No
dia 12 de janeiro de 1958, o América cumpriu seu último compromisso
futebolístico. No dia seguinte, 13 de janeiro, o América se
transformava em clube 'puramente social' segundo os jornais da época.
Sob a batuta do ex-atleta e dirigente Sigismundo Cabral de Melo, a
velha agremiação desistia de competir em um cenário de valorização
asfixiante dos valores que envolviam o futebol pernambucano.
Mas
a decisão do presidente não foi unânime – longe disso. Memorial
assinado por inúmeros associados alegava que o América era uma das
tradições do desporto pernambucano; não havia sentido em paralisar
as atividades do departamento de futebol, enquanto tantos outros
clubes continuavam atuando com menos recursos financeiros a
disposição.
Nesse
clima, o técnico Palmeira preparou seus pupilos para jogar o último
Clássico da Técnica e da Disciplina. Na rodada anterior, o América
roubara um ponto do Santa Cruz, desbancando o tricolor da liderança
do certame. O apronto final resultou em goleada de 6x0 dos titulares
sobre os reservas no gramado da Ilha do Retiro. O artilheiro Paulo
balançando as redes quatro vezes.
O
ano de 1959 teve Nélson Gonçalves. Pleno feriado prolongado do sete
de setembro e os sócios do América bailando com a volta do boêmio.
Futebol só nos jornais.
Em
1960, José Moreira assume a presidência do América e diz: “Ainda
não!” A foto do jornal com o goleiro Jagunço, o ponta Jorge de
Castro e o meio-campista Gustavo Carvalho era apenas para aguçar a
saudade da torcida americana, lentamente bandeando-se para o vazio
nas tardes de domingo. Os vice-campeonatos em 1950 e 52 doeram na
alma. Derrotas sob circunstancias misteriosas, arbitragens suspeitas,
a sensação que, no final, todos os esforços eram em vão.
O
exílio do América do certame estadual foi decidido em 1959, mas
desde o campeonato de 1955 havia fumaça no ar. O América cansou das
arbitragens de Willer Costa e das hostilidades de Anísio Morgado,
diretor do quadro de árbitros da FPF. A diretoria emitiu nota na
imprensa comunicando sua retirada do torneio. Em resposta, o Supremo
Tribunal Desportivo da FPF suspendeu o América por cento e vinte
dias. A batalha foi rápida. O América não compareceu aos jogos e
foi abandonado pelos demais clubes. Vendo-se sem saída, atende aos
apelos da Associação dos Cronistas de Pernambuco, retirando o
protesto em troca de uma multa no valor de Cr$ 1.200,00.
Estava
claro aos amantes do futebol que a questão do afastamento do clube
era simples oportunidade. Em
1956, o América encerra o primeiro turno do estadual em quarto
lugar, com o mesmo número de pontos do Náutico e apenas um ponto
atrás dos líderes Sport e Santa Cruz. No
segundo turno, a derrota na rodada inicial diante do Ferroviário
descarrilha a equipe, que de derrota em derrota, fecha o ano na
lanterninha.
Em
1957 e 1958, campanhas irregulares com duas derrotas para o Ferrim,
deixam o clube em quarto lugar, fato que vai se tornando tradição.
O América deixava de ser protagonista e passava a ser pálida imagem
do passado.
Portanto,
a desistência de disputar o campeonato de 1959 na gestão Fernando
Tasso de Souza, sob pretexto de arrumar a casa, não causou tanta
estranheza ao público e à crônica esportiva.
Quando
voltou ao estadual em 1963, na administração de José Lamartine
Távora, o América despertou curiosidade em quem amava o futebol.
Mas a goleada por 4 a 0 na estreia diante do Santa Cruz transformou a
curiosidade em tristeza. Claro que houve lampejos de bom futebol – o 3 a 0 em cima do Sport – mas o futebol pernambucano já não era
o mesmo. O Náutico, abandonando preconceitos, abrira suas portas ao
século XX e surgia com um quadro imbatível, arrebanhando grande
parte dos antigos aficcionados americanos.

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