POR ROBERTO VIEIRA
... o relato a seguir é o depoimento de um dos jogadores alvirrubros das 3 partidas que eliminaram o Cruzeiro da Taça Brasil de 1967.
'Faziam fantasma do Cruzeiro.
O time que venceu Pelé. O time que venceu Pelé.
Quando eles entraram no Mineirão, confesso que tremi.
Foguetes, palavrões e um hippie de camisa amarela puxando a fila.
Nós éramos apenas uns meninos nordestinos metidos a besta.
Uns moleques brincando de jogar bola com essa turma do sul.
Olhei o Dirceu Lopes. Menor que eu.
O Natal também.
E Tostão.
Tostão não metia medo em ninguém.
Mas foi só a bola rolar e eles vieram pra cima de nós. Tocando a bola.
De pé em pé.
Eles não estavam preocupados conosco. E isso era bom.
Com pouco tempo o Mineirão se calou.
Os mineiros ficaram em silêncio.
Que é o jeito mineiro de ganhar da gente.
Como eu ia dizendo, eles vieram pra cima com aqueles toques.
Ainda lembro o grito de Tostão e Dirceu Lopes quando a bola venceu Lula Monstrinho.
O Mineirão explodiu.
Recife emudeceu.
Eles eram os campeões brasileiros.
Nós perdemos por 2x1.
Pra gente estava tudo igual.
Mas quando lemos os jornais do dia seguinte a imprensa não acreditava na gente.
Seu Duque olhou na cara da gente e não disse nada.
Nem precisava.
Eu tive pena do Cruzeiro.
Falo sério.
Eles já estavam derrotados antes mesmo do segundo jogo.
Apenas pelo nosso olhar.
A Ilha do Retiro estava lotada.
Gente saindo pelo ladrão.
A gente marcava o meio, mas no Mineirão os gols sairam do Natal e do Hilton.
Os pontas.
Mas naquela noite não tinha Natal.
Nem São João.
Lala mandou uma bomba no ângulo de Raul. Gol.
Miruca bateu um pênalti.
Bola de um lado. Raul do outro.
3x0!
No Campeão do Brasil.
E agora bastava um empate na sexta-feira.
Um empate.
E então nós olhamos pra Lula.
E Lula disse que não ia passar nada.
Não sou bom com as palavras.
Não consigo descrever o que vai na minha cabeça.
Eu atacava. Eles atacavam.
Parecia aqueles filmes de guerra que passavam no São Luís.
O jogo durou horas.
Eles foram se perdendo nas mãos de Lula (FOTO).
Tragados pelo Monstro.
Quando a gente viu tava ganho.
E começou a briga.
O Manuelzinho levou uma bolacha no pé do ouvido.
Todo mundo brigou, menos eu.
Eu fiquei pensando que não tinha Santos. Não tinha Cruzeiro.
Só tinha o Náutico no mundo.
Porque naquele instante eu era campeão do mundo.
Vestido de vermelho e branco.'
O time que venceu Pelé. O time que venceu Pelé.
Quando eles entraram no Mineirão, confesso que tremi.
Foguetes, palavrões e um hippie de camisa amarela puxando a fila.
Nós éramos apenas uns meninos nordestinos metidos a besta.
Uns moleques brincando de jogar bola com essa turma do sul.
Olhei o Dirceu Lopes. Menor que eu.
O Natal também.
E Tostão.
Tostão não metia medo em ninguém.
Mas foi só a bola rolar e eles vieram pra cima de nós. Tocando a bola.
De pé em pé.
Eles não estavam preocupados conosco. E isso era bom.
Com pouco tempo o Mineirão se calou.
Os mineiros ficaram em silêncio.
Que é o jeito mineiro de ganhar da gente.
Como eu ia dizendo, eles vieram pra cima com aqueles toques.
Ainda lembro o grito de Tostão e Dirceu Lopes quando a bola venceu Lula Monstrinho.
O Mineirão explodiu.
Recife emudeceu.
Eles eram os campeões brasileiros.
Nós perdemos por 2x1.
Pra gente estava tudo igual.
Mas quando lemos os jornais do dia seguinte a imprensa não acreditava na gente.
Seu Duque olhou na cara da gente e não disse nada.
Nem precisava.
Eu tive pena do Cruzeiro.
Falo sério.
Eles já estavam derrotados antes mesmo do segundo jogo.
Apenas pelo nosso olhar.
A Ilha do Retiro estava lotada.
Gente saindo pelo ladrão.
A gente marcava o meio, mas no Mineirão os gols sairam do Natal e do Hilton.
Os pontas.
Mas naquela noite não tinha Natal.
Nem São João.
Lala mandou uma bomba no ângulo de Raul. Gol.
Miruca bateu um pênalti.
Bola de um lado. Raul do outro.
3x0!
No Campeão do Brasil.
E agora bastava um empate na sexta-feira.
Um empate.
E então nós olhamos pra Lula.
E Lula disse que não ia passar nada.
Não sou bom com as palavras.
Não consigo descrever o que vai na minha cabeça.
Eu atacava. Eles atacavam.
Parecia aqueles filmes de guerra que passavam no São Luís.
O jogo durou horas.
Eles foram se perdendo nas mãos de Lula (FOTO).
Tragados pelo Monstro.
Quando a gente viu tava ganho.
E começou a briga.
O Manuelzinho levou uma bolacha no pé do ouvido.
Todo mundo brigou, menos eu.
Eu fiquei pensando que não tinha Santos. Não tinha Cruzeiro.
Só tinha o Náutico no mundo.
Porque naquele instante eu era campeão do mundo.
Vestido de vermelho e branco.'

Arretado,uai!
ResponderExcluirO cara faltou lembrar que lá no Mineirão, depois de eliminar o Atlético, por economia, a CBF marcou o primeiro jogo contra o Cruzeiro para cinco dias depois, lá mesmo. O Náutico com uma só viagem para Belo Horizonte, cumpria os dois compromissos, contra o Galo e a Raposa. E que no jogo contra o Cruzeiro, o terceiro do Náutico na capital mineira em uma semana, estava 1x1 até o finzinho, quando Gena, talvez querendo caprichar na jogada, tinha esse direito, em vez de bola pro mato que o jogo é de campeonato, foi sair com a bola limpa de dentro da área, um cara azul-estrelado robou a bola e saiu o gol da vitória deles. Aqui, eles dançaram o xaxado. O resto é história.
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