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6 de out. de 2013



POR ROBERTO VIEIRA






... o relato a seguir é o depoimento de um dos jogadores alvirrubros das 3 partidas que eliminaram o Cruzeiro da Taça Brasil de 1967.



'Faziam fantasma do Cruzeiro.

O time que venceu Pelé. O time que venceu Pelé.

Quando eles entraram no Mineirão, confesso que tremi.

Foguetes, palavrões e um hippie de camisa amarela puxando a fila.

Nós éramos apenas uns meninos nordestinos metidos a besta.

Uns moleques brincando de jogar bola com essa turma do sul.

Olhei o Dirceu Lopes. Menor que eu.

O Natal também.

E Tostão.

Tostão não metia medo em ninguém.

Mas foi só a bola rolar e eles vieram pra cima de nós. Tocando a bola.

De pé em pé.

Eles não estavam preocupados conosco. E isso era bom.

Com pouco tempo o Mineirão se calou.

Os mineiros ficaram em silêncio.

Que é o jeito mineiro de ganhar da gente.

Como eu ia dizendo, eles vieram pra cima com aqueles toques.

Ainda lembro o grito de Tostão e Dirceu Lopes quando a bola venceu Lula Monstrinho.

O Mineirão explodiu.

Recife emudeceu.

Eles eram os campeões brasileiros.

Nós perdemos por 2x1.

Pra gente estava tudo igual.

Mas quando lemos os jornais do dia seguinte a imprensa não acreditava na gente.

Seu Duque olhou na cara da gente e não disse nada.

Nem precisava.

Eu tive pena do Cruzeiro.

Falo sério.

Eles já estavam derrotados antes mesmo do segundo jogo.

Apenas pelo nosso olhar.

A Ilha do Retiro estava lotada.

Gente saindo pelo ladrão.

A gente marcava o meio, mas no Mineirão os gols sairam do Natal e do Hilton.

Os pontas.

Mas naquela noite não tinha Natal.

Nem São João.

Lala mandou uma bomba no ângulo de Raul. Gol.

Miruca bateu um pênalti.

Bola de um lado. Raul do outro.

3x0!

No Campeão do Brasil.

E agora bastava um empate na sexta-feira.

Um empate.

E então nós olhamos pra Lula.

E Lula disse que não ia passar nada.

Não sou bom com as palavras.

Não consigo descrever o que vai na minha cabeça.

Eu atacava. Eles atacavam.

Parecia aqueles filmes de guerra que passavam no São Luís.

O jogo durou horas.

Eles foram se perdendo nas mãos de Lula (FOTO).

Tragados pelo Monstro.

Quando a gente viu tava ganho.

E começou a briga.

O Manuelzinho levou uma bolacha no pé do ouvido.

Todo mundo brigou, menos eu.

Eu fiquei pensando que não tinha Santos. Não tinha Cruzeiro.

Só tinha o Náutico no mundo.

Porque naquele instante eu era campeão do mundo.

Vestido de vermelho e branco.'






Gol do Cruzeiro em campeonato nacional tem um nome: Marcelo Ramos.
Afinal de contas, foram 45 gols.
Mais que Palhinha, Roberto César e Ronaldo.
Se bem que Alex Alves fez 22 gols apenas em 1999.
Contra o Náutico, o Cruzeiro trava duelos ancestrais. Desde a Taça Brasil de 1967.
Desde a vingança da raposa em 1968.
Desde o primeiro gol Timbu em nacionais em 1972.
Um duelo de 18 partidas.
7 vitórias alvirrubras e 8 cruzeirenses.
Um frágil equilíbrio que pode se romper amanhã.
Porque apenas a turma do Timbu Coroado sonha com uma vitória no Mineirão.
Os demais mortais apostam de olhos fechados numa goleada histórica.
Uma goleada para empurrar o Náutico de vez para a zona do rebaixamento.
O que eu acho?
Eu sempre saio no bloco no domingo de carnaval...

