Mostrando postagens com marcador STJD. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador STJD. Mostrar todas as postagens

21 de nov. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

O STJD absolveu o Sr. Bebeto de Freitas dos incidentes na partida contra o São Paulo.

Absolveu por absoluta falta de palavrões.

Bebeto invadiu o campo, mas não xingou o juiz.

Eis o que disse o Bebeto:

"Ninguém vai sacanear o Botafogo aqui dentro não. Isso é uma sacanagem o que fazem com o Botafogo...”

O STJD ficou em dúvida se a sacanagem do árbitro era gracejo, deslealdade ou devassidão.

Sacanagem que pode significar até um inocente acepipe de salsicha.

Coisa inofensiva.

Muita gente enxergou corporativismo na votação do STJD.

Quanta infâmia!

Fosse qualquer outro presidente de clube brasileiro, a sentença seria a mesma.

Tanto faz se Ipatinga, Valeriodoce ou Campinense.

Pela jurisdição em vigor: "Invade, mas não mata!"

Quanto a Bebeto, uma reflexão familiar:

Seu tio João Saldanha reclamava e ganhava títulos.


Já seu primo Heleno de Freitas...



12 de nov. de 2008




O STJD absolveu o Sr. Bebeto de Freitas.

Bebeto de Freitas que insultou o árbitro da partida Botafogo x São Paulo.

Bebeto de Freitas que invadiu o campo no melhor estilo Bat Masterson.

Bebeto de Freitas que esqueceu o que significa ser um esportista.

Procurei algo pra escrever e não encontrei.

Tive que me refugiar no passado.

Busquei refúgio nas palavras de Rui Barbosa.

Rui Barbosa, por duas vezes candidato à presidência deste país.

Duas vezes derrotado.

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."

(Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)


4 de ago. de 2008




Caros amigos,

Ainda não havia tomado conhecimento do fato.

O texto 'O Typhis Pernambucano' de minha autoria, sobre os lamentáveis eventos durante o jogo Náutico e Botafogo, foi apresentado na Câmara dos Deputados em Brasília pelo Deputado José Chaves no dia 10 de junho de 2008.

Foi solicitado em discurso que o texto fosse inserido nos anais da Casa.

O discurso e o texto estão logo abaixo.

Fico sinceramente emocionado com o gesto. Por mim e pelo meu querido estado de Pernambuco.

Só posso agradecer a honra.

Muito obrigado,

Roberto Vieira


O SR. JOSÉ CHAVES (PTB-PE. Pronuncia o seguinte discurso.) -

"Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, no último dia 1º de junho, por ocasião da partida entre o Clube Náutico Capibaribe e o Botafogo de Futebol e Regatas, o futebol brasileiro enfraqueceu-se, ficou mais pobre, diante dos nossos olhos de esportistas e de nordestinos.

Sem motivo algum, com uma fúria nunca antes vista em jogos oficiais - a partida era válida pelo Campeonato Brasileiro de 2008 -, o atleta André Luís, da equipe do Rio de Janeiro, deu provas públicas de insensatez, violência, desequilíbrio e de antiprofissionalismo, não merecedor, portanto, de envergar a camisa gloriosa do clube da estrela solitária.

Excluído do jogo, por falta desclassificante, fez gestos obscenos para os cerca de 15 mil espectadores e outros milhares que assistiam a peleja pela televisão, rebelou-se contra as leis do jogo, praticou atos incompatíveis com um atleta profissional, além de chutar garrafas e indispor-se com oficiais da Polícia Militar de Pernambuco.

Para surpresa de todo o meu Estado e, creio, de uma parte expressiva da opinião pública do resto do País, o Estádio dos Aflitos foi interditado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva - STJD, cujo fundamento-base foi o de o campo do Náutico apresentar-se "muito ruim e cheio de buracos", como se isso fosse novidade no Brasil.

Se o campo do Náutico tem esse julgamento do STJD, por que, então, foi liberado para jogos oficiais?

