13 de nov. de 2012






O que você escreveria no meio do nada?

Cercado de incertezas e guerra?

Diante do exército alemão que lutava por sua sobrevivência?

No caos remoto da Campanha da Itália?

Talvez lembrasse dos tempos de criança ou escrevesse sobre o sofrimento em terra tão inóspita. Talvez se queixasse da separação e reclamasse das futuras condições da batalha e do rancho reinventado para a tropa brasileira.

Em 1944, uma das cartas do então Sargento Rigoberto é redigida. Escrita no dia 6 de outubro, o texto é simples e objetivo sem espaço para nada além da saudade familiar e do desejo irrestrito de vitória. O fato é surpreendente: naquele 6 de outubro a FEB ocupava as cidades de Fornaci e Coreglia Antelminelli, sendo o instante de puro movimento e incerteza sob a temperatura que insistia em trazer frio e lama para o cotidiano do soldado brasileiro.

Porém, mais inesperado é que três semanas antes, nada daquilo existia. O Sargento Rigoberto fora convocado pela sua discutível habilidade na direção de um jipe.


A vontade de ajudar o Brasil na guerra era grande. O Sargento Rigoberto vai até o centro de recrutamento da Força Expedicionária perto de Deodoro. Lá é recebido por um Major de mau humor que vai logo perguntando quem ele é, de onde vem, se deseja ir pra Itália numa aventura. 

Rigoberto é informado que não tem vaga. 

O Major era João de Oliveira Cintra, enteado do General Dutra casado em segundas núpcias com Dona Santinha.

Só que o destino faz sua estrada na vida dos homens. No universo de soldados que não desejavam ir para a guerra, Rigoberto descobriu que faltavam motoristas ao Exército Brasileiro. Por uma destas manobras do destino, durante um dos exames para motoristas na Campanha da Itália, Rigoberto assistindo curioso as manobras, o capitão paraibano Geraldo de Alvarenga Navarro olhou para o Sargento Rigoberto e não se fez de rogado:

'Você é motorista, Sargento?'

Rigoberto se aboletou no jipe e sem nunca ter dirigido um veículo, acertou a primeira marcha e a marcha ré apenas com a experiencia de observar os motoristas no quartel.

No momento seguinte, Rigoberto concluía sua declaração de herdeiros.

Sem nunca ter visto um canhão anticarros, Rigoberto estava escalado como motorista da Companhia de Canhão Anticarros.

A Itália passava a ser realidade.



O JIPE DO SARGENTO RIGOBERTO






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