26 de mar. de 2013





Ruiter completa 70 anos.

Nome inesquecível.

Goleador mortal.

Artilheiro da Taça Brasil, 1963.

Deixando o Rei Pelé comendo poeira.

Homem gol do Confiança, Santa Cruz e Campinense.

Um dia, Ruiter foi barbarizar na França.

Melhor jogador do certame francês.

Artilheiro nacional pelo Monaco.

Aos 32 anos, ele voltou.

Para formar dupla de ataque com um jovem atacante do Confiança.

Lá em Sergipe.

Sua terra natal.

O nome do jovem atacante?

Nunes...




16 de jan. de 2013






16 de janeiro de 1963.

O avião do Sport ameaçou não levantar vôo.

A imprensa do sudeste aguardava ansiosa.

Taça do Brasil.

O Santos escapara da derrota na Ilha.

Graças ao oportunismo de Coutinho.

Coutinho que empatou o jogo aos 36' da segunda etapa.

Os rubro negros sonhavam.

Os campeões do mundo afiavam a navalha.

Resultado?

4x0 para o Peixe.

Show de Coutinho.

Coutinho que marcou todos os quatro gols.

O Santos chegava na final diante do Botafogo.

Botafogo de Garrincha.

Que estava no Equador.

Jogando contra o Barcelona daquele país.

Resultado.

O Botafogo voltou.

E não aguentou os três jogos diante de Pelé...

22 de nov. de 2012





30 de set. de 2012





O Sport era o representante pernambucano na primeira Taça Brasil em 1959. Campeão estadual de 1958, os rubro negros foram escalados para o Grupo Norte da competição, ao lado do Auto Esporte, campeão paraibano, Tuna Luso, campeã paraense e Ferroviário, campeão maranhense.

A primeira partida de uma equipe pernambucana na Taça Brasil foi disputada em João Pessoa, no simpático estádio José Américo de Almeida. O presidente da delegação foi o Sr. Múcio Gomes e Dr. Gilberto Falbo era o médico da delegação.

Na foto da manchete anunciando o novo torneio nacional, aparecia o recém contratado arqueiro Dick que se revezaria com Cazuza no arco leonino. O elenco era forte, com destaques para os ex-flamenguistas Índio e Tomires, o ponta-artilheiro Traçaia e o cerebral bigode do Betancour.

Contra este timaço, os tabajarinos alinhavam sua melhor formação com a zaga trazendo Gavião e Kleber e a esperança de gols no centroavante Chiclets.

O primeiro jogo foi tranquilo apesar do primeiro tempo sem gols. O Sport usou sua força aérea para definir o escore na segunda etapa. Primeiro, o grandalhão Oswaldo em cruzamento de Zemaria. Depois, o uruguaio Betancour anota mais dois tentos de cabeça nas redes de Agostinho... Sport que ainda desperdiça um pênalti com Bé.

O técnico Dante Bianchi sorri satisfeito, arruma as malas e na segunda partida na Ilha do Retiro, o Leão aplica sonoros 5x2 nos vizinhos.

No outro duelo da chave, a Tuna Luso precisa de uma terceira partida para eliminar os maranhenses do Ferroviário por 1x0.


próximo capítulo... Sport x Tuna Luso

12 de set. de 2012




Por ROBERTO VIEIRA        


Era a primeira Taça Brasil.

Pernambuco com olhos umbilicais.

Vibrou com o título estadual do Santa Cruz naquela semana .

Absurdo.

Pois o jogo do século para Pernambuco.

Não estava nos Aflitos.

Mas sim na Ilha do Retiro.

O Bahia ultrapassara CSA e Ceará Sporting.

O Sport vencera Tuna Luso e Auto Esporte.

Ambos fariam a decisão do grupo Norte da Taça Brasil.

Na primeira partida em Salvador?

