Por ROBERTO VIEIRA
Na Munique glacial, Pep Guardiola abraça comovido o Kaiser.
O Bayern sonha em dominar o mundo. Beckenbauer sonha com os dias de glória na década
de 70, quando chegou perto dos semideuses do futebol...
Como é injusto o mundo do futebol!
Tão injusto quanto a vida, diria Nelson Rodrigues.
Então, pra que tanta lamúria?
Pois é.
Mas vejam o absurdo do gol.
O gol transforma o jogador de futebol.
O perna de pau vira craque.
O craque vira gênio.
O gênio semideus.
Quem viu jogar Franz Beckenbauer sabe.
Ele era a perfeição em matéria de futebol.
Não recuava bola.
Driblava em espaços minúsculos.
Elegante.
Heróico entre os astecas.
Onipresente em campo.
Beckenbauer que aprendeu a jogar nas ruínas da guerra.
Chutando pedra e tampinha de garrafa.
Reconhecidamente genial.
Nunca entrou na seleta lista de Di Stefano, Pelé, Messi e
Maradona.
Nunca foi considerado o melhor de todos os tempos.
Tudo porque não marcou mais de uma centena de gols.
E vejam o absurdo do gol.
O gol transforma o jogador de futebol.
O perna de pau vira craque.
O craque vira gênio.
O gênio?
Semideus.
Mas na gélida Berlim.
O Kaiser-Prometeu sonha em dominar o mundo.
Roubando o fogo da ensolarada Hispânia de Pep.
Longe das chuteiras imaculadas.
Usando a cartola mágica da Säbener Strasse...

Ou seja, o Kaiser era um "centrfó de armação".
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