13 de set. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Ele chegou no aeroporto, entrou no táxi e foi direto para o Maracanã.

Trocou de roupa, calçou as luvas e entrou em campo.

Não conhecia ninguém.

O adversário era o Flamengo.

As bolas chegavam e paravam em suas mãos. Imãs.

A torcida vascaína ficou pasma.

A do Flamengo, possessa.

O time do Vasco era tão ruim que daí em diante a piada era a seguinte:

"Andrada quando joga, joga contra 21 jogadores"

Com ele o Vasco foi campeão em 1970, quebrando um jejum antológico.

Quis o destino que ele ficasse conhecido como o goleiro do milésimo gol de Pelé.


Mas Norberto Andrada foi muito mais.

Ensinou os goleiros brasileiros a jogar no gol. A devolver uma bola. A fechar o ângulo.

Foi bola de prata. Deu lições em revistas esportivas.

Infelizmente para o mundo do futebol existe o submundo da vida.

Norberto Andrada foi acusado de colaborar com a ditadura argentina.

Responsável pelo desaparecimento de dois militantes peronistas em um bar de Rosário no ano de 1983.

Culpado? Inocente?

A justiça argentina vai responder.

Fica para os fãs de Andrada o gosto amargo de pólvora na boca.

Essa súbita impressão de que lhe roubaram um ídolo.

Curiosamente, entre os desaparecidos da repressão argentina figuram vários esportistas:

Miguel Sanchez, Daniel Shapira, Carlos Rivada, além de jogadores do clube de rugby La Plata.

Todos citados no belo livro Deporte, Desaparecidos y Ditadura de Gustavo Veiga.

Livro de bolso para quem ama a democracia, o esporte e a justiça...





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