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8 de nov. de 2014




Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA




Num 13 de julho, um Fla-Flu, pela primeira vez no Nordeste, era disputado no Recife. Sem a menor dúvida, o maior acontecimento futebolístico da primeira metade do século passado em toda a região. O Fla-Flu era na época o maior clássico do futebol brasileiro. Nada que chegasse nem perto. Basta que se diga o seguinte: aqui em Pernambuco, o tradicionalíssimo Náutico x Sport, nosso maior clássico, por isso mesmo chamado de “Clássico dos Clássicos”, recebia da imprensa, nas manchetes das páginas esportivas, a honra e a distinção de ser chamado de “o Fla-Flu pernambucano”. Não era pouca coisa. Comum abrir a página de esportes dos nossos jornais e lá encontrar: “logo mais à noite, na Ilha do Retiro, o Fla-Flu pernambucano”. Isso durou até a primeira metade dos anos 50. Caruaru, no interior, seguia a mesma pisada. Em dia de Central x Comércio, o jogão da cidade, o jornal Vanguarda não dava por menos: “no Campo da Rua São Paulo, o Fla-Flu caruaruense”.


Para que o Fla-Flu acontecesse no Recife, foi bolada uma jogada inteligente: o Flamengo chegou na frente, uma semana antes, para dois amistosos, contra Sport e Santa Cruz. Era o aperitivo, abrindo a semana Fla-Flu. Realizado o Fla-Flu, foi a vez dos amistosos do time das Laranjeiras contra os mesmos Sport e Santa Cruz, na mesma ordem de jogos, tudo de acordo com o figurino.


Do livro “Histórias do Futebol em Pernambuco”, do saudoso Givanildo Alves, tiro os dados da ficha técnica dos cinco amistosos:


1) Flamengo 5 x 1 Sport. Data: domingo, 6 de julho de 1947. Gols de Pirilo (3), Zizinho e Jair, para os cariocas, e Amorim (2) para o Sport.


2) Flamengo 1 x 1 Santa Cruz. Data: quinta-feira, 10/7, jogo realizado à tarde, com o comércio funcionando normalmente, público ainda assim numeroso; gols de Eloi, para o Santa, e Zizinho, com a ajuda da mão, diz o cronista, estabelecendo o empate. O jogo ficou interrompido por 10 minutos, os tricolores ameaçaram até abandonar o gramado, não o fazendo em nome dos apelos dos promotores da festa, os dirigentes do Sport. Os erros de arbitragem em jogos contra times cariocas vêm de longe, nunca porém a nosso favor. Mas aí, dizem: o Flamengo, pelo que jogou, não precisava... É sempre assim.


3) Flamengo 1 x 1 Fluminense. Data: domingo, 13/7. Público numerosíssimo. Os portões da Ilha foram abertos às 9 horas. Logo depois de uma da tarde não cabia mais ninguém, todas as dependências do estádio estavam tomadas. Os portões foram então fechados por decisão das autoridades. Flamengo: Luís Borracha, Newton e Norival; Biguá, Bria e Jaime; Adílson, Tião (Perácio), Pirilo, Jair e Vevé; Fluminense: Robertinho, Gualter e Haroldo; Paschoal (Berascochéa), Telesca e Bigode; Pedro Amorim, Ademir, Simões, Orlando e Rodrigues. Gols de Simões e Perácio. Juiz: o pernambucano Argemiro Félix de Sena, o popular Sherlock.


4) Fluminense 2 x 1 Sport. Data: quinta-feira, 16/7. Gols de Berascochéa e Rodrigues. O Flu jogou sem seis titulares, poupados para o jogo de despedida, contra os corais.


5) Fluminense 6 x 3 Santa Cruz. Data: domingo, 20/7, um dia de show de Ademir, autor de quatro tentos. Os demais goleadores do Fluminense: Juvenal e Rodrigues; e Galego (2) e Laerte, de pênalti, para os tricolores pernambucanos.


O time-base do Sport na temporada: Manuelzinho; Chicão e Zago; Vavá, Alheiros e Arnaldo; Carmelo, Zildo, Amorim, Dega e Walfredo. O do Santa Cruz: Rubens; Salvador e Pedrinho; Laerte, Capuco e Rubinho; Guaberinha, Galego, Eloi, Pardi e Siduca.


Depois do Fla-Flu no Recife, quando também em terras pernambucanas, copiando o dizer de Nelson Rodrigues, “as multidões despertaram”, outras edições do famoso clássico carioca aconteceram pelo Brasil a fora. Dois anos depois, em 1949, dois jogos em seqüência, em Fortaleza (6/1/49), Fluminense 5 x 2; dois dias depois, em Salvador, o Flamengo dava o troco (5 x 0). Mas aí o Fla-Flu fora do Rio de Janeiro já não tinha mais graça. E até o Rio Grande, em Porto Alegre, no estádio do extinto Cruzeiro, teve o seu Fla-Flu. Aconteceu também em 1949, seis meses depois, a 5 de junho. Ao fim do espetáculo, empate em 1 x 1. Tudo em nome da cordialidade e do equilíbrio estatístico.


A título de ilustração, um pequeno texto de minha autoria, tirado de “Paixão e Fidelidade”, do capítulo no qual narro toda a saga do Fla-Flu jogado no Recife. Conta uma das inúmeras histórias envolvendo torcedores vindo do interior do Estado para ver o jogão de bola. Um jogo que não dava para perder:


Viagem feita com sacrifício, em cima da carroceria de um caminhão, que ônibus não existia fazendo a linha, e automóvel de aluguel naqueles idos era coisa rara em cidade pequena, que dirá numa vila. O sacrifício valia a pena. Afinal tratava-se de assistir ao Fla-Flu. Toda a rapaziada de Cachoeirinha, município de São Bento do Una, estava ali - os que podiam enfrentar os gastos com a passagem, com o ingresso do jogo, o almoço e o lanche da volta. Babá, um jovem endinheirado, doido por futebol, era um dos mais entusiasmados do grupo. Tinha se preparado a capricho. Não podia perder um jogo daquele, viciado que era em futebol.


