26 de jan. de 2013





Por ROBERTO VIEIRA          



Não tenho medo da morte.

Convicções religiosas à parte, morte para mim é um nada eterno, sem dor, sem amanhãs, sem ontem.

Um estado de inexistência atemporal.

Se algum átomo meu assumir outra forma, será outra forma, não a minha que tem data de validade.

Não tenho medo da solidão.

Faz parte da existência e no dia a dia de trabalho, solidão é o que menos existe, exceto a solidão de nós mesmos diante do espelho.

Mas hoje, saindo pela madrugada a procura de um remédio para a aliviar minha dor e náusea, na cidade de farmácias fechadas com medo da violência, não é que senti medo da morte e da solidão?

Pois é.

Lá estava eu, só, nauseado e doente e ninguém sabia ou queria saber se eu estava só, nauseado ou doente.

O medo apareceu de repente e se foi de repente.

Durou o tempo exato para que eu olhasse em seus olhos e fizesse uma careta para espantá-lo.

Xô!!!!!!!!

Ele se foi.

Mas descobri porque as pessoas vivem umas ao lado das outras infinitamente.

É o espectro da morte e da solidão rondando suas portas.

A experiencia foi importante – talvez agora eu entenda melhor as pessoas em minha volta.

Voltei para casa e tomei a medicação.

A dor passou. A náusea também.

Os filhos dormiam.

Sentei para escrever meus pensamentos.

Ninguém me perguntou sobre a dor e a náusea.

O que também é uma forma de morte.

O que também é uma forma de solidão.

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