É estranho que o STJD somente assim se pronuncie depois de um incidente que coube, integralmente, ao atleta André Luís.

Sr. Presidente, ao tempo em que me solidarizo com o Clube Náutico Capibaribe, instituição que acaba de comemorar 107 anos de fundação, lavro o meu protesto contra a insensatez, o regionalismo e o preconceito desferidos contra Pernambuco, e lamento que idéias dessa natureza ainda persistam num País 5 vezes campeão do mundo.

Entendo que é inquestionável que as autoridades esportivas, sejam do STJD ou da CPF, adotem as medidas que se façam necessárias para manter a ordem e a segurança dos estádios, no restrito cumprimento do Estatuto do Torcedor.

No caso da interdição dos Aflitos, comete-se uma irreparável injustiça, porque denigre as tradições do Clube Náutico Capibaribe, que nenhuma culpa teve naqueles acontecimentos, ressuscitando velhas e vergonhosas práticas esportivas de um país caolho: para o Sul e Sudeste, um olho está fechado, enquanto, para o Nordeste, o outro olho está sempre bem aberto.

Protesto ainda mais, Sras. e Srs. Deputados, porque isso caracteriza atraso, amadorismo, herança de uns tempos em que se jogava com bola de pito, goleiro usava joelheiras e as traves e balizas dos campos eram de madeira.

Nesses dias, muitas asneiras foram ditas e escritas sobre os incidentes, sobretudo por quem tem a responsabilidade "do bem informar".

Mas, no meio desse cenário de injustiças e ataques gratuitos a Pernambuco, quero solicitar a V.Exa., Sr. Presidente, que autorize a inserção nos Anais desta Casa, do artigo Typhis Pernambucano, de autoria do médico Roberto Vieira, publicado do Jornal do Commercio, do Recife, no dia 4 de junho último.

O Typhis Pernambucano foi um jornal editado por Frei Caneca, entre 1823 e 1824, no auge da formação da Confederação do Equador, convertendo-se num valioso instrumento das lutas do maior líder da Revolução Pernambucana de 1817.

Typhis é uma referência a Tiphis, o inventor da navegação, e ao piloto do Argos, navio construído para a conquista do velocino de ouro - um carneiro na mitologia grega.

Simbolicamente, o autor do artigo, um bom navegador, clama por respeito às tradições de Pernambuco, cuja história é paradigma da nacionalidade, contesta as iniqüidades contra Pernambuco, nesse infeliz e triste episódio.

Eis, Sr. Presidente, o texto do brilhante artigo do médico Roberto Vieira:


O Typhis Pernambucano

De repente, Pernambuco se tornou a Argentina dos anos 60. Vanderley Luxemburgo diz que tem medo de jogar em Recife. Abel Braga exclama sobre a nossa prostituição. O presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, deseja retirar os jogos do nosso Estado. Rubens Lopes que assistiu ao conflito no jogo "Náutico x Botafogo" ali perto. Na Austrália.

Tudo curiosamente depois das derrotas dos seus clubes. Tudo no dia 1º de junho. Dia em que se completam 184 anos da Confederação do Equador.

O futebol brasileiro foi tomado por uma aura de santidade nunca vista. Jamais houve quebra pau entre Polícia Militar e torcida em Porto Alegre. Na Batalha dos Aflitos os jogadores do Grêmio não chutaram o árbitro. A PM de São Paulo não evitou um desastre no jogo Corinthians e River Plate, quando os torcedores ameaçaram invadir o campo.

São Januário não presenciou cenas dantescas na partida Vasco x Sport. O Maracanã nunca foi invadido. Nunca teve mortos na quebra de grades de proteção. Nunca antes na história desse país um estádio assistiu a confusões entre jogadores e polícia.

O Brasil não tem prostitutas. O Brasil não tem marginais. O Brasil não tem violência. O Brasil não tem desigualdade social. O Brasil é um oásis de felicidade e desenvolvimento na América Latina. Exceto por uma chaga. Exceto por uma ovelha negra. Exceto por uma pústula: o Estado de Pernambuco.

