POR ROBERTO VIEIRA
32' do segundo tempo. 1x1. O jogo se encaminha para seu final. Um jogo que não valia nada pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969.
Mesmo assim, Maracanã lotado. De um lado o Vasco da Gama. Do outro, o Santos.
Pênalti para o Brasil.
Roberto Gomes Pedrosa sai do arco e manda Waldemar de Brito bater.
Do jeito que eles treinaram exaustivamente no campo do Nafta. Ricardo Zamora aguarda impassível. Olha dentro dos olhos de Waldemar.
Pelé domina a bola e cai entre os zagueiros.
O árbitro Manoel Amaro corre para a marca de pênalti. Os jogadores do Vasco reclamam. Pelé hesita. Os jogadores do Santos se abraçam no círculo central.
Todos imaginam o medo do Rei na hora do pênalti.
Zamora ajeita o boné. O juiz alemão Birlem ordena a cobrança. Waldemar de Brito corre para a bola e chuta forte no canto.
Leônidas empurra Maguerza e corre para a área.
Zamora sabia.
Waldemar só cobrava pênaltis no canto esquerdo.
O menino Edson arruma suas coisas e se despede do alojamento da Vila Belmiro. Perdera um pênalti. Na final do campeonato infantil.
Igual ao pênalti que seu Waldemar costumava lembrar.
O gol 1000 rondou o Arruda. Passou por João Pessoa. Quase foi marcado na Fonte Nova. Agora está prestes a ocorrer no Maracanã. Mas os olhos de Pelé estão distantes.
Mas não é medo.
Pelé decide homenagear Waldemar de Brito em segredo.
Zamora voa espetacularmente e com a ponta dos dedos desvia o chute de Waldemar de Brito. Gênova assiste a Espanha vencer o Brasil por 3x1.
Edson não consegue ir embora do alojamento. Seu plano é descoberto.
Andrada voa espetacularmente e com a ponta dos dedos desvia o chute de Pelé. Mas a bola morre nas redes do Vasco.
No canto esquerdo.
Andrada esmurra a grama do Maracanã. O Rio de Janeiro assiste o Santos vencendo por 2x1 com o milésimo gol do Rei.
Waldemar de Brito chega ao Santos. Ao seu lado o menino Edson Arantes do Nascimento.
Quando alguém lhe pergunta sobre o garoto, Waldemar sorri:
'Esse será o maior do mundo'.
* Homenagem aos 39 anos do Milésimo Gol.
[IMAGEM]
Na foto, o olhar do saudoso Waldemar de Brito sobre o menino Pelé.


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