6 de dez. de 2008



Matéria de um jornal paulista sobre a partida Santos 3 x 5 Náutico

Todo clube tem sua jóia rara.

O instante em que tornou-se grande.

O jogo em que mostrou ao que veio.

No caso do Náutico, tal momento acontece contra o Santos de Pelé em 1966.

O dia em que fomos reis.

Cresci com a lenda.

A primeira vez que li sobre a partida, eu tinha dez anos.

Numa revista Placar.

Lá estava: Náutico 5 a 3!

"Bita fez a festa pernambucana!"


O jogo me acompanhou pela vida e pelas desventuras do meu clube.

Pois, a década de 60 permanece utópica. Mitológica.

Nunca mais uma partida superou aqueles 90 minutos.

Nem a vitória sobre o Cruzeiro em 1967.

Nem mesmo a final contra o Sport em 1968.

Muito menos, os títulos, raros, das décadas seguintes.

A paixão pelo jogo me levou longe.

Eu queria saber o impacto do jogo entre os paulistas.

E, apaixonado, fui visitar o Arquivo Público de São Paulo.

Arquivo imenso, localizado numa antiga fábrica de... tapetes.

(Fato curioso, eles numa fábrica de tapetes, já a gente constrói arquivo numa antiga prisão...)

E lá estava o jogo.

Em preto e branco.

Com Pelé passando em brancas nuvens.


Com o Estado de S. Paulo ironizando:

"Rei de mãos ao alto!"

Uma referência aos 4 gols do Homem do Rifle, Bita, nas redes de Gilmar.

Lá estava também, o abraço emocionado de Duque em seus comandados.


O Náutico faz parte da história do futebol brasileiro.

Não como um time qualquer.

Mas como um time grande. Antológico.

Antológico porque ousou desafiar o destino.

Ousou golear o mito.

Ousou ser Rei.

Os gols e as glórias do Náutico estão nos arquivos da vida e do futebol.

Serão as únicas glórias?

Talvez sim.

Talvez não.

Transpondo os portões do arquivo paulista, no inusitado frio de setembro, tive a certeza:

O passado não era um sonho.

E o futuro?

O futuro, meus amigos, pertence ao sonho.

Se o sonho de vitória ainda mora em Rosa e Silva.

Ou se o sonho, foi embora pra nunca mais voltar.

Com a resposta, a torcida e os dirigentes dos Aflitos...

Enquanto isso, uma nota do destino.

O Museu do Futebol se ergue no Pacaembu.

E daí?

O mesmo Pacaembu, palco do 5 x 3 de 1966.

Uma feliz coincidência dos deuses do futebol?

Ou nem tudo é coincidência nessa vida?



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