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28 de jun. de 2014






Por ROBERTO VIEIRA

"El viento de la noche gira en el cielo y canta..." Pablo Neruda

Recife, 5 de setembro 1973. Elías Ricardo Figueroa senta no saguão do hotel e lê as manchetes dos jornais. Quinhentos atentados no Chile apenas no mês de agosto.  O vento da noite gira, mas o céu está silencioso. Ele larga os jornais e se debruça sobre aquele velho livro de poesias. Figueroa não consegue enxergar beleza nas vinte canções de amor. Ele agora é apenas uma canção desesperada.
O garoto Falcão passa por ele. Vai jogar com Paulo César no meio-de-campo. No lugar de Tovar. Figueroa pensa em conversar com ele, mas o menino acha que já sabe de tudo. E por vezes parece que sabe mesmo. Câncer Ricardo. Próstata. Um mês talvez, talvez mais, talvez menos. Albertina passeava pelos corredores de mãos dadas comigo.
"Confesso que vivi, Doutor"
Mas a morte, será a morte lenta e calma como a voz de Albertina? Alguma notícia de Salvador Allende? Noite de chuva. Calor. Um cruzamento de Valdomiro encontra Escurinho desmarcado: Internacional 1 x 0. A primeira vitória do Internacional naquele campeonato sem fim. Enquanto isso, mulheres brigam pelas ruas do Chile.
Falta comida. Falta gasolina. Falta Figueroa. No noticiário o General Pinochet, amigo de Salvador Allende, garante que tudo vai se resolver. Apolítico. Pinochet era apolítico. Claudomiro machucou-se contra o Paissandu. Resta Escurinho. Pouco importa, a defesa não toma gol mesmo. Apolítica.
Valparaíso, 11 de setembro. Figueroa ainda lembra a cidade onde nasceu. A roupa do Internacional se perde nos aeroportos deste país imenso. Quente. Sem fim. Eles chegam em Maceió para enfrentar o CRB.
Valparaíso, 11 de setembro. A marinha chilena ocupa Valparaíso. Figueroa ainda se recorda da cidade que nasceu. Mas de quem é esse ultimato? De Augusto Pinochet? Allende imagina que Pinochet estava preso. Novo cruzamento na área e gol de Borjão aos 40': 1x0. O massagista do time alagoano agride o juiz da partida. Como um carabinero. A defesa não toma gol. Apolítica. O canceriano Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto, mais conhecido como Pablo Neruda, sente uma dor no coração. Pensa escrever uma última poesia, mas a defesa é apolítica, inexpugnável. La Moneda. As imagens da TV mostram os aviões bombardeando o La Moneda. Os jornais anunciam que Allende se suicidou. Primavera. O Estádio Nacional do Chile se inunda com prisioneiros políticos. Rituais macabros de tortura. Fuzilamentos. O olhar perdido de Neruda alcança o Estádio Nacional. Um ano antes ele foi homenageado no estádio pelo povo do Chile. Como imaginar que aquele imenso tecido verde iria se manchar com sangue?
Neruda recorda-se de Figueroa. O imenso jogador recita seus poemas de cor.
Figueroa relê Neruda.
O maior zagueiro do mundo sabe que está numa encruzilhada, mas resta uma saída. O Internacional não vai liberá-lo para jogar pela seleção chilena. A URSS rompeu relações diplomáticas com o Chile. Ele não será chamado para cumprir seu dever pela pátria. O que Pablo pensaria daquilo? Um dos seus leitores trocando apertos de mão com aquele homem de bigode. Apolítico.
A foto chega. Soldados carregam o corpo de Allende envolvido por uma manta. Apenas os familiares lhe prestam o último adeus.
Pinochet liga para Médici. Quero Figueroa! Não gosto de futebol, mas o Chile irá enfrentar os nossos inimigos em Moscou. O que você faria se lhe negassem Pelé para jogar na Copa de 70?
Os soviéticos acham que será fácil ganhar do Chile. Principalmente sem Ele. Dom Elías.
23 de setembro.  A CBD transfere a partida Internacional e América-MG para 10 de outubro.  Operação Condor.
"Dom Elías, suas passagens. Você parte hoje mesmo para Moscou"
Pablo Neruda adormece para sempre na Clínica Santa Maria em Santiago.
25 de setembro. Primavera em Moscou. Sob sol esplendoroso o time chileno treina. Mas onde será o segundo jogo? No Estádio Nacional a grama agora é roja. Chega ao hotel em Moscou a notícia da morte de Pablo Neruda. Figueroa observa o vento da noite.
26 de setembro. URSS e Chile entram em campo. Um minuto de silêncio. 0x0. Figueroa em campo. O árbitro é o brasileiro Armando Marques. Os soviéticos não conseguem marcar. Pinochet sorri. No hotel, Figueroa tenta abrir o livro de poesias, mas as páginas estão velhas, fragmentadas.
A poesia morreu.
Alguns dias depois a FIFA faz uma visita ao presídio do Estádio Nacional e verifica que não existem prisioneiros por lá. O jogo Chile x URSS é confirmado para novembro. A URSS não comparece. Os jogadores chilenos batem o centro sozinhos com o juiz e fazem um gol: 1x0. O Chile não sofre gols. Na plateia Pinochet aplaude. Milhares de corpos nas valas comuns se calam. Desaparecidos.
Os carabineros passaram noites e noites sem dormir.
Fuzilando.
Sepultando.