Deu Bahia: 3x2.

Na segunda em Recife.

Para desespero de Osório Vilas Boas.

Deu Sport: 6x0.

Os rubro negros foram dormir campeões do mundo.

Osório inclusive pagou uma cachacinha pros Leões.

E na negra?

Deu Bahia 2x0.

Cada jogador do Sport perdeu 7 mil cruzeiros de bicho.

Além de tomar com 60% de multa.

O Bahia?

Rumou pra bater Vasco da Gama e Santos.

Tornando-se o primeiro campeão nacional de futebol.

Baiano burro?

Nasce morto!




5 de ago. de 2012






Jogos oficiais em Brasileirão.

Desde o início dos tempos nacionais em 1959.





O Cruzeiro chega em Recife.

Semifinais da taça Brasil 1967.

Cruzeiro, campeão brasileiro de 66.

Raul Plassman?

É cantado em verso e prosa pelas jornalista.

O Náutico?

Retribui com três gols em suas redes.

28 de jun. de 2012







Era a terceira Taça Brasil.

Julho de 1961.

O Palmeiras sonhava com o título mundial.

Palmeiras que batera na trave em 1960.

Perdendo diante dos uruguaios do Peñarol.

O primeiro desafio paulista?

Os campeões paranaenses: Coritiba.

Para a empreitada.

O Palmeiras repatriara Vavá, o Leão da Copa.

Palmeiras treinado pelo argentino Armando Renganeschi.

Já o Coritiba.

Trazia uma delegação com 28 pessoas até São Paulo.

Apenas 15 jogadores.

Coritiba treinado também por um estrangeiro.

O antigo goleiro Sinforiano Garcia.

Verdadeira lenda paraguaia.

A correria paranaense foi grande.

A categoria do Palmeiras, maior.

Chinesinho e Gildo marcaram no primeiro tempo.

E foi o suficiente.

Palmeiras 2-0.

Alguns dias depois na capital paranaense.

O Coritiba devolveu a derrota com um sonoro 3-1.

Na negra?

Deu Palmeiras: 4-1.

Palmeiras que acabou desclassificado na Taça Brasil.

Pelo América-RJ...

23 de jun. de 2012





O duelo Náutico x Atlético-MG possui duas curiosidades.

Uma delas, a mídia já apresentou fartamente.

Em dezoito partidas disputadas nas Minas Gerais.

O Náutico conseguiu perder dezessete.

Uma desvantagem estratosférica, diria Santos Dumont.

Mas o que essa gente esquece de mencionar.

É que na única vez em que o duelo valia taça.

O Náutico não só empatou por 2x2.

Como mandou três bolas na trave do Galo.

E desperdiçou dois pênaltis.

Naquela inesquecível Taça do Brasil de 1967.

Ou seja.

Como os franceses diante da Espanha.

O Galo ganha, ganha, ganha.

Mas o jogo mais precioso resultou na classificação Timbu rumo a Libertadores 68.

25 de mai. de 2012












Por ROBERTO VIEIRA



Orlando Fantoni foi o treinador do Náutico no título de 1974.

Impedindo o Hexa do Santa Cruz.

Também era o técnico do Cruzeiro na derrota por 3x0 na Taça Brasil 1967.

Aquela derrota do post anterior.

Agora, 27 de março de 1983, dezesseis anos depois,

ele estava sentado no banco do Arruda para enfrentar Baiano e Mirandinha.

O público de 32.000 pessoas viu o Náutico alinhar Pimenta; Vilson, Flavio, Ivan e Albéris;

Lourival, Baiano e Manguinha; Heider, Mirandinha e Zé Ronaldo.

O Cruzeiro jogou com Victor; Eugênio, Silvio, Ailton e Luis Cosme;

Douglas, Eudes e Tostão; Paulo Borges, Edmar e Edu.

Com 1' Tostão dribla a defesa e conclui para grande defesa de Pimenta.

