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20 de out. de 2012





Palmeiras e Cruzeiro possuem raízes palestrinas.

Como Palestra.

Jogaram 3 vezes.

Foram 3 derrotas do atual Cruzeiro.

A primeira em 1930.

As outras duas em 1937.

Fato absolutamente normal.

O Palestra Itália paulistano.

Era uma verdadeira seleção italiana naqueles tempos...

17 de out. de 2012






Por ROBERTO VIEIRA            


O maior craque do futebol brasileiro era metade alemão.

Mas o Palestra Itália não se conformava.

Queria o craque no seu time.

Pelo menos por uma partida.

Bahia.

Jorge Amado editava seus capitães de areia.

Subversivo.

Mostrando a miséria na terra da felicidade.

Friedenreich desceu na Boa Terra.

45 anos e a visão da maior cidade negra das Américas.

Lembrou de sua mãe.

Não queria mais jogar bola.

Mas atuar pelo Palestra Itália na Bahia era especial.

Sua mãe iria achar engraçado.

Edison Carneiro vai até o hotel do Palestra.

Deseja saber se Friedenreich é mais alemão ou mais africano.

Friedenreich recebe o jornalista e poeta.

Edison fica chateado com a visão.

Friedenreich alisa o cabelo.

Edison anota mentalmente o detalhe.

Friedenreich apresenta Jurandyr e Carnera.

E convida Edison para o Campo da Graça.

Bahia x Palestra Itália em campo.

19 de setembro de 1937.

O Bahia não é sombra do que viria a se tornar no futuro.

Bom mesmo era o Galícia, o Ypiranga.

Edison está nas arquibancadas.

E mesmo desconfiado se deslumbra com o mulato.

Deixando Rolando na cara do gol.

Fazendo Luisinho e Moacyr jogarem o fino.

A multidão baiana se comprime.

Aplausos. Delírio.

Friedenreich não marca mas comanda a orquestra palestrina.

Palestra 4x0 Bahia.

Edison não entende o cabelo mas compreende a arte.

Transforma Friedereich em poesia.

Disfarçado de Musa Capenga.

O Palestra realiza o sonho de ter El Tigre por um dia.

No mês seguinte.

Oitocentos exemplares de Jorge Amado são queimados em Salvador.

Friedenreich sabe da notícia.

Alisa os cabelos entre as mãos.

E pensa novamente na sua mãe.

Lavando roupas pela vida afora...  

12 de out. de 2012





20 de set. de 2012




Por ROBERTO VIEIRA


Não foi um jogo comum.

Era uma guerra.

Tanto que o policiamento foi reforçado.

O Palestra sentia que os adversários desejavam parte do seu patrimônio.

Imóveis de alemães, japoneses e italianos haviam sido depredados.

Tudo por causa dos ataques do Eixo aos interesses nacionais.

Stalingrado era a palavra de ordem.

O Palmeiras abriu a contagem.

O São Paulo empatou.

O Palmeiras botou 3x1 no marcador.

E o São Paulo desistiu do jogo interrompendo a partida.

Quando Virgílio atinge Og sendo expulso.

Quando Og é retirado de campo pelo Dr. Martins Lourenço,

delegado do policiamento.

Recebe ordem de voltar dada pelo presidente do tricolor.

Pronto.

O jogo terminou aos 19 minutos da etapa final.

Sociedade Esportiva Palmeira campeã!

Leônidas?

Vice...

16 de set. de 2012






O Brasil se preparava para uma constituinte.

Meio mequetrefe, é verdade.

Usando palavra da moda.

Os médicos paulistas vibravam,

Inaugurando seu primeiro congresso.

A eutanásia começava a ser discutida.

Bidu Sayão também.

Jacutinga era o cavalo da moda.

Mas na boca da paulicéia desvairada.

O assunto do momento era Romeu.

Não aquele Romeu da Julieta.

Mas Romeu Pelicciari.

Gênio e artilheiro palestrino.

O tempo era de chuvas e trovoadas.

Mas o estádio do Palestra estava abarrotado.

Quando o árbitro Haroldo da Motta mandou a bola rolar.

Eram quatro da tarde.

Romeu abriu o marcador aos 17'.

Romeu aumentou aos 23'.

Para desespero de Onça, keeper do Timão.

Romeu que aumenta aos 36'.

E a primeira etapa termina em 3x0.

Metade da torcida corintiana foi pra casa.

A outra metade?

Viu mais um gol de Romeu.

Viu outro tento de Gabardo.

Viu um hat trick de Imparato.

O Palestra bate o Corinthians por 8x0.

Palestra que se sagra campeão paulista de 1933.

5 de novembro?

Calendário corintiano não conhece essa data...



22 de ago. de 2012





Por ROBERTO VIEIRA


A Guerra completava um ano na Europa.

O Palestra vivia seus últimos dias.

Palestra líder do certame estadual.

Palestra de um tempo que não existia mais.

Campo escorregadio.

Rio-São Paulo.

O Botafogo do futuro pracinha Perácio chegou ao Pacaembu com o sentimento do mundo.

Chuva torrencial.

Gramado escorregadio.

Noite de 11 de setembro paulistana.

Palestra de Clodo: Carnera e Junqueira;

Carlos, Sidney e Garro;

Luisinho, Canhoto, Elyseo, Lima e Echevarrieta.

Botafogo de Aymoré Moreira; Bibi e Dr. Nariz;

Zezé Procópio, Zezé Moreira e Nacali;

Tadique; Geninho, Paschoal, Perácio e Patesko.

Botafogo que abriu as hostilidades aos 10 minutos.

Gol de Patesko.

Dez minutos depois, Geninho amplia: 2x0.

Os tifosi se agitam.

Canhoto recebe com Nariz na sua cola.

Canhoto descobre Luisinho.

Luisinho chega um segundo antes de Aymoré: 2x1.

Intervalo.

Trincheiras.

Paschoal aumenta para 3x1.


A Guerra completava um ano na Europa.

O Palestra vivia seus últimos dias.

Palestra líder do certame estadual.

Palestra de um tempo que não existia mais.

Campo escorregadio.

Rio-São Paulo.

Buscando forças na alma da Velha Bota.

O Palestra reage.

Sidney de cabeça lança Echevarrieta: 3x2.

Luisinho novamente surge do nada e empata aos 20 da segunda etapa: 3x3.

Um torcedor cai fulminado nas arquibancadas.

Vítima da batalha.

Não vê que Zezé Moreira lança Paschoal que lança Tadique...

Botafogo 4x3.

Carnera se ajoelha em desespero.

Pipi no lugar de Elyseo.

Araraquara no lugar de Nariz.

Echevarrieta dribla Araraquara e bate forte.

Aymoré mergulha na escuridão e a bola beija as redes.

Morteiro.

Palestra 4 x 4 Botafogo.

O árbitro José Ferreira lemos, o Juca, apita.

O Reichstag é atingido por bombas inglesas.

Londres em chamas.

Mussolini bombardeia Jaffa.


Aquele foi o último encontro do Palestra Itália diante do Botafogo.

Com a guerra.

O Palestra virou Palmeiras.

Itália?

O inimigo distante a ser vencido...


Juan Raúl Echevarrieta, El Terrible