Na véspera, uma ida a Caruaru, também na boléia de um caminhão, para a compra de um par de sapatos. O que tinha em uso não estava mais em condições de uma viagem à capital para acontecimento tão importante. Na arquibancada da Ilha, ao lado dos companheiros de viagem, depois de acomodado no meio da multidão - público recorde em jogo do Recife, tinha torcedor pendurado até nas mangueiras em torno do estádio -, e não mais suportando o aperto do sapato novo, tal qual o André do chorinho antológico, Babá resolveu aliviar a barra e os pés. Tirou os sapatos. Foi só o que bastou. Veio o gol do Flamengo, a vibração da torcida, o alvoroço tomando conta do estádio. Serenados os ânimos, cadê o par de sapatos, novinho, comprado ontem? O larápio - na época, pré-trombadinha, só existia larápio mesmo - tinha se aproveitado da ocasião e levado os sapatos de Babá, deixando-o apenas de meia e com cara de otário.


A cara de bobo não era para menos. Ter os sapatos surrupiados num campo de futebol... Mas não era tudo. Além de ter que agüentar a gozação dos companheiros na longa viagem de volta, o pior era ter que enfrentar, quando chegasse em casa, a bronca da mãe. Ouvir pela enésima vez, o que já era uma rotina: "estou rouca de dizer, Babá: futebol é mesmo para quem não tem nada pra fazer. Cansei de lhe avisar... Você não ouviu porque não quis".

2 de dez. de 2012







Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM



O bicampeonato, o primeiro da história do Náutico, conquistado no ano do cinquentenário do clube, enchia de júbilo e justo orgulho a família alvirrubra. Não era sonhar demais almejar o tri. O time bicampeão conservava a mesma base que fora utilizada no primeiro ano. Bastava agora tão-somente reforçar a equipe para fazer dela um forte esquadrão. O Náutico, quando foi dada a largada, estava pronto para o grande salto.

As contratações na pré-temporada foram efetuadas a capricho. Manuelzinho (ex-Sport, uma lenda do futebol pernambucano), Irani (ex-Bangu, vice-campeão carioca do ano anterior), Marcos (do florescente futebol do interior paulista), Ivson (revelação do Fluminense, artilheiro dos aspirantes no Rio) e Wilton (alagoano que fora um sucesso no América em temporada passada) vieram se juntar aos bicampeões Vicente, Caiçara, Lula, Ivanildo, Gilberto, Jaminho, Fernandinho, Djalma, Hélio Mota e Zeca. Por trás de toda essa gente, o bicampeão Palmeira (no início da carreira, bicampeão pelo Santa Cruz; seria na próxima década, outra vez bicampeão, pelo Sport). E acima de todos eles, como santo protetor, o incomparável padroeiro Eládio de Barros Carvalho, o dono do sonho de fazer do Náutico um time grande e respeitado.

Tudo muito bem pensado e planejado. Como um rolo compressor, o poderoso esquadrão alvirrubro, armado para a conquista do seu primeiro tricampeonato, foi derrubando um a um os adversários que iam surgindo à sua frente, até a última partida, contra o Sport, dia 29 de março do ano seguinte, na Ilha do Retiro.

Quando o carioca Carlos de Oliveira Monteiro, o mesmo da final do ano anterior, ordenou o início do jogo, despedida do campeonato, o Náutico estava assim perfilado: Vicente, Caiçara e Lula; Gilberto, Irani e Jaminho; Hélio Mota, Ivanildo, Ivson, Marcos e Wilton.

Notava-se a ausência de Manuelzinho, o goleiro titular. Vicente, que se encontrava a postos, jogara poucas vezes no correr do certame. Quiseram o destino e uma contusão de Manuelzinho que o grande Vicente estivesse presente na última partida – um prêmio às suas magníficas performance com a camisa alvirrubra em tantos anos.

O time foi muito pouco mexido pelo treinador. A zaga, Caiçara e Lula, bem como o capitão Ivanildo, disputaram todas as partidas. Poucos jogadores foram utilizados. Eloi e Alheiros, os únicos reservas da defesa que tiveram a oportunidade de jogar. No ataque, Djalma era a opção para substituir Ivanildo ou Ivson. Ivanildo, por seu lado, deixava vez ou outra a ponta-de-lança e era recuado para a linha-média, sempre que havia necessidade de substituir alguém nesse setor.

Uma novidade de ordem tática: no eixo da linha média a presença de Irani, um centro-médio sóbrio, jogando bem recuado. Isso permitia mais liberdade a Gilberto, agora mais solto como volante. Irani se posicionava entre os homens da última linha, entre o central Lula e o lateral-esquerdo Jaminho. A figura do quarto-zagueiro estava surgindo nos gramados brasileiros. Fernandinho, enquanto permitiu a saúde, atuava deslocado como ponta direita. No seu lugar, quando teve que se afastar de vez, passou a jogar o motorzinho Hélio Mota, um volkswagem em meio a possantes ferraris, a mais veloz comandada pelo piloto Ivson de Freitas. Zeca e Wilton se revezavam na extrema esquerda, e não havia perda de qualidade com a troca. Marcos completava a linha dianteira. No comando técnico, a figura carismática de Palmeira.

