Por NEWTON MORAES
a)
O Conselho do Náutico tem uma imagem muito ruim
junto à torcida e o objetivo da minha ida aos programas de rádio foi demonstrar que essa
visão é injusta e distorcida. É bom ficar claro que não sou candidato a nada,
exceto ao cargo de conselheiro;
b)
O Conselho é formado por pessoas íntegras e que
querem o bem do Náutico;
c)
À exceção dos conselheiros natos (eméritos e
beneméritos), todos os demais têm que contribuir com meio salário mínimo,
mensalmente;
d)
Do montante arrecadado, mais de 75% é destinado
para o executivo (CT, Base e Remo e, eventualmente, faz o pagamento de outras
despesas que seriam do executivo, tais como honorários advocatícios e impostos);
e)
De acordo com o Estatuto do Clube, é obrigatório o
repasse de 10% do montante arrecadado para o Centro de Treinamento (CT). Por
uma liberalidade do Conselho, aprovada em reunião, o repasse tem sido de 50%. O
ex-presidente Berillo Júnior foi suspenso por não estar cumprindo essa
determinação do Conselho;
f)
Apesar de ter havido queda na arrecadação (muitos
conselheiros pediram licença), os valores repassados pelo Conselho na gestão de
Glauber têm sido muito superiores ao que ocorreu durante a gestão de Paulo
Wanderley, em função do descumprimento de Berillo e pelo drástico enxugamento
das despesas que houve tão logo Eduardo Turton assumiu;
g)
Eventualmente, o Conselho solicita doações
adicionais espontâneas para arcar com despesas que deveriam ser do Executivo.
Um exemplo disso foi com a ida do time de juniores para a Copa São Paulo,
disputada no início do ano. O total doado pelos conselheiros foi 38.000 reais,
suficiente para bancar todas as despesas da viagem e ainda sobrar 1.500 reais.
No momento, estamos arrecadando dinheiro para ajudar a família de Lala;
h)
Como a Direção do Náutico não tem condições de
arcar com as despesas referentes aos bichos, eles têm sido pagos com a
contribuição de abnegados. Um grupo coordenado por mim e pelo conselheiro João
Caldas tem sido responsável por levantar, em média, metade do valor de cada
bicho. Esse grupo é composto por mais de 25 conselheiros e alguns alvirrubros
abnegados, onde pouquíssimas pessoas apoiam a atual gestão. Existe, também, um
grupo de médicos, coordenado pelo conselheiro Antônio Carlos Braga, que também contribui e o restante é bancado pelos diretores de futebol e por pessoas
ligadas a eles.
As principais decisões do Conselho que causaram
essa falsa impressão de que o Conselho quer prejudicar a atual gestão foram:
1-
Decisão
do Conselho para não alteração da cláusula do contrato com a Arena que veda
antecipações de recursos ou a utilização da receita como garantia de
empréstimos. A decisão foi tomada pelo bem do Clube, que poderia ficar
inviabilizado em poucos anos, caso esse precedente fosse aberto, permitindo que
se tornasse prática. O pleito inicial da Direção do Náutico foi para poder
captar 2 milhões de reais em empréstimos, utilizando como garantia a receita da
Arena. Na semana seguinte, o valor já passou para 6 milhões, com carência de 10
meses, ou seja, praticamente todo o empréstimo seria pago
pelos sucessores, os quais também se sentiriam no direito de agir da
mesma forma. Assim, em poucos anos seria consumida toda a receita que está
prevista para ser auferida nos durante os 30 anos do contrato. Fico à vontade
para externar que o Conselho agiu com absoluta correção, pois fui um dos que
votaram a favor da alteração no contrato (mas somente se os recebíveis
comprometidos fossem os da atual gestão), em função da grave crise financeira
que o Náutico atravessava. No entanto, após uma maior reflexão, admito que a
decisão do Conselho foi a mais sensata, para não abrir o precedente (que teria
que ter a anuência da Odebrecht, diga-se de passagem). Alguns conselheiros
sugeriram alternativas para auxiliar na solução do problema. Na própria
reunião, o conselheiro Sérgio Aquino prontificou-se a conseguir 15 pessoas
para, juntamente com os atuais dirigentes, avalizarem, cada, um empréstimo de
50 mil reais (não tenho certeza do valor). Ao final da mesma, o conselheiro
Zeca Cavalcanti procurou o presidente do Conselho (Eduardo Turton) e
colocou-se à disposição para, juntamente com outros conselheiros, bancar a
rescisão do contrato de funcionários que o Clube deseje demitir para
reduzir a Folha do Administrativo. No dia seguinte à reunião, o
conselheiro Marcos Freitas prontificou-se a conseguir 25 alvirrubros para que
cada um empreste 12 mil reais - totalizando 300 mil -, sem juros e com deságio,
dando ao Clube uma carência de 3 meses e pagando-se apenas 9 parcelas de
30 mil reais. Como garantia, exigiam apenas que as 9 parcelas fossem cheques
pessoais dos atuais dirigentes.
2-
A
suspensão temporária do repasse de 50% da arrecadação do Conselho para o CT,
retornando aos 10% previstos no Estatuto do Clube, enquanto o Diretor do CT não
cumprisse com algumas exigências estatutárias e fizesse a adequada manutenção no
CT, já que uma Comissão tinha sido criada para verificar o estado do mesmo e o
encontrou em uma situação lastimável. A Comissão formada passou a efetuar novas
liberações de recursos, mas com fins específicos. Convém salientar que, nos
poucos meses em que os repasses para o CT não atingiram os 50% previstos, eles foram
repassados para outros departamentos do Clube, ou seja, o Executivo, como um
todo, continuou a receber os mesmos valores.
É fato que tem havido desentendimentos entre o Conselho e o Executivo,
mas tem prevalecido sempre o interesse do Clube e o respeito ao estatuto.
O Executivo não tem atendido inúmeros requerimentos feitos por conselheiros
e pelo Conselho Fiscal. Reiterações das solicitações são feitas e continuam sem
respostas.
Tivemos, ainda, algumas situações em que membros de torcida organizada
puseram em risco a integridade física dos conselheiros, com ameaças e cenas de
vandalismo, sem que o Executivo coibisse com firmeza tais atos. Um associado,
Tiago Barreto, postou nas redes sociais um vídeo de baixíssimo nível em que, a
partir de informações falsas, desqualifica todos os membros do Conselho e
ameaça quebrar tudo por lá. E, pior ainda, diz que obteve as informações de
membros da diretoria executiva. Vários conselheiros o estão processando, mas a
direção do clube não tomou nenhuma providência.
Evitando expor ainda mais o Clube, em nenhum momento, o presidente em
exercício do Conselho (Eduardo Turton) ou algum membro do Conselho Fiscal foi à
imprensa denunciar esses fatos.
* Conselheiro do Clube Náutico Capibaribe

Precisa, cirúrgica, suficiente, necessária, a fala de Newton, ainda que sóbria,isenta e tranquila - como é do seu temperamento, sempre cordial e equilibrado - tem, no entanto, a contundência da Verdade.
ResponderExcluirImportante e esclarecedor.
ResponderExcluirEsse troço de REPOLHO é brincadeira né?
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