
Por ROBERTO VIEIRA
Nunca houve um time como aquele.
Nem mesmo o Santos de Pelé.
Santos de Pelé, pentacampeão brasileiro.
Sucumbindo ao talento dos meninos de Minas.
Final de 1966.
O Cruzeiro surpreende o Brasil.
Vence a primeira batalha contra o Santos no Mineirão: 6 x 2.
Um show de bola de Tostão e Dirceu Lopes.
Piazza e Evaldo.
Natal e Dirceu Lopes.
Show de bola previsto nas filas do Café Palhares.
Ou na compra antecipada de ingresso na Casa Superball.
A torcida do Galo ocupou 2/3 do Mineirão.
Soltou fogos na entrada do Santos.
E foi só.
Com 5' estava 2 x 0 para a Raposa. Gol de Natal.
E a torcida do Cruzeiro comentava, irônica:
"Time que fica no Taquaril, o lugar mais azarado do mundo, tem que apanhar!"
Pois o Santos se concentrara no Taquaril.
Reduto do... Galo.
O primeiro tempo terminou 5 x 0.
Pelé olhava a tudo. Impotente.
"No Pacaembu tem volta!"
Não teve.
O Cruzeiro chegou a São Paulo.
O técnico Lula disse que tinha um tostão no bolso.
E no primeiro tempo, parecia mesmo.
O Santos meteu 2 x 0.
Pelé e Toninho.
E olha que ainda teve milagre de Raul.
Bola na trave chutada pelo centroavante santista.
Fatura liquidada?
Talvez.
12' do segundo tempo e pênalti em Evaldo.
Tostão pega a pelota, corre e... perde.
Tostão olha pros céus.
Seis minutos depois, reescreve a própria história.
De falta, diminui: Santos 2 x 1 Cruzeiro.
O jogo pega fogo.
Dirceu Lopes empata aos 28'.
São Paulo fica em silêncio.
44' são decorridos.
Tostão dribla dois e encontra Natal, livre: Santos 2 x 3 Cruzeiro!
Foi o melhor Cruzeiro de todos os tempos.
Pois nunca houve um time como o Cruzeiro de 1966.
Lembrava, em muito, o Náutico do Hexa.
Pela ousadia de encarar o mundo com um bando de garotos.
Náutico que eliminou o Cruzeiro nas semifinais do ano seguinte.
Quis o destino, uma bolada atingisse Tostão.
O mineirinho que era bússola e mestre da Raposa.
Mineirinho que voltou a jogar, e foi embora um dia.
Coisas do Iustrich.
O estilo refinado do Cruzeiro não tornou a ganhar títulos nacionais.
Mas tornou-se sinônimo de beleza e refinamento.
Como os profetas de Aleijadinho.
E arte, a gente não discute.
Aplaude...

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