O resto do Brasil esqueceu. Pois a amnésia é abundante nesta terra que tudo dá. Mas Pernambuco não se rende. Nunca se rendeu. Nem em 1817. Nem em 1824. Nem hoje. As manobras que tecem nos bastidores do futebol brasileiro são mesquinhas. São injustas. São fratricidas.

O Estado de Pernambuco é muito maior que as calúnias de Vanderley Luxemburgo, Abel Braga, Bebeto de Freitas e Rubens Lopes. Muito maior que um jogo de futebol. Pernambuco é mais que um Estado. É um sentimento. Uma saudade. E o nosso amor por Pernambuco não está à venda. Não tem preço.

Mesmo nesse tempo de trevas esportivas. Tempos em que cabe recordar os versos de Camões que constavam do jornal Typhis Pernambucano, editado por Frei Caneca: 'Uma nuvem que os ares escuros sobre nossas cabeças aparece'."

Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente, Sras, e Srs, Deputados.

24 de jul. de 2008




O STJD ameaça punir o Náutico novamente.

Por infringir a regra 3 do futebol.

Sistematicamente.

Antes, um preâmbulo pra chegar aos fatos.

Nada como o tempo, meus amigos. O tempo para colocar todas as coisas em seus devidos lugares.

Nem o Náutico é um timaço, nem é um timinho.

A rodada foi pródiga em nos provar a fragilidade das equipes no Brasileiro.

O Timbu não é um Grêmio no momento. Grêmio que logo logo volta ao normal.

Deixa que o Celso Roth controla a ânsia ofensiva da equipe.

O Náutico está no mesmo patamar da grande maioria das equipes da Série A.

Nem mais nem menos.

Tem um goleiro instável: Eduardo. Mas que pega muita bola, sim senhor!

Contratou dois ótimos laterais direitos: Maurinho e Ruy. Talvez os melhores do campeonato.

Tem uma zaga honesta: Vagner e Everaldo. Quando eu digo honesta eu penso em restaurante. Daqueles em que não se prova culinária francesa, mas sempre tem um bom feijão com arroz.

A lateral esquerda é uma avenida. Mas avenida a gente fecha com um médio volante. Piauí pode melhorar com os treinamentos.

Ticão é um carrapato. Mas carrapato que não joga na lateral, seu Pintado!

Deixa o carrapato no lugar dele.

E o Alceu e o Radamés pra correr suas limitações.

Helton e Paulo Santos podem fazer dupla com Geraldo recuperado.

O que não é um meio-campo dos sonhos, também não faz vergonha se motivado.

E o ataque com Gilmar e Felipe/Wellington é o ponto forte.

Não tem o que inventar. Makelele seria uma boa contratação. Ruy pode reforçar o meio-campo. E vamos pra cima deles.

Nunca será time dos nossos sonhos. E daí?

Porque ainda existe um outro jogador. O craque do time.

Quem?

A gente, ora bolas!

A torcida!

O décimo-segundo jogador do Clube Náutico Capibaribe não calça chuteiras, mas já marcou mil gols.

Não desiste nunca.

Acredita sempre!

E o que é melhor:

Não exige luvas, não pede rescisão de contrato, não bota o clube na justiça e morre com o time se for preciso.

O Náutico nunca cumpriu a regra número 3 do futebol.

Sempre jogou com DOZE!


20 de jun. de 2008




A justiça desportiva brasileira não é cega. Nem surda.

Nem muda. Continua a mesma para os seus amigos.

O Corinthians conseguiu no STJD, efeito suspensivo a perda do seu mando de campo devido a invasão de um torcedor na partida contra o Botafogo pela Copa do Brasil.

O Corinthians perderia dois mandos de campo.

O advogado João Zanforlin impetrou recurso que foi aceito pelo vice-presidente do STJD, Virgílio Augusto da Costa Val.