E foi só.

Aos 5' Flavio bate falta com perfeição e abre o marcador: 1x0.

Com 28' Baiano e Mirandinha entram tabelando na defesa da raposa e Victor salva.

Dez minutos depois Zé Ronaldo pensa duas vezes antes de chutar e Mirandinha toma a bola dele e enfia o pé para fazer 2x0.

Foi tão rápido que Zé Ronaldo ficou procurando a bola sem entender o que tinha acontecido.

Na volta para o segundo tempo Mirandinha dribla Victor e quase entra com bola e tudo.

3x0!

Baiano cabeceia aos 6' e Victor faz milagre.

15' Baiano decide fintar o goleiro antes de concluir

e a bola beija a trave quando ele já se preparava pra comemorar.

13' Manguinha dá um chute seco e decreta 4x0.

O time se poupa tocando bola,

Ademir Lobo entra no lugar de Vilson.

Olé.

A única defesa de Pimenta foi no começo do jogo.

Passou os restantes 89 minutos como um expectador privilegiado da goleada.

Se rindo...


21 de mai. de 2012



Por ROBERTO VIEIRA





Na abertura do Brasileirão 2012, Bahia e Santos revivem os momentos da primeira final de um torneio genuinamente nacional...





O Brasil era maior que o Rio-São Paulo.


O Brasil ia mais longe que o Pernambuco-Bahia.


O Brasil ia além dos Pampas.


Além da nossa vã imaginação.


Brasília se erguia.


O troféu era inglês.


Custara a fortuna de 300 mil cruzeiros.


João Havelange abriu os cofres da CBD.


O maior torneio da história do país do futebol.


O primeiro campeão de fato do futebol campeão do mundo.


Tinha que levar pra casa um tesouro.


Surpresa.


Na cabeça de todo torcedor tupiniquim.


O campeão seria o Santos.


O Zito erguendo o troféu.


Pois é.


Esqueceram de avisar o Dr. Nadinho.


Nadinho que pegou muito nos três jogos decisivos.


Esqueceram de avisar o Alencar.


Enchendo as redes de Manga com gols.


Muitos gols.


E o primeiro campeonato genuinamente brasileiro.


Foi para a terra que viu nascer o Brasil.


O rico troféu inglês.


Foi para as mãos do capitão Beto.


João Gilberto chorou de emoção.


Caymmi sorriu nas cordas do seu violão.


O que é que a Bahia tem?


Tem o primeiro campeão brasileiro.



Também...

6 de dez. de 2008



Matéria de um jornal paulista sobre a partida Santos 3 x 5 Náutico

Todo clube tem sua jóia rara.

O instante em que tornou-se grande.

O jogo em que mostrou ao que veio.

No caso do Náutico, tal momento acontece contra o Santos de Pelé em 1966.

O dia em que fomos reis.

Cresci com a lenda.

A primeira vez que li sobre a partida, eu tinha dez anos.

Numa revista Placar.

Lá estava: Náutico 5 a 3!

"Bita fez a festa pernambucana!"


O jogo me acompanhou pela vida e pelas desventuras do meu clube.

Pois, a década de 60 permanece utópica. Mitológica.

Nunca mais uma partida superou aqueles 90 minutos.

Nem a vitória sobre o Cruzeiro em 1967.

Nem mesmo a final contra o Sport em 1968.

Muito menos, os títulos, raros, das décadas seguintes.

A paixão pelo jogo me levou longe.

Eu queria saber o impacto do jogo entre os paulistas.

E, apaixonado, fui visitar o Arquivo Público de São Paulo.

Arquivo imenso, localizado numa antiga fábrica de... tapetes.

(Fato curioso, eles numa fábrica de tapetes, já a gente constrói arquivo numa antiga prisão...)

E lá estava o jogo.

Em preto e branco.

Com Pelé passando em brancas nuvens.