Como se marcassem um gol.

20 de mar. de 2014





Semifinais da Libertadores, 1973.

Bogotá.

O Millionarios marca contra o San Lorenzo da Argentina.

O árbitro Sebastião Rufino anula o tento.

O Millionarios torna a marcar um gol minutos depois.

Rufino marca gol e volta atrás sob a pressão dos jogadores portenhos.

Fecha o tempo.

A multidão invade o gramado para linchar o juiz.

Rufino ainda recebe uns safanões.

Antes da polícia prender quarenta torcedores.

Altas horas da madrugada.

Rufino e o San Lorenzo deixam o estádio.

Em veículos de combate.

A Confederação Sul americana suspende o árbitro pernambucano por 60 dias.





9 de ago. de 2013





Geneton Moraes Neto era um menino.

1973.

E já publicava no suplemento Júnior do Diario de Pernambuco.

Chico Buarque veio tocar no Santa Isabel.

O pequeno Geneton não se fez de rogado.

Foi lá.

Entrevistou Chico e MPB 4.

Porque o importante mesmo era cantar...

5 de ago. de 2013





5 de agosto de 1973.

Dr. José Queiroga está confiante.

Tostão nem tanto.

O trauma de Bogotá - onde sequer foi examinado por um oftalmologista

trauma que se repetiu no Pacaembu com Ditão.

O trauma foi definitivo.

Cirurgia em Houston.

Copa do Mundo.

Campeão da Minicopa.

Herdeiro de Pelé.

Os três milhões e quinhentos mil cruzeiros do Vasco da Gama.

Tudo se confunde na mente do artista.

O Instituto Brasileiro de Resseguros lançou o aviso.

Tostão não deve ter apólice aceita por nenhuma seguradora.

O risco é fatal.

Livro de Herman Hesse nas mãos.

Morre o craque.

Nasce o médico...





14 de jul. de 2013





Há 40 anos.

Filinto Muller se foi.

Carniceiro de Vargas.

Presidente da ARENA.

Elogiado na VEJA de 18 de julho de 1973.

Nada mais Brasil...

5 de abr. de 2013





24 de mar. de 2013





O rock produziu algumas obras de arte.

Arte que supera o tempo.

Michelangelos de som.

No dia 24 de março de 1973.

Uma desta obras revelou o lado escuro da lua.

Um long play tão revolucionário - e perfeito do ponto de vista sonoro.

Que servia pra testar a qualidade dos aparelhos de som da indústria.

Claro.

Havia o engenheiro de som Alan Parsons.

Havia a mitológica capa da mitológica Hipgnosis.

Mas havia música.

Rogers, Ravid e Mason.

Seis anos após Sgt. Peppers.

Abbey Road era o centro do universo...

Que mais?

Ouvir, Mestre!

Ouvir e viajar...

21 de mar. de 2013




Carcaram la mano na gente, Mestres!

Amistoso.

O Brasil sem perder por 32 partidas.

Empatado com a Hungria.

E eu na frente da TV.

P... ossesso.




16 de mar. de 2013




Há quarenta anos.