A vitória em cima do Sport foi o coroamento de uma estupenda campanha. O time rubro-negro já era carta fora do baralho. Uma eventual vitória do Sport interessava apenas ao Santa Cruz, porque lhe abria a perspectiva de ainda almejar o título do returno, provocando uma melhor de três. O Sport não passara do 4º lugar, ao lado do Auto-Sport, atrás do América, o vice, e do Santa. Para a torcida rubro-negra, o que valia mesmo era quebrar a invencibilidade alvirrubra. Afinal, o Sport já havia se laureado campeão invicto algumas vezes. O Náutico, nunca.

Mas o Náutico venceu o jogo da despedida. Desprezou, inclusive, a vantagem do  empate. Venceu bem, com sobra, um placar de bom tamanho: 2x0. Gols de Ivson e Marcos. Um aos 11 minutos de jogo, o outro no tempo complementar, aos 12.  O primeiro na barra do placar, o gol de Ivson, como sempre um chute rasteiro, queimando a grama e tirando tinta do poste lateral direito do gringo Peter, goleiro rubro-negro. Peter era de nacionalidade tcheca. O outro gol, o de Marcos, no lado onde fica a sede rubro-negra, como sempre um chute bem colocado, de fora da área. O compridão Marcos Gaiola, lento e de futebol cadenciado, não passava dalí. Seus chutes, certeiros, eram sempre deferidos de longe

E quando Carlos de Oliveira Monteiro, o popular Tijolo, mão erguida apontando para o centro, trilou o apito dando os trâmites por findos, o Náutico era outra vez, pelo terceiro ano consecutivo, campeão da cidade. Tricampeão. Igualzinho ao Sport e ao Santa Cruz. Também campeão invicto. Assim como já havia sido no passado o Sport e também o Santa Cruz. O Náutico não tinha mais que render homenagem a ninguém. Nem mesmo ao América, dono de seis campeonatos. O Clube Náutico Capibaribe, a partir de 1952, também contabilizava a seu favor seis títulos de campeão pernambucano. Graças a Eládio, o dono do sonho, a Palmeira e a seus destemidos comandados.  Os vencedores do histórico jogo de 29 de março de 1953.


1 de dez. de 2012







Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM



Na noite de 22 de janeiro de 1964, na segunda partida da série melhor de três para saber quem era o campeão de 1963, vitória do Náutico por 4x2, jogo realizado nos Aflitos, estava sendo escrito oficialmente, com firma reconhecida no cartório da federação, o início da mais fantástica história do futebol pernambucano. Era o começo da jornada do Hexa. Muito já se disse, já se falou e já se escreveu sobre aquele jogo e a grande conquista de 1968. Melhor então contar uma história fantástica, também verdadeira, que tem um dos principais personagens do jogo e do Hexa como herói. Seu nome: Ivan Brondi de Carvalho, o capitão da jornada dos seis anos. 

Na tarde daquele dia, na concentração do Náutico, na Rua Santo Elias no Espinheiro, na cidade do Recife, o jovem paulista Ivan Brondi, de São Cruz do Rio Pardo, nascido em outubro de 1941, 22 anos incompletos, longe da família, procurou o treinador Alfredo Gonzáles, a quem devia obediência e com quem se aconselhava, para um pedido especial. Estudante secundarista, tinha uma prova de segunda época para fazer às 7 da noite no Colégio Padre Félix, onde estudava, no bairro da Boa Vista, bem perto do centro da cidade. As obrigações como profissional de futebol não lhe permitiam uma melhor atenção aos estudos. Por isso, o exame de segunda época com o professor Palhano, conhecido por sua seriedade e cobrança no trato com seus alunos.

O treinador González, compreensivo e de sentimentos humanistas pouco comum entre os seus, atendeu o pedido. Tempos outros. Não consultou dirigentes, nem foi pedir autorização ao presidente. Assumiu a responsabilidade. Sabia o que estava fazendo. Que Ivan pegasse um taxi, fizesse a sua prova, mas não se descuidasse. Antes das nove estivesse de volta para a preleção. Ivan cumpriu à risca a programação. Fez a prova, saiu do Padre Félix de bem com a vida. Tinha acertado a maioria das questões. Pegou um taxi na Conde da Boa Vista e falou para o motorista: – “Campo do Náutico, nos Aflitos!” Não dava mais para passar pela concentração. O tempo corria.

O motorista fez o possível, mas o trânsito não ajudava. Na entrada da Avenida Rosa e Silva, em frente ao clube Português, um engarrafamento monstro, próprio dos dias de clássicos nos Aflitos. Ontem e hoje, a mesma coisa. O motorista foi honesto: – Moço, não dá mais. Se o senhor quer pegar o jogo do começo, o melhor é saltar e ir a pé!”

Ivan pagou a corrida e se mandou diretamente para o vestiário. Concentração, nem pensar. A turma já devia estar toda no estádio, no vestiário. Na seção de massagens, no bate-bola com a parede, na conversa solta para fazer passar o tempo, esquecer  o que vem pela frente.

O jogo logo mais. Armando Marques, o melhor daquele tempo, no apito. O mesmo da primeira partida, no domingo, três dias antes, na Ilha do Retiro. O Náutico tinha vencido por 3x2. No Aflitos, na noite da prova de Português de Ivan, era o favorito. Jogava em casa sob o calor de sua torcida e, na Ilha, três dias atrás, tinha dado provas. Era mais time. Nado, Bita, China (ou Nino, tanto faz), Ivan e Rinaldo. Como discutir?

E o jogo do dia 23 de janeiro de 1964, vitória do Náutico por 4x2? Os jornais da época dizem melhor:

Manchetes da página esportiva do Jornal do Commercio:  “Náutico, Campeão de Ouro de 63 em Melhor de Duas”. “Os golaços marcados por Rinaldo acabaram com o Sport”. “Ivan, o Maior do Jogo”. Última Hora: “Rinaldo fez dois e é carregado por mil!” “Esporte caiu de vez (4x2) nos Aflitos”. Assim mesmo, Esporte, e sem o sinal de interjeição. Não precisava!