O clube paulista aguarda um novo julgamento no próximo mês, que resolverá definitivamente o caso.

Resta salientar que a decisão anterior foi uma goleada contra o alvinegro do parque São Jorge. Um sonoro 4 x 0 no tribunal do STJD.

Tudo no artigo 213: Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens em sua praça de desporto.

João Zanforlin é uma nova águia de Haia?

Ivan Rocha, advogado do Náutico, não?

Não, meus senhores. A explicação é outra!

A verdade é que a a justiça desportiva brasileira não é cega. Nem surda.

Nem muda. Continua a mesma.


18 de jun. de 2008



Por ROBERTO VIEIRA

Um jogador é expulso de campo. Logo após a expulsão, chuta uma garrafa na direção da torcida. Não satisfeito, faz gestos obscenos para a torcida e sai de campo numa guerra monumental com a polícia militar.

No julgamento do STJD, o atleta é suspenso por doze partidas. A torcida que foi agredida e xingada pelo atleta assiste seu estádio sendo interditado por causa do.. gramado. Uma polêmica sobre a atitude do jogador e a reação da polícia militar se estabelece no país. O clube mandante é obrigado a jogar fora de casa.

Por tempo indeterminado, já que o STJD trabalha em slow motion no caso.

Quando a gente imagina que já viu de tudo, surpresa!

Os cariocas decidem ficar quites com os pernambucanos. Pernambucanos que homenagearam a sua Polícia Militar no episódio.

Como?

Homenageando o zagueiro André Luís com a convocação para a seleção carioca que enfrenta os pré-olímpicos. Amistoso que será disputado, ironicamente, no Estádio da Cidadania em Volta Redonda.

Talvez para o técnico carioca Alfredo Sampaio a convocação seja um fato banal. Ele diz que convocou os jogadores que conhecia e confiava. Direito dele. Porém, numa visão mais ampla e política, o país é que continua o mesmo.

A violência é premiada com o tapinha nas costas. O desprezo pelo público é recompensado com a gorjeta da convocação extraordinária.

Tudo como dantes no quartel do Abrantes.

Mas não vá um jogador do Náutico no jogo de volta no Rio atirar garrafas nas arquibancadas do Engenhão. Que um jogador do Náutico não ouse presentear a massa carioca com gestos pornográficos. Que ele não se digladie com a polícia militar do estado do Rio de Janeiro.

Pois nesse caso ele não terá as benesses do silêncio cúmplice. E muito menos será homenageado com a convocação para a seleção carioca que enfrenta os pré-olímpicos.

Ele será conduzido em camburão pelas ruas da Cidade Maravilhosa. Com paletó xadrez e algemas.

Para delírio das gerais.

Enfim, quites!





O Náutico viveu um dia de Maxwell Smart.

O engenheiro Antonio Miranda foi enviado pela KAOS, digo pelo STJD, para fazer a vistoria dos Aflitos.

Falou que tá tudo OK.

O que a gente já sabia.

Pois bem. O CONTROLE alvirrubro negou toda a semana a visita.

Negou no dia de hoje.

E se não fosse o João Caixeiro confirmando a notícia na FPF, o Náutico continuaria negando.

Será que os dirigentes alvirrubros estão curtindo jogar no Arruda?

Ou será tudo mais um capítulo do Agente 86?

A torcida continua com nariz de palhaço. Preventivamente...


17 de jun. de 2008



Carlito Rocha e Biriba

Passeando no tempo, concluí nas páginas do futebol pelo óbvio:

O Botafogo também ama!

O Botafogo que ataca acintosamente a nossa casa. O Botafogo que se sentiu ultrajado pelo tratamento conferido nos Aflitos.

Esse Botafogo de Carlito Rocha também ama!

Há 30 anos os botafoguenses perderam o seu campo.

E se lançaram no ato de fé da manutenção da antiga sede.

Pois o Botafogo também ama!

