18 de nov. de 2012








No dia 12 de janeiro de 1958, o América cumpriu seu último compromisso futebolístico. No dia seguinte, 13 de janeiro, o América se transformava em clube 'puramente social' segundo os jornais da época. Sob a batuta do ex-atleta e dirigente Sigismundo Cabral de Melo, a velha agremiação desistia de competir em um cenário de valorização asfixiante dos valores que envolviam o futebol pernambucano.

Mas a decisão do presidente não foi unânime – longe disso. Memorial assinado por inúmeros associados alegava que o América era uma das tradições do desporto pernambucano; não havia sentido em paralisar as atividades do departamento de futebol, enquanto tantos outros clubes continuavam atuando com menos recursos financeiros a disposição.

Nesse clima, o técnico Palmeira preparou seus pupilos para jogar o último Clássico da Técnica e da Disciplina. Na rodada anterior, o América roubara um ponto do Santa Cruz, desbancando o tricolor da liderança do certame. O apronto final resultou em goleada de 6x0 dos titulares sobre os reservas no gramado da Ilha do Retiro. O artilheiro Paulo balançando as redes quatro vezes.

O ano de 1959 teve Nélson Gonçalves. Pleno feriado prolongado do sete de setembro e os sócios do América bailando com a volta do boêmio. Futebol só nos jornais.

Em 1960, José Moreira assume a presidência do América e diz: “Ainda não!” A foto do jornal com o goleiro Jagunço, o ponta Jorge de Castro e o meio-campista Gustavo Carvalho era apenas para aguçar a saudade da torcida americana, lentamente bandeando-se para o vazio nas tardes de domingo. Os vice-campeonatos em 1950 e 52 doeram na alma. Derrotas sob circunstancias misteriosas, arbitragens suspeitas, a sensação que, no final, todos os esforços eram em vão.

O exílio do América do certame estadual foi decidido em 1959, mas desde o campeonato de 1955 havia fumaça no ar. O América cansou das arbitragens de Willer Costa e das hostilidades de Anísio Morgado, diretor do quadro de árbitros da FPF. A diretoria emitiu nota na imprensa comunicando sua retirada do torneio. Em resposta, o Supremo Tribunal Desportivo da FPF suspendeu o América por cento e vinte dias. A batalha foi rápida. O América não compareceu aos jogos e foi abandonado pelos demais clubes. Vendo-se sem saída, atende aos apelos da Associação dos Cronistas de Pernambuco, retirando o protesto em troca de uma multa no valor de Cr$ 1.200,00.

Estava claro aos amantes do futebol que a questão do afastamento do clube era simples oportunidade. Em 1956, o América encerra o primeiro turno do estadual em quarto lugar, com o mesmo número de pontos do Náutico e apenas um ponto atrás dos líderes Sport e Santa Cruz. No segundo turno, a derrota na rodada inicial diante do Ferroviário descarrilha a equipe, que de derrota em derrota, fecha o ano na lanterninha.

Em 1957 e 1958, campanhas irregulares com duas derrotas para o Ferrim, deixam o clube em quarto lugar, fato que vai se tornando tradição. O América deixava de ser protagonista e passava a ser pálida imagem do passado.

Portanto, a desistência de disputar o campeonato de 1959 na gestão Fernando Tasso de Souza, sob pretexto de arrumar a casa, não causou tanta estranheza ao público e à crônica esportiva.

Quando voltou ao estadual em 1963, na administração de José Lamartine Távora, o América despertou curiosidade em quem amava o futebol. Mas a goleada por 4 a 0 na estreia diante do Santa Cruz transformou a curiosidade em tristeza. Claro que houve lampejos de bom futebol – o 3 a 0 em cima do Sport – mas o futebol pernambucano já não era o mesmo. O Náutico, abandonando preconceitos, abrira suas portas ao século XX e surgia com um quadro imbatível, arrebanhando grande parte dos antigos aficcionados americanos.

 



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