Por ROBERTO VIEIRA
O maior craque do
futebol brasileiro era metade alemão.
Mas o Palestra Itália
não se conformava.
Queria o craque no seu
time.
Pelo menos por uma
partida.
Bahia.
Jorge Amado editava
seus capitães de areia.
Subversivo.
Mostrando a miséria na
terra da felicidade.
Friedenreich desceu na
Boa Terra.
45 anos e a visão da
maior cidade negra das Américas.
Lembrou de sua mãe.
Não queria mais jogar
bola.
Mas atuar pelo Palestra
Itália na Bahia era especial.
Sua mãe iria achar
engraçado.
Edison Carneiro vai até
o hotel do Palestra.
Deseja saber se
Friedenreich é mais alemão ou mais africano.
Friedenreich recebe o
jornalista e poeta.
Edison fica chateado
com a visão.
Friedenreich alisa o
cabelo.
Edison anota
mentalmente o detalhe.
Friedenreich apresenta
Jurandyr e Carnera.
E convida Edison para o
Campo da Graça.
Bahia x Palestra Itália
em campo.
19 de setembro de 1937.
O Bahia não é sombra
do que viria a se tornar no futuro.
Bom mesmo era o
Galícia, o Ypiranga.
Edison está nas
arquibancadas.
E mesmo desconfiado se
deslumbra com o mulato.
Deixando Rolando na
cara do gol.
Fazendo Luisinho e
Moacyr jogarem o fino.
A multidão baiana se
comprime.
Aplausos. Delírio.
Friedenreich não marca
mas comanda a orquestra palestrina.
Palestra 4x0 Bahia.
Edison não entende o
cabelo mas compreende a arte.
Transforma Friedereich
em poesia.
Disfarçado de Musa
Capenga.
O Palestra realiza o
sonho de ter El Tigre por um dia.
No mês seguinte.
Oitocentos exemplares
de Jorge Amado são queimados em Salvador.
Friedenreich sabe da
notícia.
Alisa os cabelos entre
as mãos.
E pensa novamente na
sua mãe.
Lavando roupas pela
vida afora...

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