Com o Estado de S. Paulo ironizando:

"Rei de mãos ao alto!"

Uma referência aos 4 gols do Homem do Rifle, Bita, nas redes de Gilmar.

Lá estava também, o abraço emocionado de Duque em seus comandados.


O Náutico faz parte da história do futebol brasileiro.

Não como um time qualquer.

Mas como um time grande. Antológico.

Antológico porque ousou desafiar o destino.

Ousou golear o mito.

Ousou ser Rei.

Os gols e as glórias do Náutico estão nos arquivos da vida e do futebol.

Serão as únicas glórias?

Talvez sim.

Talvez não.

Transpondo os portões do arquivo paulista, no inusitado frio de setembro, tive a certeza:

O passado não era um sonho.

E o futuro?

O futuro, meus amigos, pertence ao sonho.

Se o sonho de vitória ainda mora em Rosa e Silva.

Ou se o sonho, foi embora pra nunca mais voltar.

Com a resposta, a torcida e os dirigentes dos Aflitos...

Enquanto isso, uma nota do destino.

O Museu do Futebol se ergue no Pacaembu.

E daí?

O mesmo Pacaembu, palco do 5 x 3 de 1966.

Uma feliz coincidência dos deuses do futebol?

Ou nem tudo é coincidência nessa vida?


13 de nov. de 2008



Cruzeiro de 1966
Em pé: Neco, Pedro Paulo, William, Procopio, Piazza e Raul.
Agachados: Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira.


Por ROBERTO VIEIRA


Nunca houve um time como aquele.

Nem mesmo o Santos de Pelé.

Santos de Pelé, pentacampeão brasileiro.

Sucumbindo ao talento dos meninos de Minas.

Final de 1966.

O Cruzeiro surpreende o Brasil.

Vence a primeira batalha contra o Santos no Mineirão: 6 x 2.

Um show de bola de Tostão e Dirceu Lopes.

Piazza e Evaldo.

Natal e Dirceu Lopes.

Show de bola previsto nas filas do Café Palhares.

Ou na compra antecipada de ingresso na Casa Superball.

A torcida do Galo ocupou 2/3 do Mineirão.

Soltou fogos na entrada do Santos.

E foi só.

Com 5' estava 2 x 0 para a Raposa. Gol de Natal.

E a torcida do Cruzeiro comentava, irônica:

"Time que fica no Taquaril, o lugar mais azarado do mundo, tem que apanhar!"

Pois o Santos se concentrara no Taquaril.

Reduto do... Galo.

O primeiro tempo terminou 5 x 0.

Pelé olhava a tudo. Impotente.

"No Pacaembu tem volta!"

Não teve.

O Cruzeiro chegou a São Paulo.

O técnico Lula disse que tinha um tostão no bolso.

E no primeiro tempo, parecia mesmo.

O Santos meteu 2 x 0.

Pelé e Toninho.

E olha que ainda teve milagre de Raul.

Bola na trave chutada pelo centroavante santista.

Fatura liquidada?

Talvez.

12' do segundo tempo e pênalti em Evaldo.

Tostão pega a pelota, corre e... perde.

Tostão olha pros céus.

Seis minutos depois, reescreve a própria história.

De falta, diminui: Santos 2 x 1 Cruzeiro.

O jogo pega fogo.

Dirceu Lopes empata aos 28'.

São Paulo fica em silêncio.

44' são decorridos.

Tostão dribla dois e encontra Natal, livre: Santos 2 x 3 Cruzeiro!


Foi o melhor Cruzeiro de todos os tempos.

Pois nunca houve um time como o Cruzeiro de 1966.

Lembrava, em muito, o Náutico do Hexa.

Pela ousadia de encarar o mundo com um bando de garotos.

Náutico que eliminou o Cruzeiro nas semifinais do ano seguinte.

Quis o destino, uma bolada atingisse Tostão.

