
Ele nasceu Rudd Dil em Amsterdã. No dia primeiro de setembro de 1962.
Distante do Suriname materno. Pobre. Batia bola nas ruas e canais da veneza holandesa.
Rozendwarsstraat. Mas já era gênio na infância.
Um dia alguém chamou Rudd pra calçar uma chuteira. E lá foi Rudd ser Gullit na vida.
Gullit que era o nome de seu pai.
No início dos anos 80, Rudd estava no Feyenoord. Uma criança jogando ao lado do ídolo Johan Cruyjff.
Imaginem.
O racismo no Feyenoord levou Rudd para o PSV. E as liras de Berlusconni levaram Rudd para o Milan.
Milan que também contratara dois outros gênios holandeses: Van Basten e Rijkaard.
Devo confessar um segredo.
Fora a Holanda em 74 e o Brasil em 82, nunca vi nenhum time jogar o que o Milan jogou no final dos anos 80.
As manhãs de domingo eram manhãs de Milan e Rudd.
Um jogo em especial guardo na memória. Um 7 x 3 na Fiorentina.

Mas também teve o 5 x 0 no Real Madrid. O 4 x 0 no Steaua Bucareste.
Coisas do Santos de Pelé.
No intervalo, Rudd ainda teve tempo de erguer o troféu de campeão europeu pela Holanda em 1988.
Vencendo a URSS. Fazendo um gol. E aplaudindo o sem pulo de Van Basten. 2 x 0.
Devolvendo um pouco de alegria ao técnico Rinus Michels.
Michels que perdera a Copa de 74 no mesmo estádio para a Alemanha.
De todas as glórias de Rudd, uma permanece única. Fora dos campos.
Bola de Ouro em 1987, Rudd dedicou o prêmio a Nelson Mandela. Nelson que se encontrava preso na África do Sul.
Nelson que poucos conheciam.
Anos depois, presidente em seu país, Nelson fez um comentário que reflete a beleza do gesto do holandês:
"Rudd, hoje estou cercado de milhares de amigos, mas em 1987 você era um dos poucos que me restavam..."
Ah, só por curiosidade, a parceria Rudd e Cruyjff continua.

No dia 3 de junho de 2000, Rudd casou com Estela.
Estela, sobrinha de Johan Cruyjff...
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