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29 de ago. de 2013





Acabei a consulta.

Agora.

E o paciente pede um atestado para o trabalho.

Um atestado para o dia de... amanhã.

Quando pretende viajar ao interior do estado.

Pra desopilar.

Botei pra correr...

2 de ago. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA



Um dia somos jovens
Imortais
Tão jovens e imortais que desejamos salvar o mundo
Vestindo o branco da paz
Vestindo o branco de nossos ideais.

Alguns dirão entre risos:
Como são tolos!
Nós que apenas somos jovens mortais.

E assim fazemos amigos
Fazemos escolhas
Fazemos amores
Fazemo-nos vida nos corredores estreitos da morte.

Sonhamos ser a salvação
Quando parte de nós nem mesmo sabe mais
Ser possível salvar o mundo
Esse mundo subversivo e miserável
Feito de trevas antes inimagináveis
Mundo que nos traga aos poucos
Cada vez menos imortais.

Um dia somos jovens
Imortais
Tão jovens e imortais que desejamos salvar o mundo
Vestindo o branco da paz
Vestindo o branco de nossos ideais.

O tempo nos leva o velho sorriso franco
O tempo nos impõe a lágrima
O tempo se impõe em rugas e cabelos brancos
O tempo fere nossa alma e coração.

Como preservar o sonho?
Como enfrentar a dor?
Como dar esperança a quem sofre
Senão permitindo que nos deixe a última centelha de amor?

A única resposta está naquilo que fomos
Na lembrança dos velhos amigos
Na lembrança das escolhas
Na memória dos velhos amores.

Daquele antigo jovem de sorriso largo
Jovem que ambicionava salvar o mundo
Jovem que sonhava salvar o mundo vestido de branco

Jovem que imaginava salvar vidas apenas com amor
Jovem que se julgava imortal
Resta apenas uma resposta quando chega a derradeira hora repleta de dor.

A única resposta está naquilo que fomos
Na lembrança dos velhos amigos
Na lembrança das escolhas
Na memória dos velhos amores.


No sonho de todas Marthas, Lucianas, Marthinhas, Indiras, Carmôs... 


* Dedicado a Carmem Kummer Spencer, a qual conheci pelas palavras e histórias contadas por Martha. Histórias cheias de sonho, amizade e fé.

25 de jul. de 2013





Vinte e poucos anos após os primeiros chutes.

O futebol pernambucano já forma seleções nas faculdades.

No dia 8 de outubro de 1927, a seleção de medicina vai a campo pra ganhar um tutu para a Policlínica de Pernambuco.

Em tempo.

A Faculdade de Medicina de Pernambuco tinha apenas sete anos de idade.



8 de jul. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA*


Cuba é um fenômeno. Pátria dos revolucionários e sonhadores de todo o mundo, a pequena ilha caribenha conseguiu feitos notáveis na educação, saúde e esportes após a Revolução em 1959.

A saúde dos cubanos é digna de primeiro mundo, embora a mortalidade materna seja compatível com o terceiro. Grande parte deste avanço se deve a melhor nutrição e a educação de qualidade, aspectos significativos na prevenção de doenças. O médico de família é regra em todo o país.

Mas e o profissional médico? Como será a vida nesta cidadela?

O médico cubano tem direito a casa e comida. Recebe o equivalente a quarenta dólares mensais. Cirurgias e atendimento ambulatorial ocorrem com o mínimo de tecnologia. Acesso à internet é limitado a trinta minutos semanais. Existem pouquíssimas clínicas privadas. O governo domina a imensa maioria dos postos de atendimento.

Vinte e duas são as faculdades de medicina no país. O número de médicos per capita é o dobro daquele registrado nos EUA. O que fazer com o excedente?

Exportação.

A exportação de mão de obra médica é responsável por uma receita anual maior que a obtida com o turismo.

O médico cubano no exterior não vê a cor deste dinheiro. Os valores obtidos no intercâmbio são remetidos diretamente para Cuba e permanecem numa poupança. O médico só recebe os vencimentos se retorna ao país.  