O Botafoguense Paulo Ramos afirmava, romântico:

"A demolição da sede é inaceitável, tal o valor sentimental que ela tem para nós!"

O Botafogo também ama, meus senhores.

Pois as mesmas palavras usam os alvirrubros quando se fala da simplicidade dos Aflitos.

Porque o Náutico também ama. Escancaradamente. De joelhos postos.

Ama tanto o seu campo de futebol que se recusa a dobrar-se ante o poder e a glória.

Em 1977, a luta do Botafogo era contra a Vale do Rio Doce.

Empresa que desejava destruir a sede alvinegra.

Em 2008, a luta do Náutico é contra o Botafogo e o STJD.

STJD que nunca amou, nem sabe o que é amar alguém. Só sabe onde se localiza o próprio interesse político.

Mas o Botafogo, este Botafogo que já foi de Garrincha e Quarentinha.

Este Botafogo também ama!


14 de jun. de 2008




POR ROBERTO VIEIRA

O Clube Náutico Capibaribe irá enfrentar neste sábado o Vasco da Gama.

Em outros tempos, o torcedor alvirrubro desembarcaria na simplicidade dos Aflitos. Um encontro de amor, principalmente na semana dos namorados. O vento e o STJD levaram nossa Scarlett embora. Scarlett que incomodava muito sulista, ao contrário da Scarlett de Hollywood que nasceu no Sul dos EUA. Porque nos EUA, o sul era agrário. E o Norte, industrial e potencial. Coisas de uma geografia de ponta cabeça que não interessa ao caso.

O Náutico irá jogar no antigo campo dos Tabajaras. Assim era denominado o Estádio José do Rego Maciel na antiguidade clássica. Tabajaras que eram uma das 3 tribos do ramo tupi que habitavam o Pernambuco Imortal. Tabajaras que era uma agremiação dos nossos primórdios esportivos.

Minhas lembranças do glorioso estádio tricolor se misturam.

Lembro meu pai. Chegando tarde em casa e ainda assim me levando pela mão para assistir os jogos de futebol. Foi lá que assisti meu primeiro jogo: Santa Cruz 1 x 0 Santos de Pelé. Gol de Luciano. Num distante 6 de dezembro de 1970.

Pelé não jogou nada, meus amigos.

Quatro anos antes, no dia 22 de maio de 1966, o Náutico jogara o primeiro jogo oficial pelo Pernambucano no Arruda: Náutico 1 x 0 Santa Cruz.

1966, Náutico vence no Arruda

Depois, em 1972, o Náutico foi campeão do Torneio Eraldo Gueiros vencendo o Santa Cruz no Arruda por 3 x 1. Uma exibição irretocável de Elói. Um tiro de misericórdia de Paraguaio.

Náutico que dias antes havia vencido o primeiro clássico oficial no rejuvenescido Mundão do Arruda.

Em 1974 ganhou por 3 x 1 na última partida do segundo turno. E lá também venceu a primeira partida da melhor de duas. Pra fechar o caixão coral nos Aflitos. No último título que assistiu os Aflitos.

1974, no horóscopo Timbu é ano de Lima!

Lima reina nos Aflitos, 1974

Porque depois, depois só deu Mundão do Arruda. Mundão do Arruda que tinha na sua construção, o melhor gramado do Brasil.

E no Arruda o Náutico viveu seis grandes alegrias, duas infinitas tristezas de que o futebol é mestre e um delírio franquista da CBF em 2006.

As alegrias foram os títulos inesquecíveis de 1984, 85, 89, 01,02 e 04.

Este último em 2004 com um retumbante 3 x 0 sobre o Santa Cruz.

As tristezas, como dói lembrar, foram a derrota nos penais em 1983 e a virada sofrida de 1993 com um vôo espetacular e desnecessário de Parreira.

Celso vibra em 1993

Batamos três vezes na madeira!

