11 de mai de 2016



ROBERTO VIEIRA

O encontro São Paulo x Atlético-MG sempre me traz uma dimensão literária.

Por uma única expressão.

Antológica para o menino de sete anos de idade.

Revista Placar, 17 de dezembro de 1971.

Segunda página.

O jornalista Artur Ferreira escreve empolgado.

E ao descrever o golaço de Odair.

Uma bomba que passou no meio da barreira – Gerson se abaixou com medo.

Artur Ferreira descreve o salto no vazio do goleiro Sérgio:

‘Sérgio ainda saltou. Por puro desencargo de consciência. ’

Parei extasiado.

Não havia entendido o significado da frase.

Mal sabia o que era desencargo.

Muito menos o que era consciência.

Só descobri tempos depois pela vida.

Quando saltava no vazio dos dias e dos amores.

Mas esta frase permaneceu comigo desde 1971.

Machadiana.

A lembrança de um goleiro vencido tentando o impossível.

A beleza freudiana de um jornalista numa revista de futebol.

Provando que escrever pode ser belo.

Tão belo quanto um jogo entre São Paulo x Atlético-MG.

Pois caneta e bola são irmãos na Criação...




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