4 de dez de 2016



 Por ROBERTO VIEIRA

Era Nova Granada de Espanha, diria Blanc.
Corações tropicais cobertos de terra e adeus.
Era o café.
A Liga Pirata do Millionarios.
O azul ballet.
Febre louca e breve ferindo o silêncio e o ar.
Macondo e Buendía.
Movimentos guerrilheiros que se estendiam.
Entre o narcotráfico e a ideologia.
Era Betancour.
Valderrama nas selvas amazônicas.
Escobar dos bilhões em drogas.
Escobar do gol contra e do sonho desfeito.
Um país roubado do Panamá.
Uma terra de Higuita e Urrutia.
O amarelo da riqueza na terra.
O azul do mar.
O vermelho do sangue derramado na Independência e na dependência terceiro-mundista.
A Colômbia era todas essas coisas.
A Colômbia eram cem anos de solidão.
E eis que a Colômbia se fez mãe.
Uma mãe gentil para as vítimas do desastre aéreo.
Um povo muito além de Di Stefano e Pedernera.
Um povo maior que a categoria de Nestor Rossi em El Campin.
E todos os brasileiros se descobriram meio colombianos.
Como náufragos que chegam a Cartagena após a tempestade ter fim.
Náufragos enviando mensagens cobertas de terra e sal.
Náufragos que descobrem na Velha Granada.
Um pedaço da impossível terra natal...


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