Policiais ingleses não queriam largar o saco de Pelé.

Saco recheado de dólares.

No aeroporto de Londres.

Pelé que conhecia bem a história.

Das malas santistas recheadas de dinheiro das excursões.

Sumindo nos aviões da vida.

Não largava seu tutu por nada desse mundo...




18 de ago. de 2012







O jogo passou na televisão.

Um bando de meninos rubro negros.

Correndo contra os rapazes tricolores.

Se a média de idade do Fluminense era baixa - tempos do Young Flu.

A média de idade do Sport era maternal.

A bruxa estava solta.

François Cevert morto na Fórmula 1.

O Chile prometendo democracia para 1976.

Péron trocando os estudantes pelos militares.

Geisel no Poder.

Egípcios e sírios atacando no Dia do Perdão.

O Fluminense sentia a falta de Manfrini.

Mas Cléber jogando fora de posição matou a pau.

Toda a retranca do Sport foi por água abaixo.

Quando aos 25 minutos de jogo.

O lateral Toninho cruzou.

O 'bode' Dionísio matou a bola e fuzilou de pé direito: Flu 1x0.

José de Assis Aragão apontou pro centro de campo.

E 10 mil tricolores balançaram as bandeiras no Maracanã.

O Sport?

Jogou com Tião; Marcos, Lula Pereira, Lima e Grilo;

Meinha e Rubem Salim;

Ditinho, Mario, Odilon e Ivanildo.

O grande Drailton entrou na segunda fase no lugar de Rubem Salim.

O Sport apertou o Fluminense da dupla Bruñel e Assis.

Mario acertou a trave de Vitório.

Mas ficou nisso mesmo.

Vitória do Sport sobre o Fluminense no Rio em Brasileirão?

Só mesmo em 1981.

Porém,

aí já é outra história...

16 de jun. de 2012



Cruyjff foi derrotado pelo Kaiser em 1974.

Mas também deu uma sapecada no Bayern em 1973.

Coisa de dois gênios quando se encontram.

Gênios que jogaram juntos, bicho!




15 de jun. de 2012






Hoje é aniversário do Central de Caruaru.

Fundado no dia 15 de junho de 1909.

Cinco anos antes do Santa Cruz.

Um grande clube a procura de grandes dirigentes.

Central que teve o melhor time de Pernambuco.

Em 1936.

Central que chegou de mansinho.

E levou o Torneio Início de 1973.

Nas barbas dos grandes da capital.

E foi em grande estilo.

Batendo o Náutico.

Chacoalhando o Santa Cruz.

Espanando o Ferroviário na final.

Forró e folia.

Este Torneio Início, aliás,

foi danado de longo.

Começou as 3 da tarde.

E só foi terminar com o grito centralino.

Lá pelas dez da noite...




24 de dez. de 2008





Givanildo foi um gigante do futebol.

Um homem que parava Pelé.

Na bola.

Essa não precisam me contar, eu vi.

Duas vezes.

Os meus dois primeiros jogos em campo?

Dois jogos Santa Cruz x Santos.

Em 1973, a dor.

Givanildo disputa uma bola com Chico Explosão do Náutico.

E Chico explode com Givanildo.

Givanildo sofre.

A expressão de sua dor é captada pela lenta da câmara.

Clavícula fraturada.

Dois meses longe da bola.

Givanildo começou na ponta esquerda.

Até que um dia, decisão contra o Sport.

O técnico Duque chamou o craque e falou:

"Vem Givanildo, vai ser médio volante na vida!"



Um clube é feito de homens.

Do trabalho desses homens.

Hoje, a Arena da Baixada é um orgulho do povo atleticano.

Mas não era assim.

O clube quase fechou suas portas.

Inadimplente.

Em jejum de títulos e esperança.

Na foto, o ano de 1973...

[imagem]



28 de nov. de 2008



Por ROBERTO VIEIRA

[imagem]

30 de agosto de 1973.

14.133 pagantes para o primeiro jogo em Brasileiros entre Náutico e Atlético-PR no Arruda.

Era a primeira participação do Furacão em Brasileiros.

Na véspera, o Esporte perdera do América-MG em Belo Horizonte por 4x1.

Restava ao Timbu um resultado positivo.

