18 de jan. de 2013








Por ROBERTO VIEIRA


Na Munique glacial, Pep Guardiola abraça comovido o Kaiser. O Bayern sonha em dominar o mundo. Beckenbauer sonha com os dias de glória na década de 70, quando chegou perto dos semideuses do futebol...

Como é injusto o mundo do futebol!

Tão injusto quanto a vida, diria Nelson Rodrigues.

Então, pra que tanta lamúria?

Pois é.

Mas vejam o absurdo do gol.

O gol transforma o jogador de futebol.

O perna de pau vira craque.

O craque vira gênio.

O gênio semideus.

Quem viu jogar Franz Beckenbauer sabe.

Ele era a perfeição em matéria de futebol.

Não recuava bola.

Driblava em espaços minúsculos.

Elegante.

Heróico entre os astecas.

Onipresente em campo.

Beckenbauer que aprendeu a jogar nas ruínas da guerra.

Chutando pedra e tampinha de garrafa.

Reconhecidamente genial.

Nunca entrou na seleta lista de Di Stefano, Pelé, Messi e Maradona.

Nunca foi considerado o melhor de todos os tempos.

Tudo porque não marcou mais de uma centena de gols.

E vejam o absurdo do gol.

O gol transforma o jogador de futebol.

O perna de pau vira craque.

O craque vira gênio.

O gênio?

Semideus.

Mas na gélida Berlim.

O Kaiser-Prometeu sonha em dominar o mundo.

Roubando o fogo da ensolarada Hispânia de Pep.

Longe das chuteiras imaculadas.

Usando a cartola mágica da Säbener Strasse...


Um comentário:

Comentários