Mas, no corpo da notícia, na primeira página, a Última Hora registrava: “A torcida do Náutico festejou, ontem à noite, a conquista do campeonato pernambucano de futebol da temporada de 1963, com um carnaval espetacular, animado com uma charanga uniformizada com as cores do ‘leão da Ilha’, desfilando pelo estádio dos Aflitos em ritmo de frevo, após a vitória justa e merecida diante do quadro do Esporte (sic), pela contagem de 4x2. Coube a Rinaldo (2), Nino e Bita golearem na vitória alvirrubra, enquanto Djalma e Fescina marcaram os tentos do quadro rubro-negro”.  Charanga com as cores rubro-negras?  Gozação da torcida timbu ou fair play que hoje não se vê mais?

O time do Náutico na noite de 23 de janeiro de 1964: Lula, Gernan e Zequinha; Salomão, Gílson Costa e Clóvis; Nado, Bita, Nino, Ivan e Rinaldo. Treinador: Alfredo González. Com registram os jornais, Rinaldo, artilheiro do campeonato, foi o dono da festa. Mas Ivan, o secundarista do Colégio Padre Félix, o “pequenino Ivan”, como anotou o editor de esportes do Jornal do Commercio, “foi a maior figura do clássico de ontem à noite”. E, complementando: “Nunca um craque correu tanto, e proporcionou tantos lançamentos certos para os seus companheiros, como Ivan na noite passada, se constituindo como a grande figura do quadro vitorioso.”

Assim se conta mais uma vitória do Náutico que entrava para a história. A conquista do primeiro título de um rosário de seis. Um fato inédito na história do futebol de nossa terra. 


28 de nov. de 2012





Não sabia e não esperava.

Mas foi uma honra inesperada e bela.

Estar na Galeria de Honra da FPF.

Ao lado de gigantes como Mestres Lucídio e Carlos Celso Cordeiro.

Na companhia de Mestres Lenivaldo Aragão, Edgar Mattos, Fernando Menezes.

Haroldo Praça, Givanildo Alves e Hélio Pinto, in memoriam.

Me deixou num estado assim de felicidade.

Muito próxima de um gol nas redes da vida.

Porém, gostaria de registrar eternamente.

Que sem o carinho e a luz de Mestre Lucídio, Carlos Celso e Edgar Mattos.

Sem a acolhida de todos que fazem este Blog.

Esse instante seria impossível.

- Mestre Edgar que foi embora antes das fotos.

A todos, meu muito e sincero obrigado!

Eu me contentaria em ser mascote desse time...




25 de nov. de 2012




Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM







E o Juiz Apitou
Eu tiro o domingo para descansar
Mas não descansei
Que louco eu fui
Regressei do futebol
Todo queimado de sol
O Flamengo perdeu
Pro Botafogo
Amanhã vou trabalhar
Meu patrão é Vascaíno
E de mim vai zombar
Foram noventa minutos
Que eu sofri como louco
Até ficar rouco
Nandinho passa a Zizinho
Zizinho serve a Pirilo
Que preparou pra chutar
Aí o juiz apitou
O tempo regulamentar
Que azar!


Tirei a manhã do domingo, enquanto aguardo a ida à tarde a Pituaçú, com passagens obrigatórias pelo Beira Rio e pela Ilha da Fantasia, para organizar as fotos do álbum de família. Deu nisso: o encontro com os Florêncios de Caruaru. São duas as fotos:

Na primeira, estou ao lado do estimado colega Heriberto, o oftalmogista Heriberto Florêncio, colega de turma da faculdade, a turma de 1956; e do amigo Binga, irmão mais velho de Heriberto, o mais velhos dos Florêncio. O primeiro, Heriberto, é cidadão vitalício e querido de Caruaru onde ainda hoje reside com a esposa Eneida, filhos, filhas, noras, genros, netos e incontáveis amigos. O outro, Binga, ídolo do time do Comércio dos anos 40, campeão da Liga em 1946. Dele disse uma vez, deixei escrito, que era melhor que Zizinho. Simplesmente porque o Tejo não corre em minha aldeia... Eu nunca tinha visto Zizinho na minha vida. E via Binga toda tarde de domingo na rua São Paulo, no campo do Central. Alberto Caieiro diria o mesmo. Na outra foto, estou na doce e ainda hoje prazerosa companhia de dois outros Florêncio, mais jovens que Heriberto e Binga. São eles Mário e Fernando. De Mário, também colega, hematologista com curso em Paris no tempo em que Salomão Couto, anos 60, se aperfeiçoava na Cidade Luz na profissão médica, e de quem conserva a amizade e guarda a fidelidade da imorredoura admiração, posso afirmar que é,  em mesa de bar, depois de Gardel, o melhor intérprete  de “O Dia em Mi Queiras”. É preciso ter visto Mário nos anos 70-80 , em pé em cima de uma cadeira, depois de dois ou três  uísques, não precisa mais, para saber do que estou falando. O outro na foto é Fernando, pouco mais velho que Mário, da minha geração de ginasiano em Caruaur, o artista plástico Fernando Florêncio. Fernando lançou há pouco em Caruaru, na tradicional Livraria Estudantil, seu magnífico “Figuras e Cores do Meu Tempo”. Belíssimo! Precisa ver para crer. Jogou no juvenil do Náutico no tempo de Cabelli. Dele disse eu um dia, que formava o melhor trio-atacante que jamais vi jogar: Fernando, Romildo e Rubinho. Era o trio-atacante do imbatível juvenil do Comércio, time que enchia de alegria minhas manhãs de domingo no idos de 46. De manhã, Fernando; á tarde, Binga. O que eu queria mais? Foi aí que aprendi a ver futebol. A admirar Ivson, Jorge, Baiano, Kuki, Bizu, Kieza.

