17 de nov. de 2012




Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM





Maneco jogou somente uma partida pela seleção nacional. Sua vida foi o América, onde se fez e foi famoso em duas linhas de ataque, a do já  citado Tico-Tico-no-fubá, de 1946: China, Maneco, César, Lima e Jorginho, e a do ano do Maracanã, em 1950, depois da Copa do Mundo: Natalino, Maneco, Dimas, Ranulfo e Jorginho. O Vasco foi o campeão, o América ficou em segundo, invicto até a antepenúltima rodada.

O outro, Maneca, tendo surgido um pouco depois, brilhou no futebol na passagem dos anos 40 para os 50. Baiano de Salvador, foi revelado pelo Galícia. Menino de boa família, classe média de Salvador, bem diferente de Maneco, da molecada do futebol de rua de Irajá, zona norte do Rio. Maneca teve a sorte de chegar ao Vasco no tempo do Expresso da Vitória, o Vasco, três vezes campeão carioca invicto na década de 40, em 1945, em 47 e em 49. Jogou ao lado de Barbosa, de Danilo e de Ely do Amparo. De Ademir, Augusto, Jair, Ipojucan, Chico e Heleno de Freitas. Não é pouca coisa. Foi um jogador brilhante, era um cracaço, mais meio-campista que o outro, Maneco. Encantava pelo seu futebol de fino trato. Jogou na Seleção e no Bangu, no final da carreira, agora ao lado de Zizinho. Poucos gozaram de tanto privilégio. Voltou depois para Bahia, encerrando a carreira no seu Galícia.

A fatalidade do suicídio aproximou as biografias de Maneco e Maneca. Motivos e razões distintas levaram os dois craques ao chamado gesto tresloucado. Maneco, foi levado a cometer o desatino por problemas financeiros, pelas dificuldades que vinha enfrentando na lutaq desigual para se manter vivo com dignidade. Era na ocasião treinador dos juvenis do América. Treinar um time de meninos não é a mesma coisa que ser capa de revista. O salário, bem menor, não dava para chegar junto na hora de saldar os compromissos assumidos desde quando era jogador. Um dia não teve como pagar a prestação da casa que comprara para os pais no bairro de Irajá. Acabou ingerindo veneno, trancado no banheiro da casa de um parente. Foi encontrado morto. Com Maneca foi diferente. Morando em Copacabana depois que parou de jogar, levava aparentemente uma boa vida, bem ao seu estilo de moço do boa aparência, cercado de amigos e namoradas. Não vivia os problemas sociais de Maneco, o menino pobre de Irajá. Vivia em outro mundo. Mas não suportou a ausência dos holofotes. Não soube conviver com o ostracismo da aposentadoria precoce, entrando em profunda depressão cerca de quatro anos depois que parou de jogar. Seu problema era de ordem existencial. Decidiu acabar com a vida. E o fez, porém, do mesmo modo, ingerindo veneno, quem sabe o mesmo veneno que matou Maneco. 


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