13 de nov. de 2008



Cruzeiro de 1966
Em pé: Neco, Pedro Paulo, William, Procopio, Piazza e Raul.
Agachados: Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira.


Por ROBERTO VIEIRA


Nunca houve um time como aquele.

Nem mesmo o Santos de Pelé.

Santos de Pelé, pentacampeão brasileiro.

Sucumbindo ao talento dos meninos de Minas.

Final de 1966.

O Cruzeiro surpreende o Brasil.

Vence a primeira batalha contra o Santos no Mineirão: 6 x 2.

Um show de bola de Tostão e Dirceu Lopes.

Piazza e Evaldo.

Natal e Dirceu Lopes.

Show de bola previsto nas filas do Café Palhares.

Ou na compra antecipada de ingresso na Casa Superball.

A torcida do Galo ocupou 2/3 do Mineirão.

Soltou fogos na entrada do Santos.

E foi só.

Com 5' estava 2 x 0 para a Raposa. Gol de Natal.

E a torcida do Cruzeiro comentava, irônica:

"Time que fica no Taquaril, o lugar mais azarado do mundo, tem que apanhar!"

Pois o Santos se concentrara no Taquaril.

Reduto do... Galo.

O primeiro tempo terminou 5 x 0.

Pelé olhava a tudo. Impotente.

"No Pacaembu tem volta!"

Não teve.

O Cruzeiro chegou a São Paulo.

O técnico Lula disse que tinha um tostão no bolso.

E no primeiro tempo, parecia mesmo.

O Santos meteu 2 x 0.

Pelé e Toninho.

E olha que ainda teve milagre de Raul.

Bola na trave chutada pelo centroavante santista.

Fatura liquidada?

Talvez.

12' do segundo tempo e pênalti em Evaldo.

Tostão pega a pelota, corre e... perde.

Tostão olha pros céus.

Seis minutos depois, reescreve a própria história.

De falta, diminui: Santos 2 x 1 Cruzeiro.

O jogo pega fogo.

Dirceu Lopes empata aos 28'.

São Paulo fica em silêncio.

44' são decorridos.

Tostão dribla dois e encontra Natal, livre: Santos 2 x 3 Cruzeiro!


Foi o melhor Cruzeiro de todos os tempos.

Pois nunca houve um time como o Cruzeiro de 1966.

Lembrava, em muito, o Náutico do Hexa.

Pela ousadia de encarar o mundo com um bando de garotos.

Náutico que eliminou o Cruzeiro nas semifinais do ano seguinte.

Quis o destino, uma bolada atingisse Tostão.

O mineirinho que era bússola e mestre da Raposa.

Mineirinho que voltou a jogar, e foi embora um dia.

Coisas do Iustrich.

O estilo refinado do Cruzeiro não tornou a ganhar títulos nacionais.

Mas tornou-se sinônimo de beleza e refinamento.

Como os profetas de Aleijadinho.

E arte, a gente não discute.

Aplaude...



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