14 de nov. de 2012






A Segunda Guerra Mundial chegou devagarinho aos jornais. O dinheiro para a cobertura esportiva foi minguando, assim como foi rareando o dinheiro para o futebol profissional. Os campeonatos foram esvaziados, as excursões se tornaram coisa de louco – vide a viagem suicida de navio do Santa Cruz ao norte do país.

As atenções estavam voltadas para os palcos da guerra, entre os quais, a costa brasileira, com submarinos do Terceiro Reich afundando e metralhando nossos compatriotas. Enquanto Rudolf Hess planava sobre Glascow, sendo capturado ao pisar em solo britânico, a bola buscava sobreviver em gramados pernambucanos. O Sport de Ademir Menezes e Pirombá era o grande time de 1941, metendo medo até nos grandes do sul do país. Só quem não tinha medo era o América de Leça, Capuco, Edgar e Pinhegas, trunfo mais que suficiente para levantar o Torneio Início daquele ano.

O sorteio do Torneio colocou o América frente ao Santa Cruz. Um córner na prorrogação deu a vitória ao clube esmeraldino que assistiu de camarote a vitória do Náutico sobre o Sport, campeão de 1940 e favorito ao troféu. Por força do regulamento, as finais do certame foram marcadas para oito dias depois. O América passou pelo Great Western e o Náutico bateu o Flamengo. Na finalíssima, o América venceu o Náutico na prorrogação pela diferença de um córner. 


Já em 1943, Julinho estava lá para colocar classe no ataque americano. O título estadual fugiu pelas brigas incessantes da Federação Pernambucana – os rubro negros levando a taça pra casa com parte do campeonato ainda por disputar. Restou ao América ser campeão do menor Torneio Início da história. Apenas quatro equipes apareceram para disputar o troféu: o próprio América, o Great Western, o Flamengo e o Sport. A guerra impregnava o desporto na mesma intensidade com que tomava conta do planeta Terra. As equipes brigavam no gramado e nos bastidores; bola mesmo, pouca gente lembrava de jogar.  


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