O Brasil tem muito a aprender com o modelo cubano. Um modelo que privilegia o atendimento primário a população. Porém, tal modelo só funciona se a educação também passa a ser encarada com seriedade. Tal modelo só funciona se o poder público for pensado com responsabilidade.

Mesmo com todo esse avanço na solução dos problemas de saúde em Cuba, um viés permanece na mente de todos que trabalham e vivem neste mundo. O médico de Cuba não é um cidadão livre. Seu destino é subordinado a vontade do Estado, seus ganhos são limitados pela vontade do Estado, seu ir e vir é limitado pelas amarras do Estado.

Um homem, um médico, um cidadão pode ser feliz sem liberdade?

Vale a pena uma sociedade com índices invejáveis de saúde e grilhões nas mãos dos profissionais que cuidam desta saúde?

E, principalmente, pode o Brasil conviver com o exercício da medicina realizado por colegas médicos que não possuem liberdade?

Por escravos de jaleco?

Por médicos que terão seus vencimentos entregues diretamente ao governo cubano?

São muitas as perguntas. Muitas as dúvidas.

Da resposta destas perguntas, da resolução destes problemas, depende a saúde do povo brasileiro...



·         Roberto Vieira é titular do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e Preceptor da Residência do Hospital de Olhos Santa Luzia

9 de abr. de 2013





Teve quem acreditasse... e fizesse a festa.

A perua durou 24 horas.

7 de abr. de 2013







Abril de 2010.

Neymar sofre trauma ocular.

É atendido pelo Dr. Cláudio Lottemberg, no Hospital Albert Einstein.

Hifema.

Hemorragia na câmara anterior.

Na região entre a córnea e a íris.

Repouso.

Uma nova hemorragia levaria a um risco maior de glaucoma.

Neymar fica bem.

Volta a jogar.

Mas...

Ninguém lembra até hoje.

Um outro trauma pode ser fatal.

Por que Neymar não usa óculos de proteção?








Por ALFREDO RELAÑO (do Jornal AS)          



A todos nos puso anoche la carne de gallina. Aquella noticia de que Abidal tenía cáncer de hígado nos abrumó: estamos preparados para las lesiones de los deportistas, accidentes relacionados con la heroica dureza de su tarea. Pero no estamos preparados para que caigan enfermos, para que la Naturaleza les traicione. Es algo desconcertante. Y peor si se trata de algo tan extremo como el cáncer, una enfermedad que durante tiempo nos ha espantado. La considerábamos una condena. Tanto es así que aún hay reparo a mencionarla y se recurre al ‘tumor’, a ‘algo grave’, a ‘murió tras larga y penosa enfermedad’.

Pero la Ciencia y la Voluntad lo pueden todo. Al ver a Abidal saltar ayer al campo a todos se nos puso un nudo en la garganta. Sí, era un regreso deportivamente intrascendente, con 5-0, en un partido resuelto, pero significaba un hito en la Historia, un gran salto para la Humanidad. No conozco caso alguno de jugador trasplantado que haya regresado en la alta competición en un deporte de contacto. Es difícil saber qué recorrido por delante puede tener todavía su carrera, si podrá algún día resistir partidos completos y de alta exigencia. Pero el primer tramo, el más difícil, ya se ha hecho. Ha vuelto.

En Abidal se pueden ver hoy todos los enfermos en circunstancias difíciles. De cáncer o de cualquier otra cosa. Trasplantados u operados de cualquier dolencia grave. El fútbol nos envió ayer un mensaje de optimismo, de confianza en el progreso de la medicina, de autoestima como especie, de seguridad en que nunca hay que rendirse. Admirable la flema con que Abidal agradeció al final a su primo, el donante, a las personas que le han rodeado y ayudado, a todo el mundo. Era la paz interior de un hombre que sabe algo y que nos lo ha podido enseñar saliendo a jugar al fútbol otra vez un partido oficial.


* Enviado por Mestre Lucídio

6 de abr. de 2013





Bom chute.

Forte no jogo aéreo.

Leopold Kielholz é o maior artilheiro em Copas do Mundo.

Utilizando óculos.

No caso.

Óculos especialmente adaptados pra aguentar o tranco dos adversários.

Além de marcar o primeiro gol da Suíça em Copas.

Kielholz ainda anotou outros dois.