O mineirinho que era bússola e mestre da Raposa.

Mineirinho que voltou a jogar, e foi embora um dia.

Coisas do Iustrich.

O estilo refinado do Cruzeiro não tornou a ganhar títulos nacionais.

Mas tornou-se sinônimo de beleza e refinamento.

Como os profetas de Aleijadinho.

E arte, a gente não discute.

Aplaude...


11 de nov. de 2008



Por ROBERTO VIEIRA

O relato a seguir pertence a um dos jogadores alvirrubros que eliminaram o Cruzeiro da Taça Brasil de 1967.




'Faziam um fantasma do Cruzeiro.

O time que venceu Pelé. O time que venceu Pelé.

Quando eles entraram no Mineirão eu confesso que tremi.

Foguetes, palavrões e um hippie de camisa amarela puxando a fila.

Nós éramos apenas uns meninos nordestinos.

Uns moleques brincando de jogar bola com essa turma do sul.

Olhei o Dirceu Lopes. Menor que eu.

O Natal também.

E Tostão.

Tostão não metia medo em ninguém.

Mas foi só a bola rolar e eles vieram pra cima de nós. Tocando a bola.

De pé em pé.

Eles não estavam preocupados conosco. E isso era bom.

Com pouco tempo o Mineirão se calou.

Os mineiros ficaram em silêncio.

Que é o jeito mineiro de ganhar da gente.

Como eu ia dizendo, eles vieram pra cima com aqueles toques.

Ainda lembro o grito de Tostão e Dirceu Lopes quando a bola venceu Lula Monstrinho.

O Mineirão explodiu.

Recife emudeceu.

Eles eram os campeões brasileiros.

Nós perdemos por 2x1.

Pra gente estava tudo igual.

Mas quando lemos os jornais do dia seguinte a imprensa não acreditava na gente.

Seu Duque olhou na cara da gente e não disse nada.

Nem precisava.

Eu tive pena do Cruzeiro.

Falo sério.

Eles já estavam derrotados antes mesmo do segundo jogo.

Apenas pelo nosso olhar.

Ilha do Retiro estava lotada.

Gente saindo pelo ladrão.

A gente marcava o meio, mas no Mineirão os gols sairam do Natal e do Hilton.

Os pontas.

Mas naquela noite não tinha Natal.

Nem São João.

Lala mandou uma bomba no ângulo de Raul. Gol.

Miruca bateu um pênalti.

Bola de um lado. Raul do outro.

3x0!

No Campeão do Brasil.

E agora bastava um empate na sexta-feira.

Um empate.

E então nós olhamos pra Lula.

E Lula disse que não ia passar nada.

Não sou bom com as palavras.

Não consigo descrever o que vai na minha cabeça.

Eu atacava. Eles atacavam.

Parecia aqueles filmes de guerra que passavam no São Luís.

O jogo durou horas.

Eles foram se perdendo nas mãos de Lula.

Tragados pelo Monstro.

Quando a gente viu tava ganho.

E começou a briga.

O Manuelzinho levou uma bolacha no pé do ouvido.

Todo mundo brigou, menos eu.

Eu fiquei pensando que não tinha Santos. Não tinha Cruzeiro.

Só tinha o Náutico no mundo.

Porque naquele instante eu era um campeão do mundo.

Vestido de vermelho e branco.'




1 de out. de 2008



Final da Taça Brasil de 1967. Náutico x Palmeiras


Assisti em silêncio um jogo que nunca imaginei assistir.

Graças a Jovem Pan e ao Canal 100.

Graças a Marcelo Cavalcante do Blog do Torcedor.

O filme do Canal 100 da final da Taça Brasil 1967.

O dia em que um dilúvio carioca parou o Clube Náutico Capibaribe.

Aos interessados, cliquem na imagem acima.

É simplesmente imperdível!