24 de nov. de 2012




ADEMIR, O GRANDE "TRAIDOR"

Ademir Menezes, o terceiro agachado,atuou um tempo por cada equipe
Ouço dizer que Roberto Dinamite, Romário e Edmundo foram os maiores ídolos cruzmaltinos, nos últimos tempos, e que os três já jogaram contra a gente. Meu pai é fã de Ademir (Menezes), Vavá, Pinga, Sabará, Bellini e Orlando. Fala sempre deles, principalmente do Ademir, motivo pelo qual colocou este nome em um dos meus irmãos. Sendo assim, acho que o ídolo do meu pai não jogou contra o Vasco. Certo”? Almiro Mello, de Jaboatão dos Guararapes-PE.
Errado, Melão! 

Em 1946, Ademir Menezes fez um “passeiozinho” por fora da Colina, pelas Laranjeiras. Bem antes, rubro-negrava, com o Sport Recife, de onde o Vasco o tirou. Com ambas, encarou os vascaínos. Mas teve “traição” pior, como descobriu o pesquisador Lucídio José de Oliveira.Conta ele que, em 1954 (faltando dois anos para o final da carreira), Ademir disputou um amistoso, atuandou meio-tempo pelo Vasco e a outra metade pelo Tupã Futebol Clube, de uma cidade 530 km da capital paulista e que aniversariava. Mas tinha motivos para “trair”. A cidade fora fundada, em 1929, por um conterrâneo dele, o pernambucano Luiz de Souza Leão. 
Com a consultoria dos pesquisadores vascaínos Valdir Appel e Mauro Prais, o Lucidão chegou as esta súmula de Vasco 0 x 1 Tupã (SP).
Data: 30 de junho de 1954. Local: Tupã-SP. Juiz: Querubim da Silva Torres. VASCO: Barbosa, Bellini e Elias; Mirim (Amaury), Adésio (Laerte) e Beto; Friaça (Vadinho), Ademir (Iêdo), Vavá, Alvinho e Hélio. TUPÃ: Barros, Vicente, Costa, Marinho, Sorocaba e Benites. Ellison, Mendonça, Ademir, Beto, Ceci e Damas.
DETALHE: como era festa pernambucana, Lucídio lembra que o jogo incluiu mais dois “cabras da peste”: o centroavante Vavá, bicampeão mundial-1958/62, e o apoiador Adésio, um vascaíno já esquecido, que disputou as Olimpáidas de 1952, em Helsinque, na Finlândia, primeira participação brasileira nos Jogos. (foto reproduzida do site de Lucídio José de Oliveirahttp://www.papodebola.com.br/pernambucoaqui/20081001.htm). Agradecimento.

19 de nov. de 2012




Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM



Vi Maneco jogar apenas e tão somente uma única vez. Muito pouco. Pra mim, porém, para juízo de valor e saber de quem se tratava, foi o bastante. Um craque de bola. Aconteceu numa noite de inverno, em 1948, nos Aflitos. Era, jovem recém-chegado ao Recife, a primeira vez que assistia a um jogo à noite no campo do Náutico. Era o primeiro jogo noturno de minha vida. Encostado no murinho , no meio do campo, no lado das gerais, vi Maneco fazer o que queria com a bola. Amistoso Náutico x América do Rio, um jogaço. O Náutico acabou derrotado, 3x2 no placar. Mas isso não queria dizer nada. O futebol a que assisti foi de encantamento. Um dos melhores jogos que teria a felicidade de ver durante a vida toda. Futebol de pura arte, bola de pé rente ao chão, assim como faz hoje o Barcelona. O América era o América do Tico-Tico no Fubá. Tinha o endiabrado Maneco no ataque. E tinha também Gilberto no meio do campo. Gilberto que tinha sido, menino recém-saído dos juvenis, campeão pelo Náutico em 1945. Do outro lado, com a camisa alvirrubra, no meio do campo, Zeleão e Alcidésio. O jogo foi um deslumbramento.

Maneca, eu vi jogar mais de uma vez. Sempre com a camisa do Vasco, em repetidas vindas do clube da Cruz de Malta ao Recife nos derradeiros anos 40, início dos 50. Ao lado de Ademir, de Heleno de Freitas, de Ipojucan e de Danilo. Depois, Maneca já no fim da carreira, em 1956, numa tarde de domingo do mês de setembro na minha primeira ida ao Maracanã. Jogavam Fluminense x Bangu. Torcedor ardoroso do Fluminense no tempo de menino, já não morria de amores pelo clube das Laranjeiras. A paixão tinha ficado para trás na saudade dos tempos de Pedro Amorim, Ademir, Orlando e Rodrigues. Agora o que queria mesmo era ver Zizinho, o Pelé daqueles tempos, jogar no Maracanã. Mas terminei castigado na minha infidelidade: Fluminense 5x1! Ganhou o Fluminense, fazendo renascer a paixão adormecida. O Fluminense também de uma geração vitoriosa, o Flu de Castilho, Pinheiro, do artilheiro Valdo e Escurinho. No Bangu, ao lado de Zizinho, como acontecera na Copa de 50 com a camisa da Seleção, nas vitórias do Brasil contra a Iugoslávia (2-0) e Suécia (7-1), o elegante Maneca. Ficou somente daquele domingo a lembrança de mais um encontro com os deuses do futebol.

17 de nov. de 2012




Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM





Maneco jogou somente uma partida pela seleção nacional. Sua vida foi o América, onde se fez e foi famoso em duas linhas de ataque, a do já  citado Tico-Tico-no-fubá, de 1946: China, Maneco, César, Lima e Jorginho, e a do ano do Maracanã, em 1950, depois da Copa do Mundo: Natalino, Maneco, Dimas, Ranulfo e Jorginho. O Vasco foi o campeão, o América ficou em segundo, invicto até a antepenúltima rodada.

