Antes de mais nada, o Estádio de São Januário é um ícone.
Juntamente com as Laranjeiras foi palco maior do futebol brasileiro.
Eu e qualquer cara que ama o futebol curte São Januário.
Dito isso.
São Januário parou no tempo.
Mais ou menos em 1949.
Como os Aflitos, o Canindé, a Ilha do Retiro e o Arrudão.
Não possui mais condições de receber grandes jogos.
O espetáculo de ontem frente ao dilúvio carioca é claro e cruel.
Vestiários inundados.
Pessoas andando no meio da água suja - parece que não tem leptospirose no Rio.
Em 1996?
Foram 1700 casos notificados com 51 mortes.
E de lá pra cá nada mudou.
Os jogadores?
Atravessaram a torcida no muque.
Sob o entusiasmo dos comentaristas globais - inacreditável!
Fosse em outro rincão?
Gritariam que estávamos de volta na pré história.
Com certeza os comentaristas também amam São Januário.
E por amar o velho estádio eles o defendem com unhas e caninos.
Mas as gestões temerárias mirandizaram e dinamitaram o colosso da colina.
O Vasco da Gama vive no cai não cai.
Vasco que é imenso.
Tão imenso quanto seu velho e querido estádio.
Mas não custa lembrar de um certo ano de 2000.
Um certo jogo entre Vasco e São Caetano.
Quinze anos depois?
Nada mudou.

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