Náutico/PE: Válter Serafim; Gena, Mauro, Fraga e Clóvis; Rafael e Ivan; Miruca, Ladeira, Nino e Lala. Técnico: Duque.

Palmeiras: Perez; Geraldo Scaleira, Baldocchi, Minuca e Ferrari; Dudu e Zequinha; César, Ademir da Guia, Tupãzinho e Lula. Técnico: Mário Travaglini.


28 de set. de 2008



Djalma Santos, Valdir, Minuca, Djalma Dias, Zequinha, Ferrar,
Galhardo, Dario, Servilho, Ademir da Guia, Rinaldo


Fleitas Solich olha o campo desconsolado. Outubro de 1966.

A Academia acabara de levar pau.

O Clube Náutico Capibaribe assumia a cátedra. Surpreendia os sábios.

Invertia o mapa do Brasil.

O time do Palmeiras em 1966 era fabuloso.

Campeão paulista sob o reinado de Pelé.

No ano anterior vestira a camisa da seleção brasileira no Mineirão.

E goleara o Uruguai por 3 x 0.

O que dizer de um meio campo com Dudu e Ademir da Guia?

Apenas aplaudir de pé.

Mas o que escrever sobre um meio campo com Ivan?

Ivan que sozinho desmontou o alviverde paulista?

Ou de uma defesa com Djalma Santos e Djalma Dias?

Defesa que levou três gols de Nino e Bita?

Bita que aplicou uma série de fintas desconcertantes em todo mundo que ousava vestir verde em campo?

Bita que recebeu a bola no meio de campo, driblou Dudu e Ademir, passou como um foguete por Minuca, enganou Djalma Dias com uma finta de corpo e mandou um foguete na saída do arqueiro Maidana?

Gol digno de placa nos Aflitos.

Eu não ouso dizer nada sobre esse time.

Time que entrou em campo com a bandeira do sagrado estado de Pernambuco em punho.

Nas mãos dos mascotes.

Resta apenas repetir as palavras do técnico palmeirense para o craque Dudu no final do jogo:

"Dudu, esse time é mal-assombrado!"


16 de ago. de 2008



[IMAGEM]

Quando o Náutico assombrava o Brasil derrotando quem passava pela frente na Taça Brasil de 1967, o Goiás fazia sua estréia em torneios nacionais, um ano depois de se sagrar campeão goiano pela primeira vez.

É desclassificado na primeira fase em um grupo que tinha o Rabelo-DF, o Goytacaz-RJ e o Rio Branco-ES.

Dezesseis anos depois as equipes se enfrentaram no Arruda. 31.184 alvirrubros foram assistir ao jogo.

Presenciaram um massacre.

Se o Náutico não tinha Ivan. Tinha Lourival. No lugar de Bita, Baiano. Pra quem lembrava de nado, a velocidade de Mirandinha.

O Náutico formou com Pimenta; Vilson, Flávio, Ivan e Albéris; Lourival, Manguinha e Baiano; Heider, Mirandinha e Zé Ronaldo.

O Goiás alinhou Gilberto; Vinicius, Paulo, Marcelo e Túlio; Carlos Alberto, Luvanor e Washington; Cacau (Bill), Dadá Maravilha e Williams (Nei).

O jogo começou equilibrado sem perigo de gol até que Zé Ronaldo cobra um escanteio e o zagueiro Ivan escora de cabeça: 1x0.

O Náutico prossegue martelando e em um chute de Vilson Cavalo, Gilberto pratica um milagre.

Aos 44’ um contra ataque com quatro jogadores do Timbu termina com Heider tocando por cima do travessão.

1x0 era pouco. No segundo tempo os cinco primeiros minutos são de pressão do time da Fazenda Macambira.

Três grandes defesas de Pimenta. Mas foi só. Aos 6’ Mirandinha chuta de primeira e a bola passa raspando.

Aos 7’ uma cabeçada de Zé Ronaldo também tira tinta da trave.

