24 de abr de 2017



Por ROBERTO VIEIRA

O Clube Náutico Capibaribe parece ter chegado a um beco sem saída. Treze anos sem títulos. Chacota nas redes sociais e na mídia. Guerra civil entre seus sócios. Desclassificação na Copa Brasil Sub 20 por questões administrativas. Bronca no contrato com a Arena Pernambuco. Estádio dos Aflitos precisando de uma cara e extensa reforma. Campanhas bisonhas no Nordestão e Copa Brasil.
Toda crise implica em dois caminhos na vida. Ou você desaparece ou renasce mais forte e mais moderno. O Náutico já viveu crises semelhantes no passado e reviveu, basta olhar para 1949 e 2000. Portanto, ressurgir não é problema insolúvel. Mas que tal ressurgir de forma a evitar que tais vexames voltem a acontecer?
As condições para um novo começo, uma ressurreição existem. A torcida alvirrubra tem alto poder aquisitivo. O clube tem condições plenas de colocar uma média de vinte mil torcedores por jogo nos estádios – desde que tenha uma equipe competitiva em campo. Existe um Centro de Treinamento em excelentes condições de uso, fruto do trabalho de uma legião de sócios. O clube tem uma área nos Aflitos que pode ser aproveitada para esportes amadores e para uso social dos seus aficcionados e não-aficcionados. O clube tem história e é parte da memória da cidade e do estado de Pernambuco.
Porém... aí vem a parte mais difícil, como modificar o pêndulo da história? Como viabilizar o inviável?
Um bom começo é reconhecer que o futebol é inviável em todo o mundo. Os clubes que se dedicam primordialmente ao futebol não são entidades lucrativas nas suas contas bancárias. O fundamental é o lucro na sua sala de troféus e na sua imagem na mídia. Normalmente se reinveste o que se ganha nas contas bancárias no elenco. Viabilizar um clube de futebol não significa ter uma conta no banco de fazer inveja, mas ter um patrimônio em imagem, atletas e conquistas. A camisa vale quanto ganha e quanto representa no imaginário de seus torcedores e no âmbito esportivo.
Primeiro passo nos Aflitos? Criar uma terceira via de Poder. Uma terceira via que não esteja conectada com a guerra civil de ofensas e despautérios que tomou conta do clube nos últimos anos. Uma terceira via que pacifique a casa sem necessariamente precisar que todo mundo pense igual – fato impossível. Basta apenas colocar o Náutico Acima de Tudo. Poderíamos chamar de governo de coalizão.
Segundo passo? Uma pesquisa do lado financeiro do clube. Quantos funcionários tempos? De quantos funcionários precisamos? Qual a folha de pagamento dos funcionários que podemos pagar em dia? Chega de conviver com atraso de salários como se fosse o décimo primeiro mandamento de Moisés. Se possível, enxugar o quadro, qualifica-lo e pagar até um décimo quarto salário de bônus.
Terceiro passo? Um gabinete das dívidas trabalhistas do clube. Quanto e a quem devemos? Quanto pagaremos de acordo? Proibição formal de contratar e demitir sem análise financeira dos contratos. Qual o passivo do clube? Como vamos quitar este passivo?
E seguirmos o remédio amargo até o fim.
Quarto? Condições plenas para os atletas da base. Conforto, educação e saúde para nossos meninos. Precisamos que eles carreguem pela vida o orgulho de terem sido criados no Clube Náutico Capibaribe. Respeito e dignidade para a Base.
Quinto. Respeito e dignidade com nossos sócios. Promoções, tratamento vip, recepção de primeiro mundo, atenção e antecipação nos desejos dos que amam e consomem o clube. O sócio tem sempre razão. Em vez de pedir para que o sócio se sacrifique pelo clube, o clube deve se tornar um padrão de cuidado com seu torcedor.
Sexto. Todo poder ao Marketing. Recuperar a imagem do clube através da propaganda positiva. O Náutico deve ser o clube que todos gostariam de ser.
Sétimo. Ao se tornar um clube de primeira, o Náutico deve associar sua imagem com produtos e parceiros de primeira. A capacidade financeira da torcida alvirrubra deve ser capitalizada em receitas para o clube. O clube precisa se tornar independente financeiramente com receitas paralelas ao futebol.
Oitavo. Rosa e Silva precisa se tornar um oásis dos esportes amadores e da vida social do clube como foi no passado. Situado num dos locais com maior poder aquisitivo do Recife, o Náutico precisa voltar a ser referência na prática desportiva e social na região.
Nono. Já existe um belo projeto de Arena dos Aflitos nos moldes dos estádios londrinos. Não é uma parte fácil do projeto do Náutico.  Existe uma crise no Brasil, mas nunca é demais lembrar que o futebol do Náutico nasceu do crack da Bolsa em 1929.
Décimo? O Clube Náutico Capibaribe deve sempre se lembrar do que o clube é e do que ele representa. O Náutico é um clube que sempre venceu campeonatos baseado na técnica refinada de seus atletas. Um clube que sempre celebrou o talento. Um clube que foi legado de geração em geração através de 116 anos. Um clube de Bitas e Carlos Celsos.  Um clube de Lucídios e Ivanildos, Ivans e Salomões. Um clube que sempre prezou pelos triunfos cobertos de glória nos campos, nas piscinas e nas quadras.
Um clube que precisa trafegar na virtualidade do século XXI para voltar a ser uma das mais belas realidades da alma pernambucana.
Mas para isso é necessário grandeza. A grandeza de todos os atores envolvidos na história e no dia a dia do clube. Grandeza e profissionalismo. Porque um clube só é grande quando são grandes e imensos aqueles que escrevem a história de um clube.

Quando aqueles que amam o clube colocam o Náutico Acima de Tudo.


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