15 de jun de 2017



ROBERTO VIEIRA
Tenho absoluta certeza de que Náutico, Santa Cruz, Sport, América e Central foram construídos por homens de bem, pessoas que acreditavam na fraternidade, na honestidade e na associação de pessoas rumo ao ideal comum. Todos eles. Homens que diziam suas verdades diante de seus eventuais opositores, homens que traçavam seus limites e fronteiras com clareza e idealismo.
Por isso, tais instituições se tornaram centenárias – ou quase no caso centralino. Por isso, elas representam um importante polo de identidade cultural na nossa sociedade. Por isso, milhares de pessoas se associam a estes clubes e defendem suas cores na paixão dos esportes.
A modernidade, ou seria a falsa modernidade, nos coloca face a face com outro grupo de pessoas. Pessoas que não construíram o clube, que não jogaram por suas cores, que não colaboram com a grandeza das instituições, pessoas que se arvoram no direito de infringir todas as regras de civilidade no contato pessoal e das redes sociais com tudo aquilo que foge do que consideram o ‘certo’.
O ‘certo’ para elas são elas mesmo. Quem está fora do seu corpo e alma – já que intelecto anda raro – é inimigo. Inimigo digno de ser destroçado, oprimido, ameaçado, acuado, eliminado. Já não se trata de adversários apenas de equipes adversárias. Atualmente, os inimigos estão vestindo suas próprias cores – pasmem. Qualquer um que não reze o corão dos xiitas atuais é digno de ter a cabeça degolada ou de ser pendurado qual Judas num poste de iluminação pública.
A falta de educação, a ausência de civilidade, a inexistência de padrões civilizados de comportamento transbordam de suas bocas, dedos e zaps. A velocidade dos teclados nos Facebooks e aplicativos é feroz. Querem matar, esganar, trucidar dirigentes, técnicos, jogadores, torcedores, Deus e o Diabo na terra do Sol.
Pausa para o bom senso.
Estas pessoas que agridem gratuitamente em nome do futebol, e de outras coisas também, devem ser detidas pelos seres humanos de boa vontade. Não é possível que carreguem a tocha do fogo perpétuo incendiando pessoas e adjetivos que levaram décadas para serem construídos com muito trabalho e honradez. Caso exista erro, investiguemos os erros e punamos os culpados. Mas que as acusações sejam levadas a cabo pelas autoridades responsáveis e sob a luz da razão e do direito.
Porque se assim não for feito, nenhum homem ou mulher de boa índole e boa vontade irá se expor a trabalhar em um clube de futebol, arriscando sua reputação, sua família e sua paz de espírito.
O futebol sempre foi território de paixão. Muita paixão. Mas a paixão não pode existir desprovida do respeito e do direito. O adversário dos campos não é o inimigo das ruas. A vitória não se deve obter a qualquer preço. O desporto surgiu para unir as pessoas em torno da beleza e da verdade.
É preciso que cada pessoa, nas redes sociais e nos estádios de futebol, nas ruas e nas sedes do clube, sejam responsáveis pelos seus atos. Por suas palavras e por seus textos. É preciso que a paz e a legalidade voltem a reinar na terra do futebol.
Pois esta é a única forma de que nossos clubes, símbolos sociais de nossa comunidade permaneçam por mais cem anos.
Pois fora do direito, do respeito e da verdade, existe apenas a barbárie e as trevas.

Cruel e absoluta. 


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