No Mundial de 1934, na Itália.

Pra quem acha pouca coisa.

Kielholz é o maior artilheiro de uma temporada em seu país.

Além de deixar um total de 12 gols em 17 partidas pela seleção...






5 de abr. de 2013



CHARLTON E STILES


Pobre.

Em 2010, Nobby Stiles vendeu sua coleção de medalhas.

Entre elas.

A medalha da Copa de 1966.

Copa vencida por Stiles.

Após anular Eusébio na semifinal em Wembley.

Nobby Stiles foi o primeiro jogador em uma final de Copa do Mundo.

A utilizar lentes de contato.

Stiles que era míope.

Além de não possuir os dentes incisivos.

Graças a um acidente de trânsito...




4 de abr. de 2013





Campeão carioca de 1960.

Famoso pelas acrobacias.

Apelidado 'Constellation'.

Inventor da ponte-aérea.

Pompéia nunca foi levado muito a sério.

Um dia.

Excursão.

América-RJ x Real Madrid.

Pompéia se atira na bola.

O atacante madrilenho chuta com força.

Pompéia acorda com o curativo ocular.

Quando o médico retira o curativo.

Pompéia não enxerga mais nada.

Descolamento, hemorragia.

Fim de carreira.

A lenda registra que o jogador do Real que chutou a bola foi Di Stefano.

Mas.

Como o jogo ocorreu em 1969.

Tudo não passa de lenda.

Em 1969, Di Stefano treinava o Boca Juniors...

3 de abr. de 2013






Maior goleiro da Inglaterra.

Autor da maior defesa de todos os tempos.

Naquele que seria seu último jogo em Copas.

Gordon Banks vivia o sonho do bicampeonato mundial na Alemanha/74.

22 de outubro de 1972.

Banks dirige seu carro.

Quando um garoto atravessa a pista.

Acidente.

Banks ensanguentado pergunta:

'Is the child alright?'

A criança está bem.

Banks tem seu olho direito eviscerado.

A Inglaterra sem Banks?

Só irá jogar outro Mundial em 1982...








Os primeiros tempos da Fundação Santa Luzia.

Os jovens residentes de então.

Hoje muito mais sabidos que eu.

Me lembram.

Que estou ficando um cara das antigas...

2 de abr. de 2013




Por DURVAL VALENÇA FILHO        



Meu Querido Luís

Gestação gemelar complicada. Perdemos um dos bebês. Ficou meu pequeno ‘Pingo’.

Parto prematuro, UTI...

Chegamos em casa.

Uma criança feliz, trelosa e muito brincalhona, como muitas outras.

O tempo passa...

E Luís Felipe não vai falar não?

“É normal. Quando entrar na escola ele deslancha”, diziam todos.

Primeiros dias de aula.

Fui buscar Luís, assim como acontecia com João Vítor.

Ele olhou vagamente para mim e continuou a brincar. Achei estranho.

Nesta mesma semana, minha irmã Adriana, hoje oftalmologista, mas que tinha sido neurologista por dez anos, nos alertou: “Luís Felipe não está com uma interação social normal. Melhor vocês levarem a uma neuro-pediatra”.

Veio o diagnóstico: “Seu filho enquadra-se no quadro de Espectro Autista”.

Primeiro foi o choque!

Como não percebemos nada antes?

Depois do diagnóstico é que fomos juntando as peças do quebra-cabeça.

Um mistura de sentimentos.

Medo, apreensão, insegurança e ao mesmo tempo confiança e força para enfrentar o que viria pela frente.

Começa nossa luta. Minha guerreira esposa Bianca, largou praticamente tudo para dedicação total ao tratamento do nosso filhote.

Troca de escola. Começam as sessões de fono, psicoteratia, terapia ocupacional, equoterapia...

Iniciamos um longo curso de “Hanen” para aprender a lidar e estimular a interação de Luís.

O progresso veio a galope.

Receber o olhar dele nos meus olhos e ouvir “Pai, eu te amo”, foi o melhor presente que já pude receber na vida!

Depois de dois anos nossa amiga e médica Vanessa Van Der Linden, nos chamou para conversar.