O delírio franquista foi o jogo contra o Brasiliense de portões fechados em 2006. Jogo que vencemos de virada por 3 x 2. Jogo que marcou o início da subida definitiva para a Série A do Brasileirão. Delírio, pelas imagens do gigante adormecido com 22 jogadores peleando na noite de sábado recifense. Franquista, pois é o adjetivo mais educado que encontro para descrever as manobras do Tribunal da Corte Portuguesa na Guanabara. O STJD.

Portanto, hoje eu me sentirei na casa de um adversário, porém um adversário que me enche de lembranças. Algumas boas, outras nem tanto. Porém, lembranças.

Lembranças do meu pai que já se foi.

Lembranças do menino que eu um dia fui.

Lembranças de vitórias e derrotas.

Porque é de lembranças de que é feita a vida.

Da lágrima.

E do sorriso.

Como o futebol!

Hoje, meus amigos.

Quem for alvirrubro que me siga para o Arruda, sob sol ou sob dilúvio, para o antigo campo do Tabajaras, com a bola e as lembranças!


12 de jun. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Ontem teve jogo importante no STJD. Ontem foi noite de Náutico x Botafogo. Uma partida com platéia cheia. Um clássico que deveria ser das emoções. Para gáudio dos pinóquios da seara esportiva foi um jogo de cartas marcadas. Conversa de cá, inventa de lá, aumenta acolá e, no apito final, pena de doze partidas ao zagueiro André Luís do Botafogo. Pena de cento e vinte dias para o árbitro Wilson Luís Seneme. Castigo ao Clube Náutico Capibaribe.

"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra,

O resultado da peleja deixou muito alvirrubro cego de raiva. Apoplético. Pois alguns dos nossos representantes assistiram calados ao resultado como que afirmando: Cabrito bom não berra!

Uma das pessoas que falou a verdade foi o Sr. Luís Gonzaga, o torcedor que negou ter sido atingido pela garrafa. Era um não-pinóquio no recinto. Um inocente. Quebrou seus multifocais numa cotovelada de outro torcedor que se defendia da garrafada do tresloucado defensor da estrela solitária. O que não é a mesma coisa, mas é igual. Contou sua verdade. E foi embora dando tchauzinho para as câmeras. Um beato no martelo das bruxas.

de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,

Lembrei do saudoso Rui Barbosa, baiano que jogava nas onze. Quis governar o Brasil, era sábio, honesto mas... íntegro. Nunca foi campeão brasileiro nas eleições que disputou. O que lhe sobrava de cultura, faltava de colégio... eleitoral. Mesmo assim, Rui costumava dizer que a justiça pode irritar-se porque é precária. Mas a verdade não se impacienta pois é eterna.

Desejar justiça e verdade nas quatro linhas do futebol brasileiro é utopia, amigo torcedor! Loucura digna de camisa de força.

Rui já compreendia tal fato na política. E tal fato lhe provocava desprezo e horror. Tanto horror que esperneava sempre, em frases históricas, em ataques cruéis aos que se escondiam sob o manto de dignidade perpetrando ataques ao bem comum.

o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."**

A justiça e a verdade nunca andam de mãos dadas nos tribunais. Nem no Rio de Janeiro, nem em Recife. Não se enganem. A justiça julga quem possui o melhor advogado. O Botafogo puxa o tapete do Náutico. O Náutico puxa o tapete do Íbis. O Íbis puxa o tapete do Veneza. Ad lib.

Mas isso não significa que a nossa língua se curve. Perdemos dois mandos de campo, enfrentaremos o Vasco no Arruda e ainda vamos pagar quarenta mil dinheiros para os cofres da CBF.

Mas eu afirmo baseado no imortal Rui Barbosa.

Eu afirmo que Timbu bom de verdade, berra!

E muito!

Nem que seja como torcedor apaixonado, a plenos pulmões, nas arquibancadas do exílio!

