18 de jun. de 2008






Por ROBERTO VIEIRA

- Nelson, vem cá.

- Que foi Mário?

- Você assistiu o jogo no Mineirão?

- Não, Mário. Fiquei escrevendo.

- Mas Pedro não te proibiu?

- Proibiu. Mas O Chefe permitiu. Disse que gosta quando eu escrevo sobre futebol.

- Ah... E como você vai escrever sobre futebol se não viu o jogo, mano?

- Quanto foi o jogo Mário?

- 0 x 0, Nelson!

- Pois é, mano velho. 0 x 0 da seleçao de Dunga é só título e ponto final.

- Só?

- Só. O resto ninguém sente falta. Digamos que é o futebol de Dunga como ele é.

- Com esse são duzentos e setenta minutos sem gol. Parece que enterraram um sapo de Arubinha na CBF!

- Pois é Mário. Mas o que são duzentos e setenta minutos quando a gente tem toda a eternidade diante de nós?



- Pouca coisa. Soube que a torcida gritou o nome do Chefe?

- Tá brincando? Futebol só tem palavrão, parece peça minha.

- Foi. Teve uma hora que ficou tudo muito religioso. O Mineirão gritava: Ah, Deus! Dunga!

- Mário, tem certeza que foi isso mesmo?

- Bom Nelsinho, pelo menos foi isso que o Dunga pensou que escutou. Mas eu não boto minha alma no fogo por ele.

- Por que, Mário?

- Cê sabe, mano. Dunga só ouve o que quer ouvir...

Pequena homenagem ao centenário do inesquecível Mário Filho e ao seu mano, Nelson Rodrigues.



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