12 de jun. de 2013




Por ROBERTO VIEIRA    



O verbo namorar tem origem singela. Significa apenas 'estar enamorado', ou seja, estar amando. Portanto, o dia dos namorados é o dia das pessoas que estão vivenciando esta experiencia única e indizível chamada amor. Para quem está amando, o dia dos namorados são todos os dias. Para quem não ama, o dia dos namorados é uma fragilidade capitalista, pois nada mais sem sentido que o dia dos namorados para quem não está 'enamorado'.

O homem velho está sentado sozinho na praça. Ela se foi. É o dia dos namorados e ela se foi. Ela se foi há muito tempo na memória das pessoas e do mundo. Ela se foi das ruas onde fazia compras e conversava com as amigas. Ela se foi da igreja onde acendia velas pela família. Ela se foi da mesa nas horas infinitas do café, almoço e jantar. Ela se foi das festas quando ele a tirava pra dançar.

Quem sabe foi tudo ficção? Um momento de romantismo de um velho coração safenado? O lirismo do passado em que tudo parecia perfeito, eterno, iluminado?

A praça anda precisando de uns cuidados. Brinquedos quebrados, flores mortas, flores murchas, folhas espalhadas pelo chão. Apenas o velho banco permanece o mesmo abrigando o velho homem que lembra de um tempo que já não há.

Ali ele andava de mãos dadas com ela. Todos os dias, sol e chuva, eles andavam de mãos dadas em torno da praça. Ele se esforçando pra calar a boca. Ela, séria e compenetrada em apertar a mão dele. Com os anos, a fragilidade chegou aos passos da menina. As mãos dadas foram substituídas pelo sentar no banco da praça observando o tempo. Mas todos os dias, sol e chuva, estavam juntos na imensa batalha de aprender a viver e amar.

O homem velho gostaria de acreditar em Deus como sua antiga paixão. Porém, tinha para si que fora muito feliz na vida que tivera com sua querida companheira. A eternidade eram as lembranças, aquele banco de jardim e o beijo que ainda sentia em seus lábios esmaecidos.

Se Deus era amor como afirmavam aqueles que tentavam em vão conquistar sua alma, então o tal Deus devia ter os olhos daquela menina que encantara seu coração. E o coração do velho homem sentado na praça se iluminava com a visão do seu único e definitivo Deus.

O final da tarde trouxe os casais comemorando aquele dia dos namorados.

Todos que passavam, lamentavam a solidão do velho alfaiate na praça abandonada.

Não sabiam, nem podiam saber.

O velho alfaiate nunca estava só.




2 comentários:

  1. Que bom ! O velho alfaiate nunca estava só.

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  2. Comovente Roberto! Comovente.E logo hoje,tive a primeira experiência como "velho" ("old rockandroller"). Inesquecível aliás. Um rapaz de cerca de 25/30 anos me cedeu o lugar!KKKK totalmente desnamorado!

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Comentários