Por ROBERTO VIEIRA
O Brasil cogitou contratar Pep Guardiola.
Guardiola que representa o futuro.
O Brasil ficou com Felipão.
Felipão que representa o passado.
Diante da liberdade da arte.
A simplicidade do homem de fronteira.
Mas não vale a pena se lamentar.
Pep nunca daria certo na atual seleção brasileira.
E Felipão pode até funcionar.
Pep não teria ninguém para dialogar.
O futebol brasileiro atual está repleto de homens das
cavernas.
Neandertais remunerados.
Nada contra o quadriceps no futebol.
Mas não se pode imaginar cubismos e impressionismos.
Dos pés de quem machuca a bola por um punhado de dólares.
O Brasil de Marins, Renans e Burniers.
Já não possui sequer o contraponto de Gérson, Da Guia e Tostão.
Nos anos de chumbo havia um sonho.
Contraditório e silencioso, porém sonho.
A bola corria de pé em pé apesar de tocada por coturnos.
Hoje.
Guardiola iria procurar em vão por Xavis e Iniestas.
E até mesmo um Lampard seria rara fantasia.
O Brasil é centésimo no ranking da FIFA.
Saco de pancada de quem joga bola.
Não porque Dunga, Mano e Felipão são Tapirus terrestris.
Injustiça.
Os jogadores do Brasil é que desaprenderam a amar a pelota.
Trata-la como escrava.
Bola hoje é apenas meio de vida.
Instrumento de trabalho remunerado.
Martelo.
E exatamente por isso.
Bom mesmo é o Felipão.
A única chance do Brasil hexacampeão é justamente o Felipão.
Felipão da família Scolari.
Felipão do sangue, suor e lágrimas.
Porque jogando bola?
A gente não passa nem das oitavas...

