11 de set. de 2012




Revolução de 30 deflagrada, a guarnição do Nordeste possuía apenas infantaria. E lá se foi o jovem tenente gaúcho Ernesto Geisel no comando de cento e poucos homens, quatro muares e quatro canhões 75 milímetros reforçar a região distante do seu rincão natal. A bateria de artilharia cruza a Bahia, passa por Recife e chega ao porto de Cabedelo na Paraíba. O moço aprende a gostar do Nordeste. Viaja até Princesa, conhece o Ceará, auxilia os pobres durante a terrível seca de 1932/33, combate no levante contra o interventor Carlos de Lima Cavalcanti em Pernambuco, organiza uma república com os amigos na praia de Tambaú e assume a secretaria da Fazenda paraibana. Além de organizar as finanças da terra de João Pessoa, Geisel também nomeia um jovem honesto e trabalhador para a coletoria de impostos junto ao coronelato local.





A vida não era fácil nos anos 30 em nenhuma parte do Brasil, muito menos no sertão nordestino. Tempos de Revolução, Vargas e República Nova, o pai de Rigoberto encontra-se com o tenente Ernesto Geisel, secretário de finanças do estado da Paraíba e futuro presidente do Brasil na década de 70.

Geisel promove o pai de Rigoberto ao cargo de escrivão de coletoria e o envia para a cidade de Princesa Isabel na difícil missão de cobrar impostos ao coronelismo local, avesso ao pagamento dos tributos federais.

Pai de oito filhos, apenas uma babá em casa, a violência batendo a porta, Rigoberto acaba se transferindo para a localidade de Patos onde os mesmos problemas com as oligarquias rurais se repetem. A paz só chega em outubro de 1940 quando o pai de Rigoberto assume a coletoria municipal de Santa Luzia.

Enquanto isso, estudando pela manhã, trabalhando a tarde, aprendendo datilografia para realizar o exame de admissão, Rigoberto se viu numa situação complicada aos 14 anos: não havia ginásio em Pombal.

Não tendo como prosseguir os estudos, Rigoberto abandona os livros até os 18 anos de idade e segue nas mudanças de endereço dos pais. Nem o excelente professor Newton Pordeus Seixas, formado em pedagogia e mestre do jovem Rigoberto, consegue evitar o temporário êxodo escolar.

Mas os anos 40 e a habilidade com a datilografia acabam mudando a vida do nosso herói. Tudo pelas mãos do recém-criado XV Regimento de Infantaria e da ajuda do capitão da polícia militar da Paraíba Albertino Francisco dos Santos.

Pegando um trem em Campina Grande, Rigoberto viaja a João Pessoa e fica hospedado na casa do capitão Albertino. Apresentado ao sargento Machado, Rigoberto é incorporado ao Exército Brasileiro na Companhia de Metralhadoras do II Batalhão em Monteiro, sediada na capital do estado.

A guerra na Europa chegava ao Big Ben...


Geisel e Vargas, Paraíba 1933


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