A VIOLÊNCIA NO CLÁSSICO
Por ROBERTO VIEIRA
O futebol é uma carnificina. Um circo romano.
Futebol-arte é uma exceção. Balé num baile funk.
Infelizmente, diria eu.
Mas como posso julgar um soldado em fogo cruzado?
Como, se a multidão exige sangue, suor e lágrimas?
Na antiga Florença os jogadores se enfrentavam no gioco cálcio.
Era uma espécie de vale-tudo. Podia até matar o adversário.
E muitas vezes era o que realmente acontecia.
Com a evolução da sociedade o jogo também evoluiu, e o homem reservou as carnificinas para o teatro da guerra.
Em 1863 na Freemason's Tavern foram definidas as 17 regras do futebol.
E o jogo passou alguns anos sendo disputado num clima de cavalheirismo. Embora por vezes terminasse em pancadaria.
Então em 1868 surgiu o juiz. Autoridade máxima dentro das quatro linhas.
Aliás, o juiz é mais antigo que o travessão que só foi criado 10 anos depois.
O pau quebrava do mesmo jeito. Por vezes batiam até no juiz enquanto ‘homenageavam’ a sua genitora.
Ser juiz tornou-se tão perigoso quanto sair para um mergulho com Houdini.
Lembrando a primeira frase: O futebol é uma carnificina.
Vinte e dois homens em campo e uma multidão selvagem exigindo a vitória.
Não faz muito tempo o homem habitava as cavernas. Comia com as mãos, namorava com a clava.
Quando indicaram o juiz de Náutico e Sport qualquer pessoa em seu juízo normal pensaria:
‘O jogo não termina! O jogo não termina!’
Porque aqueles vinte e dois homens quando vestem uniformes e se enfrentam no circo romano ficam cegos. De raiva.
E feras enjauladas podem sentir o medo a distancia.
O medo de usar o chicote.
E onde estava o chicote do domador?
No bolso.
Como uma classe de adolescentes com um professor sem autoridade.
Sem autoridade eles vão deitar e rolar.
Não vejo o juiz como culpado.
Culpado foi quem indicou o árbitro.
Era um jogo para um Mario Vianna. Um Sherlock. Um batalhão de choque. Os fuzileiros navais.
Como na Batalha de Santiago, em 1962, quando Chile e Itália se enfrentaram com espadas e morteiros,
só uma pessoa inocente poderia imaginar que no final do espetáculo não haveria mortos e feridos.
No circo romano, gladiadores e leões são atores.
Nero é quem deseja ver o circo pegar fogo.
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