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23 de mai de 2017



POR ROBERTO VIEIRA

Andei procurando nos últimos tempos uma explicação qualquer para a desconstrução do ídolo e baluarte alvirrubro Ivan Brondi. Por que uma legião de novos alvirrubros deseja dia e noite ver a saída do Mestre Ivan da presidência do Clube Náutico Capibaribe. Por que em vez de colaborar com o clube e com a a gestão de Ivan, dezenas de pessoas ocupavam o Conselho e as esquinas do clube, pichando muros e colocando obstáculo após obstáculo na ânsia de solapar a administração.
A explicação achei depois de mais uma noite de insônia vermelha e branca.
Isso depois de franzir a sobrancelha a cada vez que alguém me chegava pra falar dos defeitos de Ivan:
‘Ele é honesto demais!’
‘Ele é bonzinho demais!’
‘Ele não é político!’
‘Ele acredita nas pessoas’, este último parece ser o defeito mais terrível.
Porém, meus xiitas.
Ivan representa o Náutico que deu certo.
Ivan representa um atleta de talento e aplicação exemplares.
Ivan representa tudo que não se consegue fazer no clube.
Ivan é o avesso do avesso do avesso psicanalítico.
Destruir Ivan para muitos é destruir o antigo.
É cravar as garras como Édipo no seu adversário para erguer um novo clube, mais forte e mais competitivo que o Náutico do passado.
Fazendo uma rima inesperada, eu acho que quem é contra Ivan deveria mesmo era deitar num divã.
Porque não precisamos passar por cima das glórias do passado para também sermos vencedores.
Porque o Náutico é um CLUBE, não uma associação política com fins revolucionários como desejam alguns.
Porque quem não respeita os personagens de sua história com facilidade se descarta dos parceiros do futuro.
Fazer um Náutico forte não implica de forma alguma destruir o Náutico de inúmeras conquistas de Ivan Brondi.
Quem pensa assim ainda convive com fralda e mamadeira.
E quem convive com fralda e mamadeira é alguém de difícil diálogo – pois desconhece o que é a palavra.
Escrevendo estas linhas, que de forma alguma são para defender Ivan, pois Ivan não precisa de defesa nunca, sua vida é sua declaração de méritos, chego à conclusão de que aqueles que buzinam e ofegam impropérios são capazes de muita coisa.
Como por exemplo, vaiar o time do Hexa em campo, dilapidar a estátua de Eládio na sede, virar as costas a um Baiano ou a um Juca Show no passado.
Porque tudo que não faz parte da mente brilhante deles é errado, tosco e incompetente.
Por fim, acompanhar o Náutico atualmente faz mal a saúde física e mental de qualquer apaixonado. É como acompanhar o noticiário de Brasília. Como sair pra jantar com os sócios da JBS e da Odebrecht.
Coisa que decididamente uma pessoa normal não curte fazer...

12 de mai de 2017



ROBERTO VIEIRA


Muita gente não imagina - pensa que é mentira. Mas os dias eram assim, bicho!

13 de maio de 1977. Dia da abolição da escravatura por ironia. Os jogadores brasileiros recebem um decreto da Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Todo mundo de juba aparada, elegante e calado. Atleta da seleção na Copa de 78 não podia abrir o bico nem opinar sobre nada: de esquema tático até política.

Se é que alguém era doido de falar em política após o abril de pacotes e desavenças entre Geisel e o Congresso.

Marinho Chagas era alvo fácil Suas madeixas louras eram fetiche para os delírios militaristas de plantão.

E assim, a seleção foi pra Copa com um contrato milionário com a Adidas - os jogadores não viram um tostão. Um capitão do exército foi o técnico. Um almirante foi o comandante fora das quatro linhas - escalando até Dinamite.

Fomos campeões morais de uma Copa imoral que de bom mesmo só apresentou cento e oitenta minutos da Laranja Mecânica sem Crujff.


Laranja que tinha os cabelos dos hippies woodstockianos. 

11 de mai de 2017



ROBERTO VIEIRA
Zizinho já estava com 36 anos, mas ainda era uma das maiores estrelas do futebol brasileiro. Jogando no Bangu desde 1950, o meia acumulava admiradores no Brasil e o mundo - entre eles o garoto Pelé.

O Bagu veio jogar um amistoso contra o Santa Cruz em 1957. Termina o jogo e a diretoria do tricolor procura Zizinho manifestando interesse no craque.
Zizinho atendeu a todos com carinho e não disse que não.
O Diario de Pernambuco e O Jornal carioca publicaram a notícia. O presidente Fausto de Almeida do Bangu não se colocou contra o negócio.
Zizinho?
Zizinho se transferiu mesmo para um tricolor, mas o tricolor paulista, onde foi campeão paulista de 1957 comandado pelo húngaro Bella Guttman, tendo Maurinho e Canhoteiro no ataque.
E a gente fica imaginando o Santa Cruz Supercampeão de 1957 com Lanzoninho, Rudimar e Zizinho em campo.
Não ia ter nem graça...

