José
Mendonça dos Santos nasceu em Mossoró no dia 19 de março de 1929.
Já o Dequinha, apelido do jogador, surgiu como craque no Atlético
de Mossoró, sendo logo adquirido pelo seu rival, o Potiguar. Daí
para o ABC de Natal foi um pulo. Em 1949, o América passou a perna
no Sport e foi buscá-lo para brilhar em seu meio de campo. O fato
desencadeou uma pequena guerra em Pernambuco, pois Dequinha chegou e
assombrou o futebol local com sua categoria e visão de jogo.
Com
ele, o América disparou na liderança do estadual e Dequinha virou
manchete em todo o país. Titular absoluto da seleção pernambucana,
nas palavras do técnico Salvador Perini ele era insubstituível, o
garoto potiguar chamou a atenção do Flamengo e do Madureira. Até
mesmo o técnico Kanela – que depois ficaria famoso como técnico
da seleção brasileira de basquetebol – encheu os olhos com seu
talento quando esteve em Recife.
Com
Dequinha e Julinho no time, o América aprontava com os adversários.
Convidado para amistosos em Campina Grande, o alviverde empatou em 0
a 0 com o Treze, dono da casa, e despachou o Sport com sonoro 4 a 0 –
o que deixou o Leão ainda mais invejoso com a perda do centromédio.
Porém,
oito meses depois da contratação, passe estipulado em cem contos,
Dequinha se transferia para o rubro-negro carioca, em plena Copa do
Mundo de 1950, quando os torcedores americanos estavam distraídos. A
sua estreia ocorreu no dia 19 de setembro daquele mesmo ano, empate
em 2 a 2 contra o América-RJ.
Ídolo
do Flamengo nos anos que se seguiram, símbolo do tricampeonato dos
anos 50 na Gávea, o que parecia ser um grande negócio para o
América em 1950, transformou-se em um grave erro estratégico. O
América não ganhou mais nada em Pernambuco e o Flamengo, com
Dequinha comandando o meio campo, seguiu embalado para o
tricampeonato 53/54/55. De quebra, o craque foi convocado para a
seleção brasileira que disputou a Copa de 1954.
Imaginar
o que seria o América com Dequinha no restante do certame
pernambucano de 1950 é tarefa difícil. Mas quem sabe a equipe,
líder do certame no instante da partida do craque, não teria
escrito a história de forma diferente?
Em
1964, o destino do América e de Dequinha voltaram a se encontrar.
Contratado pelo grêmio esmeraldino, o craque potiguar ocupo o cargo
de treinador da equipe, inclusive realizando com excursão ao norte
do país. Tempos depois, cansado de viver o dia a dia dentro de campo
e no cargo de treinador, Dequinha que nos anos 50 já ensaiava suas
crônicas esportivas, tornou-se comentarista da Rádio Cultura de
Aracaju com grande sucesso.
Para surpresa de muitos, como o antigo
companheiro Vavá, bicampeão mundial em 58 e 62 pela seleção
brasileira que, ao saber da novidade, exclamou:
“E
Dequinha já fala?”

Mestre, que data foi esse jogo América 4x0 Sport? Consultando o livro do Mestre Carlos Celso não encontrei tal jogo.
ResponderExcluirFoi logo após a excursão do América a Campina Grande - 1949 ou 1950 - vou rever os arquivos e te dou notícia...
ResponderExcluir