Revolução de 30 deflagrada, a guarnição do Nordeste possuía apenas infantaria. E lá se foi o jovem tenente gaúcho Ernesto Geisel no comando de cento e poucos homens, quatro muares e quatro canhões 75 milímetros reforçar a região distante do seu rincão natal. A bateria de artilharia cruza a Bahia, passa por Recife e chega ao porto de Cabedelo na Paraíba. O moço aprende a gostar do Nordeste. Viaja até Princesa, conhece o Ceará, auxilia os pobres durante a terrível seca de 1932/33, combate no levante contra o interventor Carlos de Lima Cavalcanti em Pernambuco, organiza uma república com os amigos na praia de Tambaú e assume a secretaria da Fazenda paraibana. Além de organizar as finanças da terra de João Pessoa, Geisel também nomeia um jovem honesto e trabalhador para a coletoria de impostos junto ao coronelato local.
A vida não era fácil
nos anos 30 em nenhuma parte do Brasil, muito menos no sertão
nordestino. Tempos de Revolução, Vargas e República Nova, o pai de
Rigoberto encontra-se com o tenente Ernesto Geisel, secretário de
finanças do estado da Paraíba e futuro presidente do Brasil na
década de 70.
Geisel promove o pai de
Rigoberto ao cargo de escrivão de coletoria e o envia para a cidade
de Princesa Isabel na difícil missão de cobrar impostos ao
coronelismo local, avesso ao pagamento dos tributos federais.
Pai de oito filhos,
apenas uma babá em casa, a violência batendo a porta, Rigoberto
acaba se transferindo para a localidade de Patos onde os mesmos
problemas com as oligarquias rurais se repetem. A paz só chega em
outubro de 1940 quando o pai de Rigoberto assume a coletoria
municipal de Santa Luzia.
Enquanto isso,
estudando pela manhã, trabalhando a tarde, aprendendo datilografia
para realizar o exame de admissão, Rigoberto se viu numa situação
complicada aos 14 anos: não havia ginásio em Pombal.
Não tendo como
prosseguir os estudos, Rigoberto abandona os livros até os 18 anos
de idade e segue nas mudanças de endereço dos pais. Nem o excelente
professor Newton Pordeus Seixas, formado em pedagogia e mestre do
jovem Rigoberto, consegue evitar o temporário êxodo escolar.
Mas os anos 40 e a
habilidade com a datilografia acabam mudando a vida do nosso herói.
Tudo pelas mãos do recém-criado XV Regimento de Infantaria e da
ajuda do capitão da polícia militar da Paraíba Albertino Francisco
dos Santos.
Pegando um trem em
Campina Grande, Rigoberto viaja a João Pessoa e fica hospedado na
casa do capitão Albertino. Apresentado ao sargento Machado,
Rigoberto é incorporado ao Exército Brasileiro na Companhia de
Metralhadoras do II Batalhão em Monteiro, sediada na capital do
estado.
A guerra na Europa chegava ao Big Ben...
A guerra na Europa chegava ao Big Ben...
Geisel e Vargas, Paraíba 1933


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