9 de mai de 2017



ROBERTO VIEIRA
Sempre que alguém me vem falar do presente, lembro que nada existe de novo sob o céu faz tempo. Falam de uma possível renúncia do excepcional Ivan Brondi. Fazem de tudo para que ele deixe o comando de Rosa e Silva. Mas calma, Mestre Ivan. Nada de novo sob o sol.
A História é uma caixinha de surpresas. A gente volta e meia remexe nela e se surpreende com a atualidade do passado – apesar de muita gente erguer altares à modernidade.
A história abaixo foi manchete dos jornais exatamente no dia... 9 de maio de 1947. Exatos setenta anos, Mestres!
Pois bem.
Corria o ano de 1947. José Alfredo Brandão fora eleito presidente do Clube Náutico Capibaribe. Recebia o poder das mãos de Aroldo Fonseca Lima.
José havia brilhado no remo alvirrubro. Inúmeras vezes campeão, atleta de guarnições famosas, torcedor apaixonado pelo clube desde 1910, ele recebeu o clube com uma dívida vultosa para a época: 60 mil cruzeiros ou 400 mil reais em valores atuais pela tabela de conversão do Estado de S. Paulo.
José pagou os 60 mil cruzeiros nos primeiros três meses de mandato. Diante dos jornais, ele insistia que o clube não atravessava nenhum crise financeira ou social. Apesar dos desmentidos, a perda do estadual de 1946, quando o Náutico se recusara a disputar a segunda partida das finais com o Santa Cruz, era motivo de discórdia entre os sócios do clube.
A gota d’água para José veio no dia 24 de abril de 1947. Naquela jogo que serviria para o Náutico ir a desforra diante do tricolor, a derrota por 2 x 0 doeu na alma de Rosa e Silva.
José Alfredo Brandão sentiu a pressão. Os negócios e a família deixados de lado. O clube perdido em sua história, sem saber pra onde deveria ir naqueles anos de pós-guerra.
José entregou sua carta de demissão.
Os jornais buscaram descobrir os motivos. Teorias da Conspiração cruzaram os céus das redações.
Manuel César de Moraes Rego recebe o cargo. Manuel que havia sido presidente no distante 1929 – ano da chegada do célebre técnico Umberto Cabelli ao Náutico.
Diante da crise, das derrotas, do futuro incerto, com apenas três títulos estaduais de futebol na bagagem, surge um novo personagem nos Aflitos.
Um personagem que havia sido diretor de esportes terrestres sob a batuta do presidente Manuel César de Moraes Rêgo em 1929.
Um personagem que assumiria o clube no ano seguinte que seria presidente alvirrubro por mais de dez vezes. Sempre unindo o coração alvirrubro diante dos obstáculos.
O homem que construiu o mito do Náutico grande e forte.
Um certo Eládio de Barros Carvalho.
Eládio que sempre foi fã de Ivanildo e de Ivan.
NOTA DO AUTOR: Curiosamente, Manuel Cesar de Moraes Rego ainda seria presidente no Tetracampeonato de 1966.

7 de mai de 2017



Por ROBERTO VIEIRA

Roquette Pinto e Epitácio Pessoa que nos perdoem.
Mas a primeira transmissão oficial de rádio ocorreu em Pernambuco.
Antonio Joaquim Pereira no comando na Ponte D’Uchoa.
Lá se vão 98 anos.
Rádio Clube de Pernambuco na vanguarda.
Rádio Clube que deveria ser PRA-1 e virou PRA-8.
Coisas de Santos Dumont e Irmãos Wright.
Pernambuco foi o primeiro a falar para o mundo.
Mas se existe dúvida quando se fala de rádio.
Não haverá dúvida quando se fala de arbitragem de vídeo.
Após um campeonato de qualidade duvidosa.
A Federação Pernambucana de Futebol anunciou em manchetes.
Pela primeira vez no Brasil – e após um ano de testes com a FIFA e CBF.
A primeira partida da final Sport x Salgueiro entra para a história.
O juiz poderá tirar suas dúvidas em quatro situações:
Foi gol ou não foi gol?
Cartão vermelho direto indevido.
Foi pênalti ou não foi pênalti, cara?
Identificação errada do jogador punido.
Momento de festa.
Momento de pioneirismo.
Os pernambucanos andam lembrando até do Graf Zeppelin no Campo do Jiquiá.
Dando certo ou dando lambança, continuamos pioneiros.
Pena que o campeão do estadual só será conhecido perto do São João.
Quarenta e tantos dias e quarenta noites após o jogo de hoje.
Pois a única data disponível é o distante 18 de junho.
Porque se a modernidade chega aos nossos estádios.
O nosso futebol continua nas ondas do rádio...