
Pernambuco já foi um estado respeitado pelos seus hospitais e profissionais de saúde, herdeiros de Piso e Marcgrave, herdeiros da antiga Santa Casa de Olinda.
O Pedro II era padrão de atendimento e ensino.
Foi sucateado lentamente, morbidamente, politicamente.
Aqui foi realizado o primeiro implante de lente intraocular do país.
Aqui nasceu, em Goiana, o fundador do ensino médico no país.
Aqui em 1930 foi instalada aparelhagem de Raio X no Hospital de Santo Amaro sem paralelo na América do Sul.
Aqui nasceu o primeiro catedrático de neurologia do país.
Inúmeros médicos pernambucanos figuram no panteão da medicina brasileira, médicos que sonharam com um estado sadio, profilático, responsável.
No entanto, as gerações e gerações de médicos do nosso estado esqueceram um detalhe.
Um microorganismo pernicioso, imune ao tempo. Mortal.
A medicina pernambucana esqueceu do vírus da política pernambucana, esta senhora quatrocentona que insiste em empurrar pra baixo do tapete os problemas da população.
Política que joga para as arquibancadas, para a mídia. Política que se aprimora em marcar gols. Contra as próprias redes.
Política que constrói elefantes brancos e estéreis.
Política que deixa hospitais sem luz, sem remédios, sem dignidade.
Política que não frequenta plantões de doze horas. Política que é atendida nos nosocômios da rede privada.
Se é verdade que a saúva era o grande problema do Brasil, não é menos verdade que a política é a grande enfermidade de Pernambuco.
O povo e a medicina pernambucana aguardam um novo Duarte Coelho, um novo Maurício de Nassau.
Se implantar o futuro parece coisa tão difícil para nossos dirigentes, pelo menos que eles respeitem e conservem o passado.
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