
Por ROBERTO VIEIRA
- Nelson, vem cá.
- Que foi Mário?
- Você assistiu o jogo no Mineirão?
- Não, Mário. Fiquei escrevendo.
- Mas Pedro não te proibiu?
- Proibiu. Mas O Chefe permitiu. Disse que gosta quando eu escrevo sobre futebol.
- Ah... E como você vai escrever sobre futebol se não viu o jogo, mano?
- Quanto foi o jogo Mário?
- 0 x 0, Nelson!
- Pois é, mano velho. 0 x 0 da seleçao de Dunga é só título e ponto final.
- Só?
- Só. O resto ninguém sente falta. Digamos que é o futebol de Dunga como ele é.
- Com esse são duzentos e setenta minutos sem gol. Parece que enterraram um sapo de Arubinha na CBF!
- Pois é Mário. Mas o que são duzentos e setenta minutos quando a gente tem toda a eternidade diante de nós?

- Pouca coisa. Soube que a torcida gritou o nome do Chefe?
- Tá brincando? Futebol só tem palavrão, parece peça minha.
- Foi. Teve uma hora que ficou tudo muito religioso. O Mineirão gritava: Ah, Deus! Dunga!
- Mário, tem certeza que foi isso mesmo?
- Bom Nelsinho, pelo menos foi isso que o Dunga pensou que escutou. Mas eu não boto minha alma no fogo por ele.
- Por que, Mário?
- Cê sabe, mano. Dunga só ouve o que quer ouvir...
Pequena homenagem ao centenário do inesquecível Mário Filho e ao seu mano, Nelson Rodrigues.
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