O outro, Maneca, tendo surgido um pouco depois, brilhou no futebol na passagem dos anos 40 para os 50. Baiano de Salvador, foi revelado pelo Galícia. Menino de boa família, classe média de Salvador, bem diferente de Maneco, da molecada do futebol de rua de Irajá, zona norte do Rio. Maneca teve a sorte de chegar ao Vasco no tempo do Expresso da Vitória, o Vasco, três vezes campeão carioca invicto na década de 40, em 1945, em 47 e em 49. Jogou ao lado de Barbosa, de Danilo e de Ely do Amparo. De Ademir, Augusto, Jair, Ipojucan, Chico e Heleno de Freitas. Não é pouca coisa. Foi um jogador brilhante, era um cracaço, mais meio-campista que o outro, Maneco. Encantava pelo seu futebol de fino trato. Jogou na Seleção e no Bangu, no final da carreira, agora ao lado de Zizinho. Poucos gozaram de tanto privilégio. Voltou depois para Bahia, encerrando a carreira no seu Galícia.

A fatalidade do suicídio aproximou as biografias de Maneco e Maneca. Motivos e razões distintas levaram os dois craques ao chamado gesto tresloucado. Maneco, foi levado a cometer o desatino por problemas financeiros, pelas dificuldades que vinha enfrentando na lutaq desigual para se manter vivo com dignidade. Era na ocasião treinador dos juvenis do América. Treinar um time de meninos não é a mesma coisa que ser capa de revista. O salário, bem menor, não dava para chegar junto na hora de saldar os compromissos assumidos desde quando era jogador. Um dia não teve como pagar a prestação da casa que comprara para os pais no bairro de Irajá. Acabou ingerindo veneno, trancado no banheiro da casa de um parente. Foi encontrado morto. Com Maneca foi diferente. Morando em Copacabana depois que parou de jogar, levava aparentemente uma boa vida, bem ao seu estilo de moço do boa aparência, cercado de amigos e namoradas. Não vivia os problemas sociais de Maneco, o menino pobre de Irajá. Vivia em outro mundo. Mas não suportou a ausência dos holofotes. Não soube conviver com o ostracismo da aposentadoria precoce, entrando em profunda depressão cerca de quatro anos depois que parou de jogar. Seu problema era de ordem existencial. Decidiu acabar com a vida. E o fez, porém, do mesmo modo, ingerindo veneno, quem sabe o mesmo veneno que matou Maneco. 

16 de nov. de 2012




Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA






Maneco e Maneca jogavam na mesma posição, correndo pela direita do ataque na mesma faixa do gramado. Eram chamados de meias na formação da linha atacante de antigamente. No tempo do center foward e das alas, uma a cada lado no ataque. Foram meias-direitas, e dos bons, estrelas do futebol brasileiro que luziram nos anos 40 e 50 do século passado. Figurinhas carimbadas, capas de revista e notícias das paginas esportivas.

Jogavam no Rio, a capital federal e do futebol na época. Jogaram quase que ao mesmo tempo, Maneco aparecendo um pouco antes, nos meados da década de 40.  Os nomes parecidos, o tempo a aproximá-los e o futebol gigante dos dois se prestaram para não raro criar confusão quando lembrados nas rodas de papo e até mesmo nas crônicas dos jornais. Chegaram ambos ao escrete, ambos na condição de coadjuvantes, de todo modo Maneca com um pouco mais de brilho por ter participado de uma Copa do Mundo, a do Maracanã. Maneco, em compensação, arrebentou quando teve a sua chance. Foi numa disputa entre cariocas e paulistas pelo Brasileiro de Seleções, o que havia de melhor na época no futebol brasileiro.

Maneco era do América, a cara do América, não vestiu outra camisa. Nascido em 1922, tinha pouco mais de vinte anos quando começou a aparecer nas capas das revistas esportivas, fazendo-se aí habitué, sozinho ou na companhia dos endiabrados atacantes do Tico-tico-no-fubá, a linha avançada americana, assim batizada por Ary Barroso e conhecida por todos. Era negro, um azougue, ninguém conseguia segurá-lo. Apelidado Saci de Irajá, bairro da zona Norte onde tinha começado a jogar bola, teve os seus quinze minutos de glória em março de 47, quinze somente não, nem somente noventa o tempo de um jogo. Somando tudo foram cento e oitenta minutos de glória porque foram dois jogos seguidos, quando o treinador Flávio Costa, para salvar a Seleção Carioca do vexame que estava se desenhando após o fracasso contra os paulistas no Pacaembu, decisão do campeonato, escalou Maneco. Sem tempo para treinar o time, convocado logo após o Supercampeonato ganho pelo Fluminense, o treinador do Vasco, que era também da Seleção Brasileira, fez o que todos queriam: escalou o ataque com Pedro Amorim, Ademir, Heleno, Orlando e Rodrigues. As duas alas do supercampeão, o Fluminense, no comando do ataque uma das estrelas do campeonato, Heleno, do vice-campeão Botafogo. Não deu liga. Os paulistas não tomaram conhecimento e meteram 5x2. Para o segundo jogo, no Rio, só com tratamento de choque. Foi o que Flávio fez. Escalou Maneco na meia-direita, o seu lugar. Levou Ademir para o outro lado do ataque, fazendo reviver a ala-esquerda dos bons tempos do Vasco e da Seleção Brasileira: Ademir e Chico. Reabilitação dos cariocas, 3x2 no placar. Dois gols de Maneco e um de Ademir. Veio a negra, mais uma vez no Rio, em São Januário: Cariocas 4x1. O Rio de Janeiro conquistava o tri, passando os paulistas para trás. Maneco, autor de três gols, era o herói de São Januário. Ademir e Heleno haviam ficado pra trás. Depois eu conto resto e falo de Maneca.




