Por ROBERTO VIEIRA
O verbo namorar tem
origem singela. Significa apenas 'estar enamorado', ou seja, estar
amando. Portanto, o dia dos namorados é o dia das pessoas que estão
vivenciando esta experiencia única e indizível chamada amor. Para
quem está amando, o dia dos namorados são todos os dias. Para quem
não ama, o dia dos namorados é uma fragilidade capitalista, pois
nada mais sem sentido que o dia dos namorados para quem não está
'enamorado'.
O homem velho está
sentado sozinho na praça. Ela se foi. É o dia dos namorados e ela
se foi. Ela se foi há muito tempo na memória das pessoas e do
mundo. Ela se foi das ruas onde fazia compras e conversava com as
amigas. Ela se foi da igreja onde acendia velas pela família. Ela se
foi da mesa nas horas infinitas do café, almoço e jantar. Ela se
foi das festas quando ele a tirava pra dançar.
Quem sabe foi tudo
ficção? Um momento de romantismo de um velho coração safenado? O
lirismo do passado em que tudo parecia perfeito, eterno, iluminado?
A praça anda
precisando de uns cuidados. Brinquedos quebrados, flores mortas,
flores murchas, folhas espalhadas pelo chão. Apenas o velho banco
permanece o mesmo abrigando o velho homem que lembra de um tempo que
já não há.
Ali ele andava de mãos
dadas com ela. Todos os dias, sol e chuva, eles andavam de mãos
dadas em torno da praça. Ele se esforçando pra calar a boca. Ela,
séria e compenetrada em apertar a mão dele. Com os anos, a
fragilidade chegou aos passos da menina. As mãos dadas foram
substituídas pelo sentar no banco da praça observando o tempo. Mas
todos os dias, sol e chuva, estavam juntos na imensa batalha de
aprender a viver e amar.
O homem velho gostaria
de acreditar em Deus como sua antiga paixão. Porém, tinha para si
que fora muito feliz na vida que tivera com sua querida companheira.
A eternidade eram as lembranças, aquele banco de jardim e o beijo
que ainda sentia em seus lábios esmaecidos.
Se Deus era amor como
afirmavam aqueles que tentavam em vão conquistar sua alma, então o
tal Deus devia ter os olhos daquela menina que encantara seu coração.
E o coração do velho homem sentado na praça se iluminava com a
visão do seu único e definitivo Deus.
O final da tarde trouxe
os casais comemorando aquele dia dos namorados.
Todos que passavam,
lamentavam a solidão do velho alfaiate na praça abandonada.
Não sabiam, nem podiam
saber.
O velho alfaiate nunca
estava só.

Que bom ! O velho alfaiate nunca estava só.
ResponderExcluirComovente Roberto! Comovente.E logo hoje,tive a primeira experiência como "velho" ("old rockandroller"). Inesquecível aliás. Um rapaz de cerca de 25/30 anos me cedeu o lugar!KKKK totalmente desnamorado!
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