Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA
Maneco e Maneca jogavam na mesma posição, correndo pela
direita do ataque na mesma faixa do gramado. Eram chamados de meias na formação
da linha atacante de antigamente. No tempo do center foward e das alas, uma a cada lado no ataque. Foram
meias-direitas, e dos bons, estrelas do futebol brasileiro que luziram nos anos
40 e 50 do século passado. Figurinhas carimbadas, capas de revista e notícias
das paginas esportivas.
Jogavam no Rio, a capital federal e do futebol na época.
Jogaram quase que ao mesmo tempo, Maneco aparecendo um pouco antes, nos meados da
década de 40. Os nomes parecidos, o
tempo a aproximá-los e o futebol gigante dos dois se prestaram para não raro criar
confusão quando lembrados nas rodas de papo e até mesmo nas crônicas dos
jornais. Chegaram ambos ao escrete, ambos na condição de coadjuvantes, de todo
modo Maneca com um pouco mais de brilho por ter participado de uma Copa do
Mundo, a do Maracanã. Maneco, em compensação, arrebentou quando teve a sua
chance. Foi numa disputa entre cariocas e paulistas pelo Brasileiro de Seleções,
o que havia de melhor na época no futebol brasileiro.
Maneco era do América, a cara do América, não vestiu outra
camisa. Nascido em 1922, tinha pouco mais de vinte anos quando começou a
aparecer nas capas das revistas esportivas, fazendo-se aí habitué, sozinho ou na companhia dos endiabrados atacantes do Tico-tico-no-fubá,
a linha avançada americana, assim batizada por Ary Barroso e conhecida por
todos. Era negro, um azougue, ninguém conseguia segurá-lo. Apelidado Saci de
Irajá, bairro da zona Norte onde tinha começado a jogar bola, teve os seus quinze
minutos de glória em março de 47, quinze somente não, nem somente noventa o
tempo de um jogo. Somando tudo foram cento e oitenta minutos de glória porque
foram dois jogos seguidos, quando o treinador Flávio Costa, para salvar a
Seleção Carioca do vexame que estava se desenhando após o fracasso contra os
paulistas no Pacaembu, decisão do campeonato, escalou Maneco. Sem tempo para
treinar o time, convocado logo após o Supercampeonato ganho pelo Fluminense, o
treinador do Vasco, que era também da Seleção Brasileira, fez o que todos
queriam: escalou o ataque com Pedro Amorim, Ademir, Heleno, Orlando e Rodrigues.
As duas alas do supercampeão, o Fluminense, no comando do ataque uma das
estrelas do campeonato, Heleno, do vice-campeão Botafogo. Não deu liga. Os
paulistas não tomaram conhecimento e meteram 5x2. Para o segundo jogo, no Rio,
só com tratamento de choque. Foi o que Flávio fez. Escalou Maneco na
meia-direita, o seu lugar. Levou Ademir para o outro lado do ataque, fazendo
reviver a ala-esquerda dos bons tempos do Vasco e da Seleção Brasileira: Ademir
e Chico. Reabilitação dos cariocas, 3x2 no placar. Dois gols de Maneco e um de
Ademir. Veio a negra, mais uma vez no Rio, em São Januário: Cariocas 4x1. O Rio
de Janeiro conquistava o tri, passando os paulistas para trás. Maneco, autor de
três gols, era o herói de São Januário. Ademir e Heleno haviam ficado pra trás.
Depois eu conto resto e falo de Maneca.
... continua amanhã
... continua amanhã


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