2 de ago. de 2008





Apontar os erros do Náutico é fácil. Qualquer criança de colo sabe fazer.

Desde o início presunçoso do Pernambucano, até o desempenho caótico na Copa do Brasil que ninguém ousava vencer.

Passando pelo desmantelamento da comissão técnica no Brasileiro, tudo foi estranho.

Tomar gol no último minuto de jogo tornou-se uma maldição. Fardo antigo. Como se a hipóxia comandasse o time no segundo final. Que se tornava, segundo fatal.

Depois, a partida de Marcelinho, jogador que foi a grande revelação do primeiro semestre. Meia que se casava como uma luva com Geraldo, Wellington e Felipe. Novamente, por uma porção de reais se deixava partir um jogador que até agora não foi reposto.

Antes dele, a partida de Daniel Paulista. Volante que despontou para o futebol no Náutico. Volante que partiu e deixou a posição carente, apesar dos esforços de Ticão.

O vai não vai de Roberto Fernandes. Como entender um técnico saindo na segunda rodada do torneio mais importante do ano?

O resto é apenas consequência, meus amigos. Apenas consequência. Roberto Fernandes saiu quando não havia um projeto de técnico em mente. O Timbu vagou acéfalo por uma semana até ser jantado pelo Grêmio. Depois chamaram o Leandro Machado, o time bateu o Botafogo, mas perdeu o resto de compostura que tinha. Perdeu a fibra. Perdeu o campo. Perdeu o rumo. Perdeu do Palmeiras, e naquela derrota para o verdão o time jogou fora o orgulho.

E quando se perde a auto estima, o futebol vai pras cucuias. Quiçá a vida.

O Flamengo vendeu seus jogadores e preservou o técnico. Agora apanha que nem boi ladrão.

Igual ao Náutico. Os times do Rio são iguais ao Náutico, só que têm mais dinheiro pra gastar.

A nossa verba aumentou. E durante muito tempo essa parecia ser a tábua de salvação. Foi uma boa notícia, mas a campanha dos sócios malogrou. Os dirigentes dirão que a torcida não comparece, e eu vos direi no entanto: Comparecer onde?

O Clube Náutico não disponibiliza vantagem nenhuma para o sócio. Nenhuma. O estádio é desconfortável, os corredores são de quarto mundo (nada que um pouco de limpeza não ajude), a sede é para alguns, as quadras são as mesmas de setenta anos atrás (isso mesmo), as piscinas idem. A inauguração da lojinha foi um sopro de renovação em um ambiente alquebrado. Que bom! Mas, fora isso, o torcedor alvirrubro não vê razão para pagar sua mensalidade.

Aliás, vou tocar em um ponto nevrálgico. Pouca gente vai gostar.

O Náutico é um clube de alguns.

Isso mesmo, meus amigos. O Náutico é um clube de alguns.

Falo isso como apaixonado. Falo isso como alvirrubro. Falo isso com um peso no coração.

A torcida do Náutico é muito maior que o clube. A imensa torcida alvirrubra não participa da história do clube. É relegada ao lado de fora da sede, mantida nas filas em dias de chuva, ignorada nas solenidades.

Festa no clube é festa de alguns. Porque o alvirrubro não frequenta o clube. O alvirrubro não visita o salão de troféus. Experimente tentar conhecer o clube. O alvirrubro que não tem nome e sobrenome, dança.

Como imaginar um clube nos anos iniciais do século XXI que não prioriza o apaixonado torcedor? Que permanece uma oligarquia?

Muitos dirão que o que falo é uma mentira. Mas é a mais pura expressão da verdade.

O Náutico para mim sempre foi uma expressão do amor dos seus torcedores. Mas uma cidadela inexpugnável nas suas tradições. Terra de brasões e contra cheques recheados. Quando são recheados, muitas vezes nem são.

Pena que o futuro chegou. Chegou até para o Santa Cruz com uma torcida imensa, tricolor que não se modernizou, tricolor que permaneceu na mão de uns poucos. Caindo pelas tabelas.

O futuro chegou até para o Sport. Rubro negro que se imagina forte, mas depende espiritualmente e fisicamente de um nome chamado Bivar. Não se enganem os fanáticos.

Mais grave que as derrotas, meus amigos.

Mais grave que uma provável queda para a segunda divisão, é essa divisão canhesta dos que comandam (?) o clube em nosso momento histórico e dos que sofrem nas arquibancadas na chuva. Divisão medieval que assombra.

Um clube que só tem força na força de sua torcida, volta as costas sistematicamente para esta mesma torcida em nome de tradições e salamaleques.

Pois uma verdade não pode ser calada, meus amigos. Uma verdade que presencio há décadas. Uma verdade que é clara e cristalina pra quem não faz parte dos conselhos deliberativos da vida. Uma verdade que é verdade pra quem ama o clube apesar da ingratidão do dia a dia.

Quando o Náutico ganha, festeja-se a árvore genealógica.

Quando o Náutico perde?

Pra pagar a conta, convoca-se a plebe!


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