12 de mai de 2016



ROBERTO VIEIRA

O Morumbi era jovem.
Jovem e inacabado.
2 de março de 1969.
São Paulo e Corinthians em campo.
Chuva intensa. Raios.
Um dos raios cai no estádio.
Uma mureta no pavimento das numeradas cede.
Tijolos desabam sobre quem estava no pavimento inferior.
Um morto e cinquenta feridos.
João Benedetti não verá outra vitória do Timão.
O Morumbi ainda estava nascendo, diziam os seus defensores – eram coisas da idade.
O fato se repetiu sem raios no Morumbi nesta quarta-feira.
Sem raios.
Outra vez, coisas da idade.
Em ambos os casos, realmente são coisas da idade dos estádios.
O Morumbi de 1969 estava a ser construído e já recebia multidões.
O Morumbi de 2016 está velhinho e ainda recebe multidões.
Como o Maracanã de 1992 se desfazendo em morte.
Ou o Arrudão de 2016 com acidentes no fosso medieval que circula o estádio.
Certo!
As Arenas foram pirâmides erguidas no Brasil da Copa.
Corruptas e corruptoras.
Mas defender antigos estádios de grades e fossos paleolíticos não faz sentido.
A idade dos antigos e simpáticos estádios já chegou.

Melhor aposentar que contar mortos e feridos...


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