O Timbu que ainda insistia em deixar o gênio de Jorge Mendonça no banco.

Coisa de quem não tem o que fazer.

O Náutico alinha Luís Fernando; Borges, Djalma Sales, Sidclei e Franklin; Divino e Vasconcelos; Betinho, Adilson, Paraguaio (Jorge Mendonça) e Elói.

O Atlético-PR forma com Gainete; Vanderlei, Di, Almeida e Júlio; Sergio Lopes e Didi Duarte; Buião, Taquito, Caio e Nilson (Sicupira).

Também é difícil entender Sicupira no banco. Melhor pra gente.

No primeiro tempo o domínio alvirrubro é total. Aos 13' Elói fuzila o goleiro Gainete que manda a córner.

Aos 18' Didi arrisca e Luís Fernando 'bate-roupa' como se dizia na época. Borges, a grande figura do jogo, manda para escanteio.

22' e uma tabela entre Betinho e Vasconcelos termina com Paraguaio cara a cara com o gol. Gainete recorda-se dos tembpos no Internacional e segura firme.

Com 25' não tem jeito. Borges domina no peito, invade a área e marca: 1x0.

O Náutico continua pressionando no segundo tempo e aos 2' Paraguaio lança Vasconcelos. Só, diante do gol, Vasconcelos faz o mais difícil. Perde o gol.

10' e Paquito enfim dá o ar de sua graça. A zaga tira.

25' E Franklin salva a única chance real de gol do Atlético num chute de Sergio Lopes.

O Náutico devolve o placar da partida entre as duas equipes em 68 no Robertão.

E aos poucos monta a equipe que vai impedir o Hexa do Santa Cruz em 1974.

5 de ago. de 2008



30 de agosto de 1973.

14.133 pagantes para o primeiro jogo em Brasileiros entre Náutico e Atlético-PR no Arruda.

Era a primeira participação do Furacão em Brasileiros.

Na véspera o Esporte perdera do América-MG em Belo Horizonte por 4x1.

Restava ao Timbu um resultado positivo.

O Timbu que ainda insistia em deixar o gênio de Jorge Mendonça no banco.

Coisa de quem não tem o que fazer.

O Náutico alinha Luís Fernando; Borges, Djalma Sales, Sidclei e Franklin; Divino e Vasconcelos; Betinho, Adilson, Paraguaio (Jorge Mendonça) e Elói.

O Atlético-PR forma com Gainete; Vanderlei, Di, Almeida e Júlio; Sergio Lopes e Didi; Buião, Paquito, Caio e Nilson (Sicupira).

Também é difícil entender Sicupira no banco. Melhor pra gente.

No primeiro tempo o domínio alvirrubro é total. Aos 13' Elói fuzila o goleiro Gainete que manda a córner.

Aos 18' Didi arrisca e Luís Fernando 'bate-roupa' como se dizia na época. Borges, a grande figura do jogo, manda para escanteio.

22' e uma tabela entre Betinho e Vasconcelos termina com Paraguaio cara a cara com o gol. Gainete recorda-se dos tempos no Internacional e segura firme.

Com 25' não tem jeito. Borges domina no peito, invade a área e marca: 1x0.

O Náutico continua pressionando no segundo tempo e aos 2' Paraguaio lança Vasconcelos. Só diante do gol, Vasconcelos faz o mais difícil. Perde o gol.

10' e Paquito enfim dá o ar de sua graça. A zaga salva.

25' E Franklin salva a única chance real de gol do Atlético num chute de Sergio Lopes.

O Náutico devolve o placar da partida entre as duas equipes em 68 no Robertão.

Partida dos tempos em que o velho capitão Bellini dava as ordens no Furacão (FOTO).

Tempos em que Mariguella era baleado em São Paulo.

Tempos que já não voltam mais...

13 de jul. de 2008



Em 1973 o Santa Cruz foi enfrentar o América de Natal.

Nada menos que 1500 torcedores invadiram a capital potiguar.

Isso depois de fazer uma histórica carreata que teve início na Praia do Meio e foi até o Estádio Castelo Branco, o popular Castelão.

Durante o trajeto houve o encontro das torcidas sem qualquer incidente.

A moda na época era levar tamancos ao estádio. E bater com os tamancos para incentivar o time.

