31 de mar. de 2013





A VIOLÊNCIA NO CLÁSSICO

Por ROBERTO VIEIRA


O futebol é uma carnificina. Um circo romano.

Futebol-arte é uma exceção. Balé num baile funk.

Infelizmente, diria eu.

Mas como posso julgar um soldado em fogo cruzado?

Como, se a multidão exige sangue, suor e lágrimas?

Na antiga Florença os jogadores se enfrentavam no gioco cálcio.

Era uma espécie de vale-tudo. Podia até matar o adversário.

E muitas vezes era o que realmente acontecia.

Com a evolução da sociedade o jogo também evoluiu, e o homem reservou as carnificinas para o teatro da guerra.

Em 1863 na Freemason's Tavern foram definidas as 17 regras do futebol.

E o jogo passou alguns anos sendo disputado num clima de cavalheirismo. Embora por vezes terminasse em pancadaria.

Então em 1868 surgiu o juiz. Autoridade máxima dentro das quatro linhas.

Aliás, o juiz é mais antigo que o travessão que só foi criado 10 anos depois.

O pau quebrava do mesmo jeito. Por vezes batiam até no juiz enquanto ‘homenageavam’ a sua genitora.

Ser juiz tornou-se tão perigoso quanto sair para um mergulho com Houdini.

Lembrando a primeira frase: O futebol é uma carnificina.

Vinte e dois homens em campo e uma multidão selvagem exigindo a vitória.

Não faz muito tempo o homem habitava as cavernas. Comia com as mãos, namorava com a clava.

Quando indicaram o juiz de Náutico e Sport qualquer pessoa em seu juízo normal pensaria:

‘O jogo não termina! O jogo não termina!’

Porque aqueles vinte e dois homens quando vestem uniformes e se enfrentam no circo romano ficam cegos. De raiva.

E feras enjauladas podem sentir o medo a distancia.

O medo de usar o chicote.

E onde estava o chicote do domador?

No bolso.

Como uma classe de adolescentes com um professor sem autoridade.

Sem autoridade eles vão deitar e rolar.

Não vejo o juiz como culpado.

Culpado foi quem indicou o árbitro.

Era um jogo para um Mario Vianna. Um Sherlock. Um batalhão de choque. Os fuzileiros navais.

Como na Batalha de Santiago, em 1962, quando Chile e Itália se enfrentaram com espadas e morteiros,
só uma pessoa inocente poderia imaginar que no final do espetáculo não haveria mortos e feridos.

No circo romano, gladiadores e leões são atores.

Nero é quem deseja ver o circo pegar fogo.



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