“Luis está de alta. Pode parar todas as terapias”.

E nos revela “é o meu primeiro caso de alta em 20 anos”.

Obrigado Tia Vanessa, Tia Natália, Tia Jó, Tia Ana Carla, Tia Geórgia, Tia Sandra e Tia Simone. Obrigado a nossa cuidadora Maria e a todos da família que nos ajudaram na recuperação de Luís Felipe, o meu “Pingo de Luz”.






Craque do Santos de Pelé.

Ponta direita endiabrado.

Trauma ocular.

Acidente com o carro.

Paralisia músculo reto lateral.

Diplopia.

Mané Maria enxerga duas bolas.

E quando não enxerga, suprime.

A oftalmologista Maria Lúcia prescreve exercícios ortópticos.

Fisioterapia três vezes durante a semana.

Mané Maria que nunca voltou a ser o mesmo...

22 de mar. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA*


Prezado Conselho Federal de Medicina,

Fui condenado a morrer em casa.
Não de morte comum.
Porém, de morte violenta.
Confesso desconhecer meu crime.
Não fui sequer notificado.
E, definitivamente, sou INOCENTE!
Minha mãe deverá estar presente quando do cumprimento da sentença.
Do meu pai não se tem notícia.
Dizem que meus avós não querem nem mesmo ouvir falar de mim.
Não lamento a morte.
Já me avisaram lá em cima que ela é inevitável mais dia menos dia.
Lamento apenas não chegar a conhecer um pôr-do-sol.
O barulho do mar.
Pássaros cantando ou mesmo uma canção de ninar.
Metade da humanidade gostaria de me salvar.
A outra metade diz que não tenho direito à vida.
Chamam isso de democracia.
Liberdade para as mulheres decidirem o que querem fazer do seu corpo.
Realmente, devo partir.
Seria muito difícil entender este mundo.
Um mundo que em poucos minutos.
Irá me subtrair em milhares de pedaços.
Sangue e dejetos.
Tudo jogado numa cesta de lixo.
Aos Conselheiros que juraram preservar a vida.
Deixo meu último olhar.
Olhar que dizem não existir no meu corpo até a 12ª semana.
Não se preocupem nobres senhores e senhoras.
Sei apenas perdoar...

* Médico que não reconhece a decisão dos 27 Conselhos Regionais de Medicina. Conselhos que decidiram concordar com a liberação do aborto até a 12ª semana de gestação, mesmo em casos alheios ao estupro ou risco à saúde da gestante.  

19 de mar. de 2013






Isaac Salazar da Veiga Pessoa nasceu no dia 11 de abril de 1886.

Formou-se em medicina na Faculdade do Rio em 1911.

Apaixonando-se pela oftalmologia.

E por uma senhorinha de nome Carolina.

De volta ao Recife.

Isaac abriu seu consultório.

E por concurso.

Ocupou o cargo de Inspetor Sanitário

e chefe da Clínica Oftalmológica do Hospital Pedro II.

Catedrático.

Faleceu no cargo numa madrugada de 1941.

Em sua residencia na avenida Rosa e Silva, 1002.

Como herdeiro na oftalmologia?

Deixou seu filho, Roberto.








17 de out. de 2012





10 de out. de 2012




Mestre Gilvannewton me lembrou.

Quiz antiga.

Resposta?

O Doutor da Bola é Carvalho Leite.

Médico e supremo artilheiro botafoguense.

O homem que batizou Heleno de Freitas.

Sabia tudo.

De bola, de gol e de medicina...

20 de set. de 2012





1957.

Discurso de Antonio Figueira.

JK inaugura a Faculdade de Medicina de Pernambuco na Cidade Universitária.

JK que recebe na ocasião.

O título de doutor honoris causa da Universidade.

Universidade do Recife nascida sob o governo Dutra.

Mercê dos governos militares de janistas que lhe seguiram.

A faculdade sofreu pra botar os pés na estrada nos anos 80.

E até hoje, padece da amaurose política de quem comanda nosso país.

19 de set. de 2012





Há 55 anos.

O médico e presidente JK.

Inaugurava o então moderno Hospital Barão de Lucena.

Brasília?

Ainda nos sonhos...