** Rui Barbosa em discurso ao Senado Federal


11 de jun. de 2008




Artigo publicado nesta quarta-feira no Estadão mostra que os métodos da polícia pernambucana estão sendo amplamente utilizados. Pela polícia européia na Eurocopa. Com um única diferença:

A UEFA solicitou aos meios de comunicação uma discreta censura nas imagens da violência.

No jogo entre a Alemanha e a Polônia o pau comeu entre as torcidas. Talvez estimuladas pelas centenárias disputas entre os povos. Como resultado, 200 pessoas foram presas após a partida.

Na partida entre croatas e austríacos, outra vez a tensão pretérita explodiu. Mais uma vez o pau comeu. E a polícia atuou com vigor para inibir os torcedores.

Quem imagina que o vigor foi recoberto de salamaleques, surpresa! Os métodos foram ríspidos, duros e inclementes. Como os métodos pernambucanos. Houve imobilização, gás pimenta e algemas. Por sinal, esgotou-se o estoque de algemas e pimenta da Áustria e da Suiça.

Talvez porque a Europa ainda seja um continente atrasado. Uma terra responsável por dois conflitos mundiais. Muito distante da civilização defendida pelo STJD e pelo Botafogo.

Ou quem sabe, na Europa, baderneiro é baderneiro, e não uma questão de semântica.

Portanto, pernambucanos, quando perguntarem a vocês sobre coronéis e jagunços, respondam que Pernambuco lembra muito Genebra. Ou quem sabe, Salzburg!


5 de jun. de 2008



Seria cômico, se trágico não fosse.

A interdição dos Aflitos devido ao estado do gramado.

Gramado que é o melhor de Recife.

Balzac estava errado no título de sua obra-prima.

A humanidade nada tem de divina.

Ela é infernal. Faz uma pessoa séria descrer dos fundamentos da razão e da lei.

Descrer da força dos argumentos, dos fatos, das imagens.

A verdade torna-se uma filigrana jurídica, e aí!

Ai de quem não tiver um bom advogado.

Mas o poder e a força do dinheiro e das armas singra os mares absoluto.

Ri dos que cingem a batalha do racional.

Ignoram solenemente a sordidez dos seus designios.

Zombam dos meros mortais que acreditam na palavra.

Eu detesto a violência.

Não consigo entender as brigas pelos gramados da vida.

Gramados que deviam trazer alegria e emoção, e muitas vezes trazem morte.

Aqui vão imagens do Maracanã no dia 26.7.2006 quando a polícia e a torcida do Flamengo quase se matam de tanta pancada.

Imagens de um policial jogando o cavalo sobre uma torcedora do Coritiba após um jogo contra o Marília.

Imagens de selvageria no Estádio Vicente Calderon na Espanha, em um jogo do Atlético de Madrid.

Imagens muito mais selvagens que as imagens de domingo nos Aflitos.

Mas, apesar da infernal comédia humana que ora presenciamos, existe o verbo.

E o verbo vai se repetir em todos os dias contra o absurdo que fazem com o Clube Náutico Capibaribe.

Pois, uma verdade também pode se tornar verdade quando repetida mil vezes.

E o Náutico e sua torcida repetirão essas verdade mil vezes se necessário for.

O que estão fazendo com o clube de Rosa e Silva tem nome:

Se chama CRIME!

E onde quer que o Náutico jogue, em sua camisa deverá vir grafada a palavra VERGONHA.

Mas o Náutico não se renderá ao Clube dos 13, ao presidente do Botafogo, a quem quer que seja.

Porque alguém pode exilar uma paixão.

Mas vence-la, jamais!

Marquem os jogos do Náutico onde quiserem.

A torcida alvirrubra irá lotar os estádios.

A emenda de vocês, meus senhores de terno e gravata, a emenda sairá pior que o soneto.






Por ROBERTO VIEIRA

Era uma vez um tigre que habitava a selva de Sumatra.

Toda a ilha pertencia aos gloriosos treze tigres de Sumatra, uma organização que visava a preservação dos tigres e a manutenção da ordem e do progresso.

