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31 de jul. de 2013





Não sei onde ele está.

Ano que vem completa 40 anos.

Nasceu naquele 13 de junho de 1974.

Brasil estreava na Copa.

Maternidade Barros Lima.

Brasil empatando com a Iugoslávia.

Rivelino chegando ao mundo.

Pois é.

Foi batizado Rivelino.

Foto publicada nos jornais.

E não sei onde ele está.

Ano que vem?

Completa 40 anos...


6 de abr. de 2013





Termina a final de 70.

E a cada nova criança nesse Brasil.

Multiplicam-se os nomes dos tricampeões.

Na Bahia?

A foto histórica:

Rivelino, Jair e Gérson.

Cada um deles virou craque de futebol.

Na imparcial opinião de suas genitoras...




21 de mar. de 2013




Givanildo, Zico e Rivelino.

Eu chegando da aula no Brasil-Estados Unidos.

E as bolas entrando.

Com Búfalo Gil...




31 de jan. de 2013






Há 40 anos.

Discutia-se o cabelo no futebol.

Antes de Passarella.

Depois do musical.

O Santos mandou todo mundo aparar a juba.

Senão ficava em casa.

Não viajava pra Europa.

Nos jornais, as opiniões se dividiam.

Telê falava em democracia.

Rivelino falava que deixaria o seu mais comprido ainda.

Forlan afirmava socraticamente:

'Futebol se joga com os pés...'

Leão se defendia dizendo que era jovem.

Ninguém percebia.

Mas o cabelo militar da Copa de 70.

Cedia lugar ao encaracolado Marinho Chagas em 1974.

Era o protesto permitido.

Em uma sociedade fechada hermeticamente aos neurônios.

Afonsinho de longe, ria.

I've got my hair...

11 de jan. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA         


Deus sempre teve compaixão dos canhotos.

Principalmente depois da conexão com os porões.

Canhoto não tinha nada a ver com porão.

Belzebu era destro.

Mas o bicho homem cismou com a esquerda.

Muito antes da Revolução Francesa.

Deus então reagiu.

Seria irônico.

Canhoto bom de bola?

Craque.

Infernal – no bom sentido.

Rivelino e seu elástico.

Puskas e seu petardo.

Tostão e seus neurônios.

Os dribles do menino Edu.

A eternidade de Conti.

O desligamento de Resenbrink.

As diabruras do Rivaldo.

Hagi.

Stoichkov.

Ailton Lira.

Caprichando ainda mais.

Os marechais de Marta.

Os tangos do Maradona.

As bolinhas do Messi.

Messi que brinca de bater um bolão.

Tudo ia muito bem.

Até que o Divino observou a perfeição de sua obra.

Só bola de pé em pé.

Só gol de placa.

E perfeição é atributo divino.

Canhoto ia virar Deus.

Aquilo já tinha dado muita confusão com Joana D’Arc.

Deus foi singelo.

Canhoto no futebol pode tudo.

Mas quando for cabecear vira perna de pau.

E ponto final...


19 de ago. de 2012





1 de jul. de 2012





O jogador da Lusa.

Fraturou a perna numa dividida com Rivelino.

Quem é o jogador?


A - Ratinho


B - Cabinho


C - Piau


D - Lorico


E - Roberto

7 de jul. de 2008




A Copa do Mundo de 1974 tem nome, sobrenome e número:

Johan Cruyjff, o número 14 da seleção holandesa.

Dono e protagonista do espetáculo. Inventor do carrossel holandês. Tri-campeão europeu.

Cruyjff jamais foi campeão mundial.

A Alemanha de Beckembauer e Müller era um rival mortal.

No dia 7 de julho de 1974, Johan sucumbiu à marcação de Berti Vogts.

O futebol mágico dos holandeses foi derrotado.

E os pragmáticos do esporte respiraram aliviados.

Desde então, sempre que aparece uma Dinamarca girando em círculos, um adepto do realismo sentencia:

"Bonitinha, mas ordinária!"

Cada um sabe de si.

Bom mesmo foi a preparação do Brasil para a Copa de 74.

Que incluiu um jogo contra o Haiti em Brasília num sábado à noite.

Com Marinho Chagas e Rivelino comandando o 4 x 0.

Perguntado sobre enfrentar a Holanda ou a Polônia antes da Copa, Zagallo, técnico do Brasil de então, fez um ar de desprezo.

Preferiu continuar treinando o Flamengo em jogos do Campeonato Nacional.

Flamengo que terminou entre os últimos no campeonato de 1973.


8 de jun. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA


O futebol já viu o soco no ar de Pelé.

O futebol já viu o braço erguido de Sócrates.

O futebol já viu o sinal da cruz de Petras.

O futebol já viu o porco de Viola.

O futebol já viu o dedo de Ronaldo.

O futebol já viu a cambalhota de Romeu.

O futebol já viu o vôo suicida de André Catimba.


O futebol já viu as mãos erguidas ao céus de Kaká.

O futebol já viu o sorriso de Garrincha.

O futebol já viu o sinal de paz e amor de Mickey.

O futebol já viu a careta de Maradona.

O futebol já viu a explosão de Rivelino.



O futebol já viu o desmaio de Hohberg.

O futebol já viu o silêncio de Paul Breitner.

