17 de jun. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

O técnico Carlos Vierri dorme tranquilo esta noite. Quando a crise está braba, nada melhor que ganhar de um velho freguês.

Freguês desde os tempos do Presidente Alejo Julio Argentino Roca Paz. Argentino até no nome.

O primeiro duelo contra los hermanos foi em homenagem ao presidente. No distante 1914.

Os argentinos nos receberam cordialmente. O primeiro duelo não existiu.

Todos usavam luva e fraque.

Os argentinos nos receberam com flores no porto de Buenos Aires. Os brasileiros se fingiram de morto e perderam o amistoso por 3x0 no dia 20 de setembro de 1914.

Ainda não valia taça.

Os argentinos nos ofereceram banquetes. Nós gentilmente fomos aos banquetes, dançamos com as belas vizinhas e cumprimentamos o Tenente-General Alejo Julio Argentino Roca Paz.

Gostava tanto de futebol que criou uma taça com seu nome. A Copa Roca. Taça que seria disputada no dia 27 de setembro.

Julio Roca foi presidente argentino por dois mandatos. O mais jovem presidente argentino. Um presidente ambíguo.

Tornou o ensino primário gratuito e obrigatório, abrindo as portas dos seus compatriotas ao século XX.

Mas aniquilou os indefesos indígenas da Patagônia. Para que a Argentina fosse européia.

Ele ficou muito contente pois o time brasileiro era europeu. Felizmente não se conhecia o DNA na época.

No jogo que valia taça, os argentinos entraram invencíveis. Os brasileiros defensivos.

O jogo era pra valer.

O elegante gentleman Rubens Salles desferiu um petardo da intermediária: 1x0!

Para o Brasil. Um Exocet ao contrário.

Os argentinos reagiram com um gol de mão. O juiz validou.

Mas o capitão Gallup Lanus da Argentina educadamente comunicou ao árbitro a irregularidade.

E o jogo terminou mesmo 1x0.

Marcos Mendonça, o nosso goleiro, titular da seleção por mais de 50 anos, foi carregado em triunfo. Pelos hermanos!

Tempos de florete.

Julio Roca faleceu um mês depois. Inconformado com a derrota.

Rubens Salles sentiu remorso. Mas nada que lhe tirasse o sono.



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