Ordem e progresso dos tigres, é claro.

Porém, na ilha de Sumatra também viviam outros animais. Orangotangos, elefantes, rinocerontes e antas.

Além de um pequeno marsupial, o timbu.

Um dia nosso pequeno timbu passeava pela ilha quando se deteve numa plantação de batata-doce.

Como estava faminto não se fez de rogado e comeu as batatas. Quando estava quase no final do jantar, um barulho o deixou paralisado: Era Andrey, um dos treze tigres de Sumatra.

- Bom dia, senhor Timbu! Vejo que matastes tua fome.

O timbu deu um passo atrás e sorrindo respondeu:

- Nem tanto, senhor Tigre! Mas acho que já foi o suficiente, vou embora!

O tigre se coloca na frente do timbu e grita nervoso:

- Pare onde está Timbu! Quem manda nessa ilha sou eu e meus irmãos. E hoje eu ia comer batata doce no jantar.

O timbu tem vontade de dar uma gaitada, mas a situação é tudo menos engraçada:

- Ora, Majestade! E desde quando tigre come batata doce?

- Desde hoje, Timbu! Desde quando eu queira! Alguma objeção?

- Longe de mim, estrela solitária, longe de mim! Mas acontece que as batatas eu as comi todas!

O tigre se faz de irado. Convoca os seus irmãos para um julgamento. O timbu tem de reparar o seu erro. Em pouco tempo o tribunal se reune. Os 13 tigres confabulam sobre o caso. Um timbu ousou desafiar os grandes felinos.

Em sua defesa o pequeno marsupial explica seus motivos, mostra a necessidade de democracia na ilha, invoca a lei, a constituição aprovada por toda a fauna local, os artigos e parágrafos que garantem sua liberdade.

Logo sai o veredito do Supremo Tribunal de Justiça dos Tigres (STJT). Baseado no único artigo da antiga e famosa Lei da Selva.

Puna-se o Timbu exemplarmente! Os tigres tem direito a comer toda a batata doce da ilha. Revoguem-se todas as disposições em contrário. Além do mais esse timbu não cuida direito da grama do seu jardim!

E como a batata doce já era, a solução foi devorar o timbu!


3 de jun. de 2008




Intervalo do jogo Náutico x Botafogo.

E o excelentíssimo Sr. Paulo Schmitt, procurador-geral do STJD já dava sua sentença sobre os Aflitos:

Artigo 211 (deixar de manter o local com infra-estrutura necessária à garantia e segurança para a realização do evento)

Artigo 213 (deixar de tomar providências capazes de reprimir ou prevenir desordens)

Artigo 206 (atraso de início de jogo) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD)

Perda de um a dez mandos de campo.

Aflitos interditado.

Multa de até R$ 214 mil.

Hoje o mérito será julgado em regime urgentíssimo por Rubens Approbato Machado, presidente do tribunal.

Tudo para acalmar a sanha dos que desejam destruir a instituição e a torcida alvirrubra.

Paulo Schmitt não precisou de câmeras. Apenas seu olhar para julgar e condenar.

Querem nos empurrar para a Série B, para a Série C, para os quintos dos infernos de Dante.

Querem...

Pois se neste caso existe diferença entre intenção e gesto, tal distancia existe no próprio campo de jogo.

Mesmo sob o peso do jugo do poder econômico.

Mesmo sob o julgamento com dois pesos e mil medidas.

Mesmo estando longe demais das capitais.

O Náutico continuará lutando nas quatro linhas com todas as suas forças.

Porém, pede-se, exige-se, ordena-se apenas uma coisa.

Que aqueles que são pernambucanos não se calem ante a calúnia, ante a perfídia.

Hoje nos tomam o mando de campo.

Amanhã, os pontos como deseja Bebeto de Freitas.

No final quem sabe decidam implodir os Aflitos, o Náutico, a torcida.

Para que nesta terra nada cresça.

E tudo volte ao de antes no reino de Abrantes...