28 de ago. de 2015




Por SÉRGIO GALVÃO        




Posso garantir aos amigos que uma das maiores escolas de advocacia é um clube de futebol. Comecei no jurídico do Náutico ainda no ano de 2003, e lá passei 10 anos como Diretor Jurídico, e no final como Vice-presidente jurídico. A atuação se dava em quase todos os ramos do direito. Na área penal, fiscal, trabalhista, desportiva, cível, em todos os cantos desse nosso gigantesco País. Processos em Araxá, Porto Alegre, Goiás; defesas no STJD, TJD; contratos dos mais variados, envolvendo prestação de serviços, cessão de marcas, cessão de atletas, contratos internacionais, em inglês, espanhol, árabe... 

Senhores e senhoras, cada dia era uma surpresa diferente. Um detalhe: sem receber qualquer remuneração, do que não tenho a menor queixa pois se fosse pago não teria aceitado. Posso garantir a vocês que faria tudo novamente, mas escolhi me afastar porque percebi que não tinha mais condições de desempenhar minha função agregando apoio ao Clube. O Náutico, assim como outros clubes grandes, não é só uma escola para advocacia, mas é um grande abridor de portas. Por envolver uma paixão que é de todos, do pobre e do rico, do letrado e do analfabeto, o Náutico me possibilitou fazer amizades e conhecer pessoas, ser conhecido e respeitado pelo meu trabalho. 

Orgulho-me muito de todo o trabalho que desenvolvemos no clube, em conjunto com meu amigo Ivan Rocha e meu primo Daniel Nejaim, esse último já nos anos derradeiros de minha atuação. Entretanto, a grande lição que tirei é que o isolamento é o maior mal que pode atingir uma agremiação. A maior riqueza de um clube é agregar um grande número de pessoas que estejam dispostas a emprestar seu tempo, seu prestígio e seu trabalho em favor desse clube. Acredito hoje, sem hesitar, que um Presidente de Clube, para corresponder às expectativas de grandeza do cargo que ocupa, precisa ser um construtor de entendimentos, um fazedor de pontes e de amizades. Precisa se despir por inteiro de qualquer tipo de vaidade pessoal e, pensando no bem maior, agregar valores e apoios à causa comum, que é o fortalecimento da instituição. Sem isso ele sucumbirá, mesmo que no meio do caminho conquiste algo de efêmero. 

A perpetuação de uma instituição e dos seus órgãos, a durabilidade das vitórias, especialmente no futebol, passa pelo caminho do entendimento. Quantas vezes fui testemunha, e continuo sendo, de grandes alvirrubros que se dispuseram a ajudar o Náutico em momentos de dificuldades, sem querer nada em troca. Isso não tem preço e deveria ser cativado. Prefiro não nominar ninguém, mas eles sabem quem são e sabem da admiração que tenho por eles. 

Acredito que em todos os grandes clube seja assim. Testemunhei situações similares no Santa e no Sport. É isso amigos: mais entendimento, mais construção de apoios, mais pessoas vivendo o clube de dentro, tendo prazer de viver o clube. Tudo isso precisa ser edificado por quem comanda.  






Um comentário:

  1. A competência e a dedicação de alvirrubros como Sérgio Galvão nos dão esperança de dias melhores para o nosso clube. Felizmente o Náutico dispõe de quadros como ele: gente jovem, talentosa, despida de vaidades pessoais, disposta a servir ao clube "remunerados" apenas pela própria paixão. A uma diretoria esclarecida cumpre saber captar essas colaborações, agregar valores, unir esforços, conquistar adesões. Essa a missão fundamental de quem preside o clube cujos interesses devem se sobrepor a tudo e a todos (sobretudo à própria vaidade...)

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