17 de mai. de 2008









Em 1975 ocorreu uma pequena revolução no futebol brasileiro. O Fluminense, clube aristocrático, que desde a década de 50 se acostumara a ser campeão com times modestos e contas em dia viu chegar ao poder Francisco Horta. E Horta convenceu os tricolores a montar um supertime. Eles compraram Rivelino ao Corinthians e com mais um punhado de craques imitaram o esquadrão do River Plate na década de 40/50. Estava criada 'A MÁQUINA'.

Foram campeões cariocas de 75 e terceiro lugar no Brasileiro 75 barrados em suas pretensões pelo Inter de Falcão. Novamente campeões cariocas em 76, desta vez caminhavam quase imbatíveis no Campeonato Brasileiro.

Porém no dia 17 de novembro em Recife uma explosão aguardava os bicampeões cariocas.

Numa pequena manchete dos jornais do dia 15 de novembro o técnico do Náutico, Valdemar Carabina, antigo jogador do Palmeiras, anunciava a contusão de Sidclei que seria substituído por Geraílton. No comando do ataque o atacante Mario teria que dar lugar a um ex-juvenil que voltara recentemente de um empréstimo ao Botafogo da Paraíba. Em João Pessoa ele ganhara um estranho apelido: Chico Explosão. Não pelo gênio explosivo, era até muito desligado. Mas pela facilidade em fazer gols. Sua história, façanha e brevidade, guardam muitas semelhanças com a de outro centroavante dos anos 70: Fio Maravilha.

Noite. Estádio do Arruda. 7.843 pagantes. Juiz Dulcídio Vanderlei Boschila.

O Náutico atuou com Luís Fernando; Borges, Beliato, Geraílton e Clésio; Ednaldo, Toninho e Zé Maria; Dedeu, Chico e Marquinhos. O ponto alto da equipe eram os dois pontas, como já não se via muito no futebol brasileiro.

O Fluminense escalou Renato; Carlos Alberto Torres, Miguel, Edinho e Rodrigues Neto; Pintinho, Paulo Cesar e Rivelino; Gil, Luís Alberto e Dirceu. Dez jogadores vestiam a camisa da seleção brasileira. Só faltou Doval, ex-seleção argentina. Mesmo assim Luís Alberto era o centroavante da seleção brasileira juvenil.

Aos 18’ Rivelino bate uma falta e solta a sua patada atômica famosa em duas copas do mundo. 0x1. As emissoras de rádio falavam em possibilidade de goleada. Os próximos 30 minutos tornariam Chico em um personagem famoso em todo o Brasil.

O Fluminense é engolido pelo meio-campo do Náutico. Clésio cola em Gil que não consegue espaço para receber os lançamentos de Rivelino. Beliato faz a melhor partida de sua carreira, e olha que ele só jogava o fino. Dedeu entorta Rodrigues Neto e cruza, a bola passa como um foguete pela pequena área. Quando vai sair para escanteio o pé de Marquinhos a detém. São 26’, Marquinhos tem diante de si o capitão do tri, Carlos Alberto. No momento seguinte ele já está livre, Carlos Alberto é fintado sem respeito algum, o ponta alvirrubro levanta a cabeça e vê aquele menino lançado em 1973 por João Avelino correndo. Não pensa duas vezes e cruza. A bola vai passando por Chico, mas de repente ele chegou como um felino dando uma meia bicicleta contra a meta tricolor. Silêncio no país. A bola estufa as redes. Edinho olha para Miguel: 1x1. Foi um gol de anjo, um verdadeiro gol de placa.

37’ Zé Maria dribla Miguel e lança Chico na entrada da área. Do jeito que vem ele chuta com muito amor, com emoção em gol. As rádios de todo país anunciam a virada do Timbu. E a virada tem nome: Chico 2x1.

Aos 45’ Chico recebe a bola. Edinho avança sobre ele e é driblado, volta na marcação e é driblado pela segunda vez, Miguel vem na cobertura e não vê a cor da bola. Na saída de Renato, Chico toca a bola que vai mansamente para as redes do Fluminense. Só não entrou com bola e tudo porque teve humildade. 3x1!

Quem é ele? Perguntam os jornalistas cariocas.

Uma voz responde: ‘Chico Explosão!’ E a galera agradecida se encantava.

O segundo tempo é do Náutico e do goleiro Renato que opera milagres. Somente aos 36’ Rivelino consegue espaço e chuta na trave. Logo depois Dedeu cobra um escanteio e Chico bate de primeira num sem-pulo que tira lasca da trave.

O Fluminense acusa o golpe e mesmo se classificando para as semifinais não consegue vencer a invasão corintiana no Maracanã.

O menino ganha fama, o apelido Explosão toma conta da cidade e do país. O jogo ganha manchetes em todo Brasil. O técnico Mario Travaglini do Fluminense chega a falar em seleção brasileira. No entanto, como tantas e tantas pratas da casa deste rico futebol nacional, Chico Explosão ficou apenas na lembrança. Pois Chico era pouco, os estádios queriam a maravilha, a explosão.

E se hoje, outros craques repetem as suas jogadas, na memória alvirrubra ainda na rede balança o seu último gol...


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