Mas hoje, na Ilha do Retiro no jogo Sport x Palmeiras o futebol foi apresentado ao inusitado.

O jogador Luciano Henrique após marcar o primeiro gol rubro negro foi cumprimentar o chefe do policamento.


Se a moda pega...


17 de mai. de 2008









Em 1975 ocorreu uma pequena revolução no futebol brasileiro. O Fluminense, clube aristocrático, que desde a década de 50 se acostumara a ser campeão com times modestos e contas em dia viu chegar ao poder Francisco Horta. E Horta convenceu os tricolores a montar um supertime. Eles compraram Rivelino ao Corinthians e com mais um punhado de craques imitaram o esquadrão do River Plate na década de 40/50. Estava criada 'A MÁQUINA'.

Foram campeões cariocas de 75 e terceiro lugar no Brasileiro 75 barrados em suas pretensões pelo Inter de Falcão. Novamente campeões cariocas em 76, desta vez caminhavam quase imbatíveis no Campeonato Brasileiro.

Porém no dia 17 de novembro em Recife uma explosão aguardava os bicampeões cariocas.

Numa pequena manchete dos jornais do dia 15 de novembro o técnico do Náutico, Valdemar Carabina, antigo jogador do Palmeiras, anunciava a contusão de Sidclei que seria substituído por Geraílton. No comando do ataque o atacante Mario teria que dar lugar a um ex-juvenil que voltara recentemente de um empréstimo ao Botafogo da Paraíba. Em João Pessoa ele ganhara um estranho apelido: Chico Explosão. Não pelo gênio explosivo, era até muito desligado. Mas pela facilidade em fazer gols. Sua história, façanha e brevidade, guardam muitas semelhanças com a de outro centroavante dos anos 70: Fio Maravilha.

Noite. Estádio do Arruda. 7.843 pagantes. Juiz Dulcídio Vanderlei Boschila.

O Náutico atuou com Luís Fernando; Borges, Beliato, Geraílton e Clésio; Ednaldo, Toninho e Zé Maria; Dedeu, Chico e Marquinhos. O ponto alto da equipe eram os dois pontas, como já não se via muito no futebol brasileiro.

O Fluminense escalou Renato; Carlos Alberto Torres, Miguel, Edinho e Rodrigues Neto; Pintinho, Paulo Cesar e Rivelino; Gil, Luís Alberto e Dirceu. Dez jogadores vestiam a camisa da seleção brasileira. Só faltou Doval, ex-seleção argentina. Mesmo assim Luís Alberto era o centroavante da seleção brasileira juvenil.

Aos 18’ Rivelino bate uma falta e solta a sua patada atômica famosa em duas copas do mundo. 0x1. As emissoras de rádio falavam em possibilidade de goleada. Os próximos 30 minutos tornariam Chico em um personagem famoso em todo o Brasil.

O Fluminense é engolido pelo meio-campo do Náutico. Clésio cola em Gil que não consegue espaço para receber os lançamentos de Rivelino. Beliato faz a melhor partida de sua carreira, e olha que ele só jogava o fino. Dedeu entorta Rodrigues Neto e cruza, a bola passa como um foguete pela pequena área. Quando vai sair para escanteio o pé de Marquinhos a detém. São 26’, Marquinhos tem diante de si o capitão do tri, Carlos Alberto. No momento seguinte ele já está livre, Carlos Alberto é fintado sem respeito algum, o ponta alvirrubro levanta a cabeça e vê aquele menino lançado em 1973 por João Avelino correndo. Não pensa duas vezes e cruza. A bola vai passando por Chico, mas de repente ele chegou como um felino dando uma meia bicicleta contra a meta tricolor. Silêncio no país. A bola estufa as redes. Edinho olha para Miguel: 1x1. Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa.

37’ Zé Maria dribla Miguel e lança Chico na entrada da área. Do jeito que vem ele chuta com muito amor, com emoção em gol. As rádios de todo país anunciam a virada do Timbu. E a virada tem nome: Chico 2x1.

Aos 45’ Chico recebe a bola. Edinho avança sobre ele e é driblado, volta na marcação e é driblado pela segunda vez, Miguel vem na cobertura e não vê a cor da bola. Na saída de Renato, Chico toca a bola que vai mansamente para as redes do Fluminense. Só não entrou com bola e tudo porque teve humildade. 3x1!

Quem é ele? Perguntam os jornalistas cariocas.

Uma voz responde: ‘Chico Explosão!’ E a galera agradecida se encantava.

O segundo tempo é do Náutico e do goleiro Renato que opera milagres. Somente aos 36’ Rivelino consegue espaço e chuta na trave. Logo depois Dedeu cobra um escanteio e Chico bate de primeira num sem-pulo que tira lasca da trave.

O Fluminense acusa o golpe e mesmo se classificando para as semifinais não consegue vencer a invasão corintiana no Maracanã.

O menino ganha fama, o apelido Explosão toma conta da cidade e do país. O jogo ganha manchetes em todo Brasil. O técnico Mario Travaglini do Fluminense chega a falar em seleção brasileira. No entanto, como tantas e tantas pratas da casa deste rico futebol nacional, Chico Explosão ficou apenas na lembrança. Pois Chico era pouco, os estádios queriam a maravilha, a explosão.

E se hoje, outros craques repetem as suas jogadas, na memória alvirrubra ainda na rede balança o seu último gol...