Então aos 15 Mirandinha arranca pela esquerda, bate o zagueiro e chuta forte, cruzado: 2x0.

25’ Flavio bate falta e Gilberto manda a escanteio.

Na cobrança a defesa rebate e Manguinha chuta forte no rebote sem chances de defesa: 3x0. As jogadas aéreas com Dario não surtem efeito.

Timbu não tem medo de beija flor, nem de periquito.

Aos 35’ Zé Ronaldo dribla o marcador e olha para a área. Cruza. O pequeno Mirandinha toma o lugar de Dadá Maravilha e para no ar: 4x0!

O time dos 33 torcedores entra na roda e leva um olé de trinta mil alvirrubros.

No final Dario passa o cetro para Mirandinha. Que ainda ia aprontar muito naquele ano.


9 de ago. de 2008





16 de novembro de 1966.

A maior atuação de uma equipe do Náutico e de Pernambuco na história.

Diante da representação alvirrubra uma equipe mítica: O Santos de Pelé nas semifinais da VIII Taça Brasil.

Para os mais jovens é difícil descrever o poderio do Santos.

A sua chegada nas principais capitais do mundo só tinha paralelo na época com a chegada dos Beatles.

Pelé rivalizava com John Lennon e Paul McCartney como a personalidade mais conhecida na Terra.

O Santos era pentacampeão brasileiro e rumava para o Hexa.

Na Libertadores e no Campeonato Mundial, Boca Juniors, Peñarol, Benfica e Milan ficaram de joelhos ante as camisas brancas de Vila Belmiro.

De vez em quando, apenas uma equipe sobressaía sobre o time do Rei: O Palmeiras.

Quando o Náutico eliminou o Palmeiras nas quartas-de-final, o país imaginou que o resto do campeonato era mero cumprimento de tabela. Não foi.

Esqueceram de avisar Silvio Tasso Lasalvia. A torcida o conhecia como Bita. Gilmar, o goleiro do Santos e da seleção jamais o esqueceria.

O Timbu sob a direção de Duque formou com Aloísio Linhares; Gena, Mauro, Fraga e Clóvis; Zé Carlos e Gilson Costa; Ivan, Miruca, Bita e Nino.

O Santos vinha com Gilmar, Pelé, Pelé, Pelé e Toninho Guerreiro. Aliás, os dois artilheiros da Taça Brasil de 66, Bita e Toninho jogaram uma enormidade.

A bola rolou. Bita fez 1x0. Pelé chutou na trave. Toninho Guerreiro empatou. Bita desempatou no final do primeiro tempo: 2x1.

Os radialistas gritavam que era só uma questão de tempo.

Mas os palmeirenses, silenciosos em suas casas, pareciam antever a mesma tempestade de gols que causou a expulsão do divino Ademir da Guia em Recife.

As equipes retornaram para o segundo tempo.

O Náutico marcou, o Santos reagiu, Miruca aumentou, Toninho diminuiu e prosseguiram assim até o final do jogo como dois boxeadores de peso galo.

O juiz Armando Marques ameaçou expulsar Pelé que não entendia o que estava se passando.

Parecia que o maior time do mundo era pernambucano. 3x1. 3x2. 4x2. 4x3. 5x3!

Fraga anulou o Rei.

Meia-noite. A noite do Recife é longa. Nos jornais, as manchetes já prontas começam a ser reescritas.

De São Paulo, o então repórter esportivo Francisco José manda um texto emocionado.

Fogos acordam a cidade. Gilmar declara aos jornais que nunca alguém tinha marcado quatro gols nele em toda sua vida de goleiro.

Anos depois, no programa Cartão Verde da TV Cultura, perguntaram ao Rei Pelé quais os maiores times que ele conhecera.

Sua resposta relembra aquela noite de novembro em São Paulo:

"O Palmeiras de Ademir, o Cruzeiro de Tostão... e o Náutico de Bita!"