
Todo clube tem sua jóia rara.
O instante em que tornou-se grande.
O jogo em que mostrou ao que veio.
No caso do Náutico, tal momento acontece contra o Santos de Pelé em 1966.
O dia em que fomos reis.
Cresci com a lenda.
A primeira vez que li sobre a partida, eu tinha dez anos.
Numa revista Placar.
Lá estava: Náutico 5 a 3!
"Bita fez a festa pernambucana!"
O jogo me acompanhou pela vida e pelas desventuras do meu clube.
Pois, a década de 60 permanece utópica. Mitológica.
Nunca mais uma partida superou aqueles 90 minutos.
Nem a vitória sobre o Cruzeiro em 1967.
Nem mesmo a final contra o Sport em 1968.
Muito menos, os títulos, raros, das décadas seguintes.
A paixão pelo jogo me levou longe.
Eu queria saber o impacto do jogo entre os paulistas.
E, apaixonado, fui visitar o Arquivo Público de São Paulo.
Arquivo imenso, localizado numa antiga fábrica de... tapetes.
(Fato curioso, eles numa fábrica de tapetes, já a gente constrói arquivo numa antiga prisão...)
E lá estava o jogo.
Em preto e branco.
Com Pelé passando em brancas nuvens.
Com o Estado de S. Paulo ironizando:
"Rei de mãos ao alto!"
Uma referência aos 4 gols do Homem do Rifle, Bita, nas redes de Gilmar.
Lá estava também, o abraço emocionado de Duque em seus comandados.
O Náutico faz parte da história do futebol brasileiro.
Não como um time qualquer.
Mas como um time grande. Antológico.
Antológico porque ousou desafiar o destino.
Ousou golear o mito.
Ousou ser Rei.
Os gols e as glórias do Náutico estão nos arquivos da vida e do futebol.
Serão as únicas glórias?
Talvez sim.
Talvez não.
Transpondo os portões do arquivo paulista, no inusitado frio de setembro, tive a certeza:
O passado não era um sonho.
E o futuro?
O futuro, meus amigos, pertence ao sonho.
Se o sonho de vitória ainda mora em Rosa e Silva.
Ou se o sonho, foi embora pra nunca mais voltar.
Com a resposta, a torcida e os dirigentes dos Aflitos...
Enquanto isso, uma nota do destino.
O Museu do Futebol se ergue no Pacaembu.
E daí?
O mesmo Pacaembu, palco do 5 x 3 de 1966.
Uma feliz coincidência dos deuses do futebol?
Ou nem tudo é coincidência nessa vida?


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