14 de jun. de 2008




POR ROBERTO VIEIRA

O Clube Náutico Capibaribe irá enfrentar neste sábado o Vasco da Gama.

Em outros tempos, o torcedor alvirrubro desembarcaria na simplicidade dos Aflitos. Um encontro de amor, principalmente na semana dos namorados. O vento e o STJD levaram nossa Scarlett embora. Scarlett que incomodava muito sulista, ao contrário da Scarlett de Hollywood que nasceu no Sul dos EUA. Porque nos EUA, o sul era agrário. E o Norte, industrial e potencial. Coisas de uma geografia de ponta cabeça que não interessa ao caso.

O Náutico irá jogar no antigo campo dos Tabajaras. Assim era denominado o Estádio José do Rego Maciel na antiguidade clássica. Tabajaras que eram uma das 3 tribos do ramo tupi que habitavam o Pernambuco Imortal. Tabajaras que era uma agremiação dos nossos primórdios esportivos.

Minhas lembranças do glorioso estádio tricolor se misturam.

Lembro meu pai. Chegando tarde em casa e ainda assim me levando pela mão para assistir os jogos de futebol. Foi lá que assisti meu primeiro jogo: Santa Cruz 1 x 0 Santos de Pelé. Gol de Luciano. Num distante 6 de dezembro de 1970.

Pelé não jogou nada, meus amigos.

Quatro anos antes, no dia 22 de maio de 1966, o Náutico jogara o primeiro jogo oficial pelo Pernambucano no Arruda: Náutico 1 x 0 Santa Cruz.

1966, Náutico vence no Arruda

Depois, em 1972, o Náutico foi campeão do Torneio Eraldo Gueiros vencendo o Santa Cruz no Arruda por 3 x 1. Uma exibição irretocável de Elói. Um tiro de misericórdia de Paraguaio.

Náutico que dias antes havia vencido o primeiro clássico oficial no rejuvenescido Mundão do Arruda.

Em 1974 ganhou por 3 x 1 na última partida do segundo turno. E lá também venceu a primeira partida da melhor de duas. Pra fechar o caixão coral nos Aflitos. No último título que assistiu os Aflitos.

1974, no horóscopo Timbu é ano de Lima!

Lima reina nos Aflitos, 1974

Porque depois, depois só deu Mundão do Arruda. Mundão do Arruda que tinha na sua construção, o melhor gramado do Brasil.

E no Arruda o Náutico viveu seis grandes alegrias, duas infinitas tristezas de que o futebol é mestre e um delírio franquista da CBF em 2006.

As alegrias foram os títulos inesquecíveis de 1984, 85, 89, 01,02 e 04.

Este último em 2004 com um retumbante 3 x 0 sobre o Santa Cruz.

As tristezas, como dói lembrar, foram a derrota nos penais em 1983 e a virada sofrida de 1993 com um vôo espetacular e desnecessário de Parreira.

Celso vibra em 1993

Batamos três vezes na madeira!

O delírio franquista foi o jogo contra o Brasiliense de portões fechados em 2006. Jogo que vencemos de virada por 3 x 2. Jogo que marcou o início da subida definitiva para a Série A do Brasileirão. Delírio, pelas imagens do gigante adormecido com 22 jogadores peleando na noite de sábado recifense. Franquista, pois é o adjetivo mais educado que encontro para descrever as manobras do Tribunal da Corte Portuguesa na Guanabara. O STJD.

Portanto, hoje eu me sentirei na casa de um adversário, porém um adversário que me enche de lembranças. Algumas boas, outras nem tanto. Porém, lembranças.

Lembranças do meu pai que já se foi.

Lembranças do menino que eu um dia fui.

Lembranças de vitórias e derrotas.

Porque é de lembranças de que é feita a vida.

Da lágrima.

E do sorriso.

Como o futebol!

Hoje, meus amigos.

Quem for alvirrubro que me siga para o Arruda, sob sol ou sob dilúvio, para o antigo campo do Tabajaras, com a bola e as lembranças!



0 comentários:

Postar um comentário

Comentários