30 de nov. de 2015




Oitenta e nove anos é muito tempo.

A Alemanha não tinha campeonato oficial.

A Holanda era amadora.

O Paulistano mandava em São Paulo e o São Cristovão no Rio.

23 de maio de 1926.

Um domingo de sol e chuva.

O uniforme alvirrubro comprado de mangas compridas.

Calções nos joelhos.

O campo dos Aflitos era no sentido contrário.

Uma das barras do lado da Rosa e Silva.

O sol descia sobre os goleiros inclemente e parcial.

O keeper do Náutico era o longevo Lula.

Lula que não era o Monstrinho.

O zagueiro Heleno era xodó da imprensa.

Machucou-se no primeiro tempo.

Recebeu cuidados das fãs e voltou na segunda etapa.

Barbosa era meio campo - será o Barbosa Lima Sobrinho, Mestres?

O ataque trazia Bartolomeu, Lião, Abelardo, Fernando e Ivan.

Ivan não era Brondi.

Fernando não era Carvalheira.

Mas Limão era Limão.

Do outro lado estava o Todo Poderoso Torre.

Time do governador do estado.

Madeira Rubra preparada para dominar nosso futebol até a Revolução de 30.

Revolução que pôs o Santa Cruz em seu lugar - para alegria de Agamenon Magalhães.

A pequena multidão de chapéus viu o Náutico abrir o marcador com Fernando.

Viu um jogo truncado com 21 faltas.

Viu a ala esquerda do Torre com Chiquito e Chiquinho.

Viu o center-half Hermes empatando a pugna.

Não havia Lucídio nem Carlos Celso.

Não havia brigas e gangues de rua.

Havia apenas Eládio adolescente sonhando ser campeão.

Havia apenas a mesma paixão que transforma homens velhos e barbados em crianças de colo.

A eterna paixão pelo futebol...




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