rodada.
O outro, Maneca, tendo surgido um pouco depois, brilhou no
futebol na passagem dos anos 40 para os 50. Baiano de Salvador, foi revelado
pelo Galícia. Menino de boa família, classe média de Salvador, bem diferente de
Maneco, da molecada do futebol de rua de Irajá, zona norte do Rio. Maneca teve
a sorte de chegar ao Vasco no tempo do Expresso da Vitória, o Vasco, três vezes
campeão carioca invicto na década de 40, em 1945, em 47 e em 49. Jogou ao lado
de Barbosa, de Danilo e de Ely do Amparo. De Ademir, Augusto, Jair, Ipojucan,
Chico e Heleno de Freitas. Não é pouca coisa. Foi um jogador brilhante, era um
cracaço, mais meio-campista que o outro, Maneco. Encantava pelo seu futebol de
fino trato. Jogou na Seleção e no Bangu, no final da carreira, agora ao lado de
Zizinho. Poucos gozaram de tanto privilégio. Voltou depois para Bahia,
encerrando a carreira no seu Galícia.
A fatalidade do suicídio aproximou as biografias de Maneco e
Maneca. Motivos e razões distintas levaram os dois craques ao chamado gesto
tresloucado. Maneco, foi levado a cometer o desatino por problemas financeiros,
pelas dificuldades que vinha enfrentando na lutaq desigual para se manter vivo
com dignidade. Era na ocasião treinador dos juvenis do América. Treinar um time
de meninos não é a mesma coisa que ser capa de revista. O salário, bem menor,
não dava para chegar junto na hora de saldar os compromissos assumidos desde quando
era jogador. Um dia não teve como pagar a prestação da casa que comprara para
os pais no bairro de Irajá. Acabou ingerindo veneno, trancado no banheiro da
casa de um parente. Foi encontrado morto. Com Maneca foi diferente. Morando em
Copacabana depois que parou de jogar, levava aparentemente uma boa vida, bem ao
seu estilo de moço do boa aparência, cercado de amigos e namoradas. Não vivia
os problemas sociais de Maneco, o menino pobre de Irajá. Vivia em outro mundo.
Mas não suportou a ausência dos holofotes. Não soube conviver com o ostracismo
da aposentadoria precoce, entrando em profunda depressão cerca de quatro anos
depois que parou de jogar. Seu problema era de ordem existencial. Decidiu
acabar com a vida. E o fez, porém, do mesmo modo, ingerindo veneno, quem sabe o
mesmo veneno que matou Maneco.

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