11 de set. de 2012








Por ROBERTO VIEIRA


O belíssimo Toy Story3 eu já vi e revi trezentas vezes.

Mérito dos filhos.

Sempre que vejo, sintoum misto de beleza e angústia no coração.

Aos poucos fui descobrindo o motivo.

Os autores – e é óbvio que pensaram nisso.

Fui checar e a turma do Examiner e NY Post já havia notado a coincidência.

Colocaram a forte imagem do forno crematório no final da película.

Cada um de nós sente o medo que atingiu judeus, ciganos e afins na Alemanha nazista.

O medo diante do inevitável drama e solução final.

O medo superado pelas mãos dadas com os amigos e família.

Todos fazendo parte do mesmo destino.

A imagem é forte e só conseguimos superá-la no instante seguinte.

No final feliz – afinal é filme de criança!

Será mesmo?

Pois em todos os três filmes vem uma outra mensagem.

Essa não captada pelos críticos.

Não existe vida eterna.

O destino do homem é fugaz e está impresso nessa aventura terrestre.

Como brinquedos, chegamos e partimos quando é chegada a hora.

Não existe alma, espírito, vida eterna.

Apenas a lata de lixo da história e o esquecimento.

A vida vale a pena pelas brincadeiras e alegria de algumas tardes de verão.

Mas é tudo.

Resta apenas a amizade para prolongar o vazio de nossa existência.

E essa amizade e este amor pelo próximo é tudo.

Poderia lembrar também da necessidade de amor pelo nosso dono.

Amor pela criança que manipula nossos cordéis.

Criança que brinca de Deus e Senhor de nossas vontades.

Mas se eu for pensar nisso tudo.

Vou achar que Toy Story foi escrito por Nietzsche...

Em tempo:

Ainda poderia falar do ursinho da SS e das sessões de tortura do filme.

Mas vamos ficar por aqui.



Um comentário:

  1. Belo texto,Roberto.Bronca mesmo foi no cinema,com meus filhos.Nas cenas de despedida dos brinquedos com seu dono(Andy),que iria para faculdade,percebi o silêncio angustiante na sala.E mal as lágrimas eram enxugadas,acendem-se as luzes...Sacanagem! Kkk

    ResponderExcluir

Comentários