Oitenta e nove anos é muito tempo.
A Alemanha não tinha campeonato oficial.
A Holanda era amadora.
O Paulistano mandava em São Paulo e o São Cristovão no Rio.
23 de maio de 1926.
Um domingo de sol e chuva.
O uniforme alvirrubro comprado de mangas compridas.
Calções nos joelhos.
O campo dos Aflitos era no sentido contrário.
Uma das barras do lado da Rosa e Silva.
O sol descia sobre os goleiros inclemente e parcial.
O keeper do Náutico era o longevo Lula.
Lula que não era o Monstrinho.
O zagueiro Heleno era xodó da imprensa.
Machucou-se no primeiro tempo.
Recebeu cuidados das fãs e voltou na segunda etapa.
Barbosa era meio campo - será o Barbosa Lima Sobrinho, Mestres?
O ataque trazia Bartolomeu, Lião, Abelardo, Fernando e Ivan.
Ivan não era Brondi.
Fernando não era Carvalheira.
Mas Limão era Limão.
Do outro lado estava o Todo Poderoso Torre.
Time do governador do estado.
Madeira Rubra preparada para dominar nosso futebol até a Revolução de 30.
Revolução que pôs o Santa Cruz em seu lugar - para alegria de Agamenon Magalhães.
A pequena multidão de chapéus viu o Náutico abrir o marcador com Fernando.
Viu um jogo truncado com 21 faltas.
Viu a ala esquerda do Torre com Chiquito e Chiquinho.
Viu o center-half Hermes empatando a pugna.
Não havia Lucídio nem Carlos Celso.
Não havia brigas e gangues de rua.
Havia apenas Eládio adolescente sonhando ser campeão.
Havia apenas a mesma paixão que transforma homens velhos e barbados em crianças de colo.
A eterna paixão pelo futebol...
0 comentários:
Postar um comentário
Comentários