16 de set. de 2013





Por SERGIO PEPEU

A chamada “década de ouro” da patativa, foi repleta de grandes jogadores. Para muitos, um se destacava, e apesar de ter passado pouco tempo no imortal Pedro Victor de Albuquerque era visto como o maior atleta daquele time maravilhoso de 1986 que por pouco não quebrou o tabu de trazer o título estadual para a Cidade de Caruaru.

Seu nome era Manoel Inácio da Silva Filho, mais ninguém conhecia ele por esse nome, e sim pelo seu apelido, Pitico.

No tempo em que o mais importante no futebol era atacar, Pitico era o autêntico ponta direita. Pitico foi comprado junto ao Juventude de Caxias, por cerca de CR$ 80.000,00.(Oitenta Mil Cruzeiros). Dizem que foi vendido ao Sport por quase CR$ 1.000.000,00 (Hum milhao de Cruzeiros) numa das mais rápidas (e vantajosas) valorizações do futebol de Pernambuco.

Apesar de ter sido Campeão Brasileiro no contestado Campeonato de 1987 pelo Sport, é no Central que Pitico fez seu nome com um brilhante estadual e é pela patativa que o craque tem um especial carinho.

Atleta veloz, inteligente, com uma visão de jogo incomum, era excelente finalizador, um “craque” na verdadeira acepção da palavra, e, com apenas 22 anos seu porte de jogo fazia encantar até jornais gaúchos com manchetes do tipo: “Depois de Pelé e Zico, vem Pitico”.

O Central de Caruaru era um verdadeiro esquadrão, a ponto de disputar ponto a ponto com os times recifenses o título do campeonato estadual. Todas as equipes recifenses sofreram derrotas frente ao Central de 1986 e o Náutico não teve o gosto de vencer o alvinegro uma vez sequer, sempre se ressaltando que os estaduais de antigamente eram muito longos, duravam meses e os times se enfrentavam diversas vezes no decorrer da competição.

Pitico, após rápida passagem pelo Sport e São José-SP, seguiu para Portugal atuando pelo Farense, Beira Mar, e outros clubes portugueses.

Mas foi no Farense que o atleta gravou seu nome em Portugal. Pitico era visto como “coqueluche”do Estádio São Luís e foi com ele comandando que o Farense conseguiu seu maior destaque na História sendo finalista da Taça de Portugal (que tem formato e “status” semelhante a Copa do Brasil) no ano de 1990.

Pitico permanece até hoje em Portugal, está com 49 anos e continua jogando um campeonato amador com absoluta maestria, fato que fez o “Diário de Notícias”, jornal português se derramar em elogios em reportagem de Antônio José Brito em 22 de fevereiro de 2008:

“No início da década de 90 era a grande coqueluche do Estádio de São Luís em Faro. Hoje, Manoel Inácio da Silva Filho, 44 anos, encanta o público alentejano com o seu futebol "rendilhado", num porte elegante e vigoroso que pede meças aos mais jovens.

No mundo da bola, Manoel Filho ficou célebre como Pitico, jogador dos tempos áureos do Sporting Farense e actual "estrela" do FC São Marcos, Castro Verde, emblema que disputa a 1.ª divisão distrital da Associação de Futebol de Beja.

Sempre solidário, interveniente, capaz de conceder uma palavra de conforto ou "disparar" um reparo mais incisivo, Pitico é o comandante da equipa e sabe usar a sua influência. Um estatuto que lhe é concedido pela carreira muito "calejada", que continua a prolongar-se em terras alentejanas.”

Pitico após uma tentativa sem êxito de ser treinador de futebol, hoje, além de atleta é o Diretor de Esportes (algo como gerente de futebol) desta equipe amadora de São Marcos. O craque segue também muito bem de vida como empresário no ramo de limpeza de piscinas na cidade litorânea de Albufeiras.


Três momentos de Pitico: No Central de Caruaru no inesquecível ano de 1986 para a patativa, jogando pelo Farense de Portugal na decisão da Taça de Portugal em 1990 e entrevistado recentemente por jornal português.







Um comentário:

  1. Mais uma excepcional resgate, belas histórias e o futebol pernambucano e no caso a memória Centralina, cada vez mais vida. Parabéns Sérgio por mais essa publicação.

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Comentários