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8 de fev. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA



O Brasil cogitou contratar Pep Guardiola.

Guardiola que representa o futuro.

O Brasil ficou com Felipão.

Felipão que representa o passado.

Diante da liberdade da arte.

A simplicidade do homem de fronteira.

Mas não vale a pena se lamentar.

Pep nunca daria certo na atual seleção brasileira.

E Felipão pode até funcionar.

Pep não teria ninguém para dialogar.

O futebol brasileiro atual está repleto de homens das cavernas.

Neandertais remunerados.

Nada contra o quadriceps no futebol.

Mas não se pode imaginar cubismos e impressionismos.

Dos pés de quem machuca a bola por um punhado de dólares.

O Brasil de Marins, Renans e Burniers.

Já não possui sequer o contraponto de Gérson, Da Guia e Tostão.

Nos anos de chumbo havia um sonho.

Contraditório e silencioso, porém sonho.

A bola corria de pé em pé apesar de tocada por coturnos.

Hoje.

Guardiola iria procurar em vão por Xavis e Iniestas.

E até mesmo um Lampard seria rara fantasia.

O Brasil é centésimo no ranking da FIFA.

Saco de pancada de quem joga bola.

Não porque Dunga, Mano e Felipão são Tapirus terrestris.

Injustiça.

Os jogadores do Brasil é que desaprenderam a amar a pelota.

Trata-la como escrava.

Bola hoje é apenas meio de vida.

Instrumento de trabalho remunerado.

Martelo.

E exatamente por isso.

Bom mesmo é o Felipão.

A única chance do Brasil hexacampeão é justamente o Felipão.

Felipão da família Scolari.

Felipão do sangue, suor e lágrimas.

Porque jogando bola?

A gente não passa nem das oitavas...

18 de jan. de 2013








Por ROBERTO VIEIRA


Na Munique glacial, Pep Guardiola abraça comovido o Kaiser. O Bayern sonha em dominar o mundo. Beckenbauer sonha com os dias de glória na década de 70, quando chegou perto dos semideuses do futebol...

Como é injusto o mundo do futebol!

Tão injusto quanto a vida, diria Nelson Rodrigues.

Então, pra que tanta lamúria?

Pois é.

Mas vejam o absurdo do gol.

O gol transforma o jogador de futebol.

O perna de pau vira craque.

O craque vira gênio.

O gênio semideus.

Quem viu jogar Franz Beckenbauer sabe.

Ele era a perfeição em matéria de futebol.

Não recuava bola.

Driblava em espaços minúsculos.

Elegante.

Heróico entre os astecas.

Onipresente em campo.

Beckenbauer que aprendeu a jogar nas ruínas da guerra.

Chutando pedra e tampinha de garrafa.

Reconhecidamente genial.

Nunca entrou na seleta lista de Di Stefano, Pelé, Messi e Maradona.

Nunca foi considerado o melhor de todos os tempos.

Tudo porque não marcou mais de uma centena de gols.

E vejam o absurdo do gol.

O gol transforma o jogador de futebol.

O perna de pau vira craque.

O craque vira gênio.

O gênio?

Semideus.

Mas na gélida Berlim.

O Kaiser-Prometeu sonha em dominar o mundo.

Roubando o fogo da ensolarada Hispânia de Pep.

Longe das chuteiras imaculadas.

Usando a cartola mágica da Säbener Strasse...