Mais de mil tamancos foram confeccionados para a viagem pelo Sr. José Geraldo Gomes, residente nos Aflitos.

Quando chegou em Natal, ele os distribuiu com as crianças da cidade antes da carreata na Praia do Meio. Pra fazer mais barulho.

Em 1973 a torcida potiguar estava unida em torno do América.

O ABC havia sido desqualificado para competições nacionais no ano anterior pela CBD.

A torcida coral teve contra si a união de torcedores do Alecrim, do Força e Luz, do Riachuelo, do ABC e, lógico, do América.

Havia também duas bandeiras do Náutico e Sport tremulando nas gerais. Torcedores vindos da Paraíba.

Não se sabe torcendo pra quem.

Em campo, uma batalha.

O América não contava com o genial zagueiro Scala. Perdeu o zagueiro Emidio, expulso com pouco tempo de jogo. Já o meio campo Careca perdeu a unha e ficou fazendo número em campo.

O Santa Cruz teve Fernando Santana expulso ao trocar gentilezas com Emídio. Mas chegou a estar vencendo por 2 x 1.

Até que o célebre árbitro Valquir Pimentel marcou um pênalti no final da partida. Pênalti convertido com frieza por Afonsinho.

O América iria conquistar invicto a Copa Norte-Nordeste realizada paralelamente ao Brasileirão.

E a torcida do Santa Cruz aplaudiria nas arquibancadas do Castelão seu artilheiro Ramon.

Ramon que viria a ser o artilheiro do Campeonato Brasileiro com 21 gols.

Na frente de Pelé, Leivinha, Dario e cia.

Como detalhe, a camisa do goleiro Ubirajara do América.

Camisa com o número 77.

Que no jogo do bicho é peru.


11 de jul. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Foi um jogo banal entre duas equipes desesperadas no Brasileirão.

O Náutico já era um embrião de um grande time com Jorge Mendonça e Sidcley.

O Sport era o próprio embrião com Odilon. Criança em campo. Jovem jogado às feras.

O Náutico atuou com Helinho; Borges, Djalma Sales, Sidcley e Cincunegui; Divino e Vasconcelos; Gilvan, Jorge Mendonça, Edvaldo e Betinho (Paraguaio).

O técnico Schiller Diniz achava que Paraguaio, Dedeu e Jorge Mendonça não podiam jogar juntos. Imaginava que Edvaldo era o novo Bita. Que fazer?

No dia 11 de novembro de 1973, um público de 22.713 pagantes assistiu o primeiro Clássico dos Clássicos em Campeonatos Brasileiros.

Um jogo apitado discretamente pelo mineiro Maurílio José Santiago no Arruda.

Como discreto foi o 0 x 0 final.

O Sport alinhou Tião; Marcos, Lima, Lula e Grilo; Meinha e Rubens Salim; Ditinho (Wilson), Odilon, Moacir e Orlando.

O Sport limitou-se a fechar a entrada área. Quando Odilon tentava alguma coisa, a defesa do Náutico parava o jogador no pau.

A única chance real do primeiro tempo veio por intermédio de Betinho que cruzou violentamente da esquerda para Gilvan que falhou na conclusão.

Aos 5' do segundo tempo o jovem Edvaldo chutou de primeira para um milagre de Tião.

Odilon invadiu a área e foi desarmado por Djalma Sales na última hora. De carrinho.

E foi só.

Náutico e Sport continuavam com chance de classificação para a segunda fase. Porém, apenas o Santa Cruz de Ramon chegaria mais longe no torneio.

Dois dias depois o governo anunciava um aumento de 10% na gasolina.

O conflito entre árabes e judeus chegava ao Brasil.

O Milagre Brasileiro chegava ao fim.


14 de mai. de 2008



O Internacional de Dino Sani regressa a Recife.

Enfrenta o Sport no Arruda.

O Bafo do Leão se movimenta.

O Leão está há dez anos sem título.

O Internacional tem Figueroa.

O Internacional tem um menino.

Um tal de Falcão. Falcão que irá disputar sua terceira partida no campeonato.

Falcão da seleção olímpica.

Falcão que dois anos depois irá dispensar apresentações.

Como Dom Elías Figueroa.

5 de setembro de 1973.

Sport 0 x 1 Internacional.