17 de out. de 2012






Por ROBERTO VIEIRA            


O maior craque do futebol brasileiro era metade alemão.

Mas o Palestra Itália não se conformava.

Queria o craque no seu time.

Pelo menos por uma partida.

Bahia.

Jorge Amado editava seus capitães de areia.

Subversivo.

Mostrando a miséria na terra da felicidade.

Friedenreich desceu na Boa Terra.

45 anos e a visão da maior cidade negra das Américas.

Lembrou de sua mãe.

Não queria mais jogar bola.

Mas atuar pelo Palestra Itália na Bahia era especial.

Sua mãe iria achar engraçado.

Edison Carneiro vai até o hotel do Palestra.

Deseja saber se Friedenreich é mais alemão ou mais africano.

Friedenreich recebe o jornalista e poeta.

Edison fica chateado com a visão.

Friedenreich alisa o cabelo.

Edison anota mentalmente o detalhe.

Friedenreich apresenta Jurandyr e Carnera.

E convida Edison para o Campo da Graça.

Bahia x Palestra Itália em campo.

19 de setembro de 1937.

O Bahia não é sombra do que viria a se tornar no futuro.

Bom mesmo era o Galícia, o Ypiranga.

Edison está nas arquibancadas.

E mesmo desconfiado se deslumbra com o mulato.

Deixando Rolando na cara do gol.

Fazendo Luisinho e Moacyr jogarem o fino.

A multidão baiana se comprime.

Aplausos. Delírio.

Friedenreich não marca mas comanda a orquestra palestrina.

Palestra 4x0 Bahia.

Edison não entende o cabelo mas compreende a arte.

Transforma Friedereich em poesia.

Disfarçado de Musa Capenga.

O Palestra realiza o sonho de ter El Tigre por um dia.

No mês seguinte.

Oitocentos exemplares de Jorge Amado são queimados em Salvador.

Friedenreich sabe da notícia.

Alisa os cabelos entre as mãos.

E pensa novamente na sua mãe.

Lavando roupas pela vida afora...  


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