21 de mar. de 2013








José Mendonça dos Santos nasceu em Mossoró no dia 19 de março de 1929. Já o Dequinha, apelido do jogador, surgiu como craque no Atlético de Mossoró, sendo logo adquirido pelo seu rival, o Potiguar. Daí para o ABC de Natal foi um pulo. Em 1949, o América passou a perna no Sport e foi buscá-lo para brilhar em seu meio de campo. O fato desencadeou uma pequena guerra em Pernambuco, pois Dequinha chegou e assombrou o futebol local com sua categoria e visão de jogo.

Com ele, o América disparou na liderança do estadual e Dequinha virou manchete em todo o país. Titular absoluto da seleção pernambucana, nas palavras do técnico Salvador Perini ele era insubstituível, o garoto potiguar chamou a atenção do Flamengo e do Madureira. Até mesmo o técnico Kanela – que depois ficaria famoso como técnico da seleção brasileira de basquetebol – encheu os olhos com seu talento quando esteve em Recife.

Com Dequinha e Julinho no time, o América aprontava com os adversários. Convidado para amistosos em Campina Grande, o alviverde empatou em 0 a 0 com o Treze, dono da casa, e despachou o Sport com sonoro 4 a 0 – o que deixou o Leão ainda mais invejoso com a perda do centromédio.

Porém, oito meses depois da contratação, passe estipulado em cem contos, Dequinha se transferia para o rubro-negro carioca, em plena Copa do Mundo de 1950, quando os torcedores americanos estavam distraídos. A sua estreia ocorreu no dia 19 de setembro daquele mesmo ano, empate em 2 a 2 contra o América-RJ.

Ídolo do Flamengo nos anos que se seguiram, símbolo do tricampeonato dos anos 50 na Gávea, o que parecia ser um grande negócio para o América em 1950, transformou-se em um grave erro estratégico. O América não ganhou mais nada em Pernambuco e o Flamengo, com Dequinha comandando o meio campo, seguiu embalado para o tricampeonato 53/54/55. De quebra, o craque foi convocado para a seleção brasileira que disputou a Copa de 1954.

Imaginar o que seria o América com Dequinha no restante do certame pernambucano de 1950 é tarefa difícil. Mas quem sabe a equipe, líder do certame no instante da partida do craque, não teria escrito a história de forma diferente?

Em 1964, o destino do América e de Dequinha voltaram a se encontrar. Contratado pelo grêmio esmeraldino, o craque potiguar ocupo o cargo de treinador da equipe, inclusive realizando com excursão ao norte do país. Tempos depois, cansado de viver o dia a dia dentro de campo e no cargo de treinador, Dequinha que nos anos 50 já ensaiava suas crônicas esportivas, tornou-se comentarista da Rádio Cultura de Aracaju com grande sucesso. 

Para surpresa de muitos, como o antigo companheiro Vavá, bicampeão mundial em 58 e 62 pela seleção brasileira que, ao saber da novidade, exclamou:

E Dequinha já fala?”


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2 comentários:

  1. Mestre, que data foi esse jogo América 4x0 Sport? Consultando o livro do Mestre Carlos Celso não encontrei tal jogo.

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  2. Foi logo após a excursão do América a Campina Grande - 1949 ou 1950 - vou rever os arquivos e te dou notícia...

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