A
Segunda Guerra Mundial chegou devagarinho aos jornais. O dinheiro
para a cobertura esportiva foi minguando, assim como foi rareando o
dinheiro para o futebol profissional. Os campeonatos foram
esvaziados, as excursões se tornaram coisa de louco – vide a
viagem suicida de navio do Santa Cruz ao norte do país.
As
atenções estavam voltadas para os palcos da guerra, entre os quais,
a costa brasileira, com submarinos do Terceiro Reich afundando e
metralhando nossos compatriotas. Enquanto Rudolf Hess planava sobre
Glascow, sendo capturado ao pisar em solo britânico, a bola buscava
sobreviver em gramados pernambucanos. O Sport de Ademir Menezes e
Pirombá era o grande time de 1941, metendo medo até nos grandes do
sul do país. Só quem não tinha medo era o América de Leça,
Capuco, Edgar e Pinhegas, trunfo mais que suficiente para levantar o
Torneio Início daquele ano.
O
sorteio do Torneio colocou o América frente ao Santa Cruz. Um córner
na prorrogação deu a vitória ao clube esmeraldino que assistiu de
camarote a vitória do Náutico sobre o Sport, campeão de 1940 e
favorito ao troféu. Por força do regulamento, as finais do certame
foram marcadas para oito dias depois. O América passou pelo Great
Western e o Náutico bateu o Flamengo. Na finalíssima, o América
venceu o Náutico na prorrogação pela diferença de um córner.
Já
em 1943, Julinho estava lá para colocar classe no ataque americano.
O título estadual fugiu pelas brigas incessantes da Federação
Pernambucana – os rubro negros levando a taça pra casa com parte
do campeonato ainda por disputar. Restou ao América ser campeão do
menor Torneio Início da história. Apenas quatro equipes apareceram
para disputar o troféu: o próprio América, o Great Western, o
Flamengo e o Sport. A guerra impregnava o desporto na mesma
intensidade com que tomava conta do planeta Terra. As equipes
brigavam no gramado e nos bastidores; bola mesmo, pouca gente
lembrava de jogar.

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