Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA
História é isso aí! Detalhes que esclarecem. Dúvidas que deixam de existir. Faltou apenas o registro: bem diferente do que muita gente pensa, Ademir não retornou ao Sport para encerrar a carreira. Não assinou contrato com seu clube do coração, não ficou jogando um tempo defendendo a camisa rubro-negra. Nada disso. Veio ao Recife apenas para vestir a camisa do Sport em um amistoso contra o Bahia na Ilha do Retiro. Vestir a camisa do time onde começou a carreira, no campo onde fez seus primeiros gols em jogos pra valer. Um jogo de despedida.
O amistoso aconteceu no dia 10 de março de 1957, um domingo. Placar: Sport 2x0 Bahia. Time do Sport, bicampeão estadual: Osvaldo Baliza, Bria e Osmar; Oswaldinho, Mirim e Pinheirense; Traçaia, Naninho, Ademir, Soca e Géo. Os gols foram assinalados por Soca e Traçaia. Ademir não voltou no segundo tempo, substituído por Gringo, o titular do comando do ataque. E para que tudo fique de acordo com a história: subi pela primeira vez os degraus do vetusto prédio da Faculdade de Medicina, no Derby, em janeiro de 1951, para o exame vestibular. Fui aprovado e naquele ano iniciei o curso médico.
Ademir deixou o Recife em 1942, trocando o Sport pelo Vasco da Gama. Lembro, de ouvir dizer e da leitura de notas esparsas em jornais, que ele jogava, sendo estudante de Odontologia, pelo time da faculdade. Naquele tempo o curso de Odontologia era ministrado no mesmo prédio e as aulas de algumas cadeiras, as matérias básicas do início do curso, como Anatomia Descritiva e Histologia, no 1° ano, eram dadas em conjunto para os alunos dos dois cursos. Assim, estudantes de medicina e de odontologia assistíamos juntos as mesmas aulas. Natural, pois, que o time de futebol da escola, nas competições universitárias, fosse formado por alunos dos dois cursos. Isso explica a presença de Ademir, estudante de odontologia no início da década de 40 quando ainda jogava pelo Sport aqui no Recife, no time que representava a Faculdade de Medicina. Pelo que me consta também, Ademir não concluiu o curso universitário. É possível que, indo morar o Rio a partir de 42, tenha abandonado os estudos para se dedicar integralmente ao futebol, no que, diga-se a bem da verdade, acertou em cheio e não deve ter se arrependido.
Lembro, apenas como ilustração, que no jogo decisivo do Supercampeonato Carioca de 1946, Botafogo x Fluminense, no mês de dezembro, em São Januário, vitória do Fluminense por 1x0, o gol do título da autoria de Ademir, três jogadores recém-formados participaram da partida: Tovar e Heleno, do Botafogo, e Pedro Amorim, do Fluminense. Tovar e Pedro Amorim tinham concluído o curso de medicina; Heleno, direito; Não era surpresa que os três aparecessem juntos em fotografia nas páginas esportivas dos jornais do dia seguinte.
Mestre, hoje é o aniversário de nascimento de Vavá!
ResponderExcluirVivendo e aprendendo cada vez mais com os Mestres.Maravilha.Ademir seria uma grande colega,tal e qual Ivan e Lucio....
ResponderExcluirAdemir sem diploma...
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