... continua amanhã

12 de nov. de 2012





Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA

História é isso aí! Detalhes que esclarecem. Dúvidas que deixam de existir. Faltou apenas o registro: bem diferente do que muita gente pensa, Ademir não retornou ao Sport para encerrar a carreira. Não assinou contrato com seu clube do coração, não ficou jogando um tempo defendendo a camisa rubro-negra. Nada disso. Veio ao Recife apenas para vestir a camisa do Sport em um amistoso contra o Bahia na Ilha do Retiro. Vestir a camisa do time onde começou a carreira, no campo onde fez seus primeiros gols em jogos pra valer. Um jogo de despedida. 

O amistoso aconteceu no dia 10 de março de 1957, um domingo. Placar: Sport 2x0 Bahia. Time do Sport, bicampeão estadual: Osvaldo Baliza, Bria e Osmar; Oswaldinho, Mirim e Pinheirense; Traçaia, Naninho, Ademir, Soca e Géo. Os gols foram assinalados por Soca e Traçaia. Ademir não voltou no segundo tempo, substituído por Gringo, o titular do comando do ataque. E para que tudo fique de acordo com a história: subi pela primeira vez os degraus do vetusto prédio da Faculdade de Medicina, no Derby, em janeiro de 1951, para o exame vestibular. Fui aprovado e naquele ano iniciei o curso médico.

Ademir deixou o Recife em 1942, trocando o Sport pelo Vasco da Gama. Lembro, de ouvir dizer e da leitura de notas esparsas em jornais, que ele jogava, sendo estudante de Odontologia, pelo time da faculdade. Naquele tempo o curso de Odontologia era ministrado no mesmo prédio e as aulas de algumas cadeiras, as matérias básicas do início do curso, como Anatomia Descritiva e Histologia, no 1° ano, eram dadas em conjunto para os alunos dos dois cursos. Assim, estudantes de medicina e de odontologia assistíamos juntos as mesmas aulas. Natural, pois, que o time de futebol da escola, nas competições universitárias, fosse formado por alunos dos dois cursos. Isso explica a presença de Ademir, estudante de odontologia no início da década de 40 quando ainda jogava pelo Sport aqui no Recife, no time que representava a Faculdade de Medicina. Pelo que me consta também, Ademir não concluiu o curso universitário. É possível que, indo morar o Rio a partir de 42, tenha abandonado os estudos para se dedicar integralmente ao futebol, no que, diga-se a bem da verdade, acertou em cheio e não deve ter se arrependido. 

Lembro, apenas como ilustração, que no jogo decisivo do Supercampeonato Carioca de 1946, Botafogo x Fluminense, no mês de dezembro, em São Januário, vitória do Fluminense por 1x0, o gol do título da autoria de Ademir, três jogadores recém-formados participaram da partida: Tovar e Heleno, do Botafogo, e Pedro Amorim, do Fluminense.  Tovar e Pedro Amorim tinham concluído o curso de medicina; Heleno, direito; Não era surpresa que os três aparecessem juntos em fotografia nas páginas esportivas dos jornais do dia seguinte. 

2 de nov. de 2012





Imagem do Mestre Alexandre Carneiro Gomes


6 de set. de 2012




Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM








Na foto do Comércio, três jogadores que chegaram ao Náutico de Cabelli no final da década de 40, todos três colegas de ginásio: o goleiro que puxa a fila, Walter Branquinha (está nos Cadernos de Carlos Celso, já com Palmeira no comando técnico, jogos 1950-16 e 20, substituindo Vicente na goleada Náutico 10x0 Seleção de Moengo, em Paramaribo, e na derrota contra o Moto Clube do Maranhão, 0x2); Romildo, o sexto da fila, comandante do ataque, campeão pelo Náutico no Torneio Início de 1949 sob o comando de Álvaro Barbosa; e, por fim, Perinho, de gorro, o terceiro no fim da fila, também campeão do Torneio Início. Conta Perinho que Walter, amargando a reserva de Vicente, chorava feito um menino porque Palmeira não tinha botado ele ainda para jogar. Queria ser internacional. Na goleada contra o Moengo, vitória já garantida, Palmeira atendeu aos prantos de Walter. Na derrota contra o Moto, única da excursão, o Náutico de regresso à casa, penúltimo jogo da temporada vitoriosa, a substituição ocorreu por contusão de Vicente. Não sei quem tomou os gols, talvez o amigo Carlos Celso possa informar.

O goleiro, na outra ponta da foto, também ginasiano na ocasião, era conhecido por Afonsinho. Os colegas, maldosamente chamavam-no Forrôla, naquele tempo com acento, porque conversando com a namorada e sem assunto na ocasião, contou que o pai tinha remodelado a casa onde moravam, falando textualmente no pretérito mais que perfeito: “pintou-la, caiou-la e forrou-la...”. Ficou uma joia, disse depois.

Vale observar o “gramado” do campo do Central, o da rua São Paulo, onde hoje ergue-se o majestoso estádio Luiz Lacerda. Mas o triste mesmo é essa camisa do Comércio à la Vasco da Gama, com a diagonal invertida, que substitui a tradicional alvirrubra de listas largas horizontais. A foto é de Paulo dos Santos, irmão do querido Petrônio, lembrado há dia pelo Blog.


20 de ago. de 2012



Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM



O Príncipe Martinez.

O futebol em forma de arte.

A bola é amaciada e fica dócil aos seus pés.

Um movimento de dança, sai sempre pelo lado contrário, iludindo a muita gente e deixando omarcador procurando.

O toque de bola com o pé esquerdo, para quem estar próximo.

Como se um pincel deslizasse macio por sobre a tela verde do gramado.

Uma pintura.

Martinez está compondo uma obra de arte.

E a bola sai como se impulsionada por um leve sopro, parece uma pena.

E se isso não é arte, sie não...

O chute fatal contrria os movimentos.

Um torpedo.

Bem lembrado: chutado por Rivelino, por Rivelino para quem nunca tinha visto.

Observar que a bola não sai alta, sobe no meio do caminho à procura da gaveta.

Para ser guardada para sempre na privilegiada memória timbu.

No museu da história não tinha ainda um quadro assim.

Salve Martinez!

11 de jul. de 2012




Claro.

Ontem foi um dia muito especial para mim.

Esposa e grandes amigos em volta.

Livro, futebol e lembranças.

Mas os Mestres Carlos Celso e Lucídio não estavam lá.

E bateu saudade.

Até que lembrei que eles sempre estão comigo.

No lado esquerdo do peito...

6 de jul. de 2012










Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM 









A decisão de uma Libertadores tem muito a ver com a gente, sim. É uma disputa continental e estamos inseridos no continente. Então? Bahia, Náutico e Sport, times da região, já marcaram presença nesse torneio, objeto do desejo de todo clube sul-americano que se preza. Resta, lutando contra toda adversidade, inclusive aquelas que descriminam a região, buscando reduzi-las enquanto não for possível fazê-las de todo desaparecer, caminhar no sentido de um dia poder jogar de igual para igual, buscando vencer no campo de luta, no gramado, os que são beneficiados pelo sistema descriminatório e excludente, interno e externo, aqui e no Continente. O Olímpia do Paraguai, o Atlético Nacional e o Once Caldas da Colômbia, a LDU do Equador, sem falar do Vélez e do Argentino Junior, times de menor expressão na Argentina, já gozaram das delícias do título, foram um dia campeões. O Cobreloa do Chile, o Newells Old Boys da Argentina, o Barcelona do Equador e o nosso Atlético Paranaense já estiveram em uma final. Enquanto os nossos clubes não chegam lá, e temos que lutar muito para que isso se torne realidade, inclusive contra preconceitos regionais e sentimentos xenófobos, o jeito é se render à realidade. E a realidade é o Santos, o São Paulo, o Vasco, o Inter, o Corinthians. Não precisa torcer a favor – tem os sentimentos clubísticos na parada. Depois do advento do Brasileirão, todos são adversários. O que não se pode fazer é ficar indiferente. Do mesmo modo como não se fica alheio a um Alemanha x Inglaterra ou um Espanha x Itália, ainda que um ou outro esteja sendo disputado  bem longe, pra lá das milhas oceânicas sem fim que nos separa do Velho Mundo. Tudo em nome do amor ao futebol. Em nome da paixão pelo jogo bem jogado. Por que não entrar então na onda do Corinthians brasileiro campeão?

15 de jul. de 2008




Para todos os que amam o Náutico e o futebol.

Amanhã se inicia aqui no Blog uma viagem ao passado.

Uma jornada sentimental pelo Hexacampeonato.

Uma jornada pelo Brasil e pelo mundo dos anos 60.

Uma jornada pelo maior time que já atuou em Pernambuco.

Jornada que se encerra na segunda-feira, 21 de julho.

Com todos convidados para o relançamento do livro 'Náutico- A bola e as lembranças' do Mestre Lucídio José de Oliveira na sede Timbu.

Portanto, amanhã voltaremos ao ano de 1963/64.

Amanhã, voltaremos ao Gênese.


12 de jul. de 2008




Dia 21 de julho é dia dos 40 anos do Hexa.

Mas também é o dia do relançamento da Bíblia alvirrubra.

O belíssimo 'A Bola e as Lembranças' do escritor Lucídio José de Oliveira.

Agora com uma capa antológica de Abelardo da Hora.

O livro atravessou duas décadas no coração e na saudade dos torcedores.

Mas tinha um grave defeito.

Esgotou-se completamente.

Pertencia apenas aos eleitos.

Os milhares que compraram um exemplar no século XX.

Porém, a palavra deve pertencer a todos.

Deve percorrer os fiéis que conhecem a saga alvirrubra apenas pela saudade.

Chegou o momento de conhecer as páginas do antigo testamento do futebol.

Para que o novo testamento ganhe vida.

No dia 21 de julho, todos aos Aflitos às 19h.

Vamos atravessar o Mar Vermelho.

Vamos sonhar com o dilúvio de gols de Bita e Fernando Carvalheira.

E, principalmente, vamos levar o nosso abraço de fãs ao Mestre Lucídio José de Oliveira.

Ele merece!



8 de jul. de 2008




O árbitro do futebol pernambucano Sherlock

Essa quem me contou foi o Lucídio.

Fui dar uma de São Tomé. Procurei a prova.

Sherloque foi um grande árbitro do passado. Apitava os jogos mais importantes.

Um cabra honesto.

Mas eis que o ex-presidente do Sport, João Elísio, cismou com Sherloque.

Disse que o árbitro não apitava mais jogo do Leão.

Passa o tempo, os novos dirigentes do Sport esquecem a rixa e aceitam a indicação do juiz para um Sport e Náutico na Ilha.

João Elísio não se conforma.

Na hora do jogo, dirige-se a Galeria de Honra da Praça da Bandeira e arranca seu retrato da parede.

Caminha até o centro do gramado...

E quebra seu retrato sob as vistas da torcida incrédula. Pisando em cima. Possesso.

Dá meia volta e deixa Schiller Diniz, Chicão e Alfredo juntando os cacos.

A foto que registra o fato fazia parte do acervo